segunda-feira, 25 de maio de 2009

Promessa é dívida! Referencial bibliográfico em negociações

Como prometi em minha coluna publicada hoje (25 de maio) no Portal Mondo Post (aqui), publico referenciais bibliográficos para o estudo das negociações internacionais, essa lista não é exaustiva e não quero tirar onda (e mentir) ao dizer que li todos esses livros, muitos deles conheço por apud. Para ser mais claro muita dessa lista copio da bibliografia completa de artigos que li, e de livros.

Espero contribuir positivamente para a formação de quem se interessem nessa área, muitos desses textos estão disponíveis em base de dados e bibliotecas ao redor do país. Espero que ao longo do tempo possamos aumentar e qualificar ainda mais essa lista, com sugestões vindas de leitores.

Sem mais delongas, vamos lá:

Adair, W.L., Okumura, T., and J.M. Brett. (2001). Negotiation behavior when cultures collide: The U.S. and Japan. Journal of Applied Psychology.

Adair W.L., & Brett, J.M. (2005). The negotiation dance: Time, culture, and behavioral sequences in negotiation. Organization Science;

Adler, N.J. (1983). A typology of management studies involving culture. Journal of International Business Studies,

Alder, N.J. (1997). International dimensions of organizational behavior. Cincinnati, OH: South-Western College.

Adler, N.J., & Graham, J.L. (1989). Cross-cultural interaction: The international comparison fallacy? Journal of International Business Studie.

Ang, S., Van Dyne, L., Koh, C., & Ng, K.Y. (2004, August). The measurement of cultural intelligence. Paper presented at the 64th Annual Meeting of the Academy of Management, New Orleans, LA.

Ang, S., Van Dyne, L., & Koh, C. (2006). Personality Correlates of the Four-Factor Model of Cultural Intelligence. Group & Organization Management.

Barry and Friedman (1998). Bargainer characteristics in distributive and integrative negotiation. Journal of Personality and Social Psychology.

Bazerman, M.H., & Carroll, J.L. (1987). Negotiator cognition. In B.Staw & L.L. Cummings (Eds.), Research in Organizational Behavior (Vol. 9, pp.247-288). Greenwich, CT: JAI.

Bazerman, M. H., Curhan, J.R., Moore, D.A., & Valley, K.L. (2000). Negotiation. Annual Review of Psychology, 51, 279-314.

Black, J.S., & Mendenhall, M. (1991). The U-curve adjustment hypothesis revisited: A review and theoretical framework. Journal of International Business Studies.

Brett, J.M. and T. Okumura. (1998). Inter- and Intracultural negotiation: U.S. and Japanese negotiators. Academy of Management Journal.

Brett, J.M., Shapiro, D. L., and Lytle, A. L. (1998). Breaking the bonds of reciprocity in negotiations. Academy of Management Journal.

De Dreu, C.K.W., Koole, S.L. & Oldersma, F.L. (1999). On the seizing and freezing of negotiator inferences: Need for cognitive closure moderates the use of heuristics in negotiation. Personality and Social Psychology Bulletin.

DuBois, C. (1951). Culture Shock. This talk was present as part of a panel discussion at the first Midwest regional meeting of the Institute of International Education in Chicago, November 28, 1951.

Earley, P.C. (2002). Redefining interactions across cultures and organizations: Moving forward with cultural intelligence. Research in Organizational Behavior.

Earley, P.C., & Ang, S. (2003). Cultural Intelligence: An analysis of individual interactions across cultures. Palo Alto: Stanford University Press.

Francis, J.N.P. (1991). When in Rome? The effects of cultural adaptation on intercultural business negotiations. Journal of International Business Studies.

Gelfand, M.J., & Christakopoulou, S. (1999). Culture and negotiator cognition: Judgment accuracy an dnegotiation processes in individualistic and collectivistic cultures. Organizational Behavior and Human Decision Processes.

Gelfand, M.J., & Brett, J.M. (2004). Integrating negotiation and culture research. In M.J. Gelfand & J.M. Brett (Eds.), The Handbook of Negotiation and Culture. Stanford, CA: Stanford University Press, pp. 415-428.

Gelfand, M.J., & Cai, D.A. (2004). Cultural structuring of the social context of negotiation. See Gelfand & Brett, 2004, pp.238-257.

Gelfand, M.J., & Dyer, N. (2000). Cultural perspectives on negotiation: Progress, pitfalls, and prospects. Applied Psychology: An International Review.

Graham, J.L. (1985). The influence of culture on the process of business negotiations: An exploratory study. Journal of International Business Studies.

Kumar, R. (2004). Culture and emotions in intercultural negotiations: An overview. See Gelfand & Brett, 2004, pp.95-113.

Lee, C. H., & Templer, K.J. (2003). Cultural intelligence assessment and measurement. See Earley & Ang, 2003, pp.185-208.

Liu, L.A., Friedman, R. A., & Chi, S.C. (2005). "Ren Qing" versus the "Big 5": The Role of Culturally Sensitive Measures of Individual Difference in Distributive Negotiations. Management and Organization Review, 1, 225-248.

Mayer, J.D., Salovey, P. (1997). What is emotional intelligence? In P.Salovey & D.J. Sluyter (Eds.), Emotional development and emotional intelligence: Educational implications (pp3-31). New York: Basic Books.

Morris, M.W., & Gelfand, M.J. (2004). Cultural differences and cognitive dynamics: Expanding the cognitive perspective on negotiation. See Gelfand & Brett, 2004, pp.95-113

Morris, M. W., Larrick, R. & Su, S. (1999). Misperceiving Negotiation Counterparts: When Situationally Determined Bargaining Behaviors Are Attributed to Personality Traits. Journal of Personality and Social Psychology, 77, 52-67.

Natlandsmyr, J.H., & Rognes, J. (1995). Culture, behavior, and negotiator outcomes: A comparison and cross-cultural study of Mexican and Norwegian negotiators. International Journal of Conflict Management, 6, 5-29.

Oberg, K. (1960). Cultural shock: adjustment to new cultural environments. Practical Anthropology, 7, 177-182

Rao, A., & Schmidt, S.M. (1998). A behavioral perspective on negotiating international alliances. Journal of International Business Studies, 29, 665-693.

Ross, M., Xun, W.Q.E., & Wilson, A.E. (2002). Language and the bicultural self. Personality and Social Psychology Bulletin, 28, 1040-1050.

Salovey, P., & Mayer, J.D. (1990). Emotional intelligence. Imagination, Cognition and Personality, 9, 185-211.

Sanchez-Burks, J., Nisbett, R.E., & Ybarra, O. (2000). Cultural styles, relational schemas, and prejudice against out-groups. Journal of Personality and Social Psychology, 79,174-189.

Sanchez-Burks, J., Lee, F., Choi, I., Nisbett, R., & Zhao, S. (2003). Conversing across cultures: East-West communication styles in work and nonwork contexts. Journal of Personality and Social Psychology, 85, 363-372.

Templer, K.J., Tay, C., & Chandrasekar, N.A. (2006). Motivational cultural intelligence, realistic job preview, realistic living conditions preview, and cross-cultural adjustment. Group & Organization Management, 31, 154-173.

Thompson, L.L. (1991). Information exchange in negotiation. Journal of Experimental Social Psychology, 27, 161-179.

Thompson and Hastie (1990). Social perception in negotiation. Organizational Behavior and Human Decision Processes, 47: 98-123.

Thorndike, E.L. (1920). Intelligence and its uses. Harper’s Magazine, 140, 227-235.

Tinsley, C., Curhan, J., Kwak, R.S. (1999). Adopting a dual lens approach for overcoming the dilemma of difference in international business negotiation. International Negotiation, 4, 1-18.

Triandis, H.C. (1994). Cross-cultural industrial and organizational psychology. In H. C. Triandis, et al. (eds.), Handbook of Industrial and Organizational Psychology, 2nd ed. (pp. 103-172). Palo Alto, CA: Consulting Psychologist Press.

Tse, D.K., Francis, J., & Walls, J. (1994). Cultural differences in conducting intra- and inter-cultural negotiations: A Sino-Canadian comparison. Journal of International Business Studies, 25, 537-555.

Tung, R.L. (1982). U.S.-China trade negotiations: Practices, procedures and outcomes. Journal of International Business Studies, 13, 25-37.

Weiss, S.E. (1994, Winter/Spring). Negotiating with the Romans, Parts I, & II. Sloan Management Review, 51-99.
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Ler, Refletir e Pensar

There is one safeguard known generally to the wise, which is an advantage and security to all, but especially to democracies as against despots. What is it? Distrust.


Demóstenes

[Particularmente válido, para nós também, com tanto populismo crescendo a nosso redor, ondas de nacionalização, alternativas bolivarianas e “outros mundos possíveis” (falarei mais aprofundadamente depois). Bom, pelo menos para mim, que sou naturalmente cético de todos que desejam o poder.]
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domingo, 24 de maio de 2009

Momento ombudsman sobre a temática desse blog: Uma explicação não solicitada, mas assim mesmo feita

Todos vocês que são leitores assíduos, ou que aqui chegam, pela primeira vez já sabem ou saberão que busco variar a temática nesse blog, variando desde a reflexão teórica até a análise de eventos do dia-a-dia (com os riscos e abrangência limitada de toda análise feita ao calor dos acontecimentos). Há, contudo, uma tendência aqui de procurar por temas que visam não a já manjada releitura e levantamento sobre as correntes teóricas das relações internacionais, suas escolas e seus debates, eventualmente posso abordá-los, mas não é esse o intento primordial aqui, o objetivo, que talvez seja mais recorrente são os que primam por propor reflexões, teóricas, metodológicas e meta-teóricas.

Muitos devem se perguntar o porquê que me atenho a esses assuntos com um mundo em ebulição não faltando fenômenos para serem analisados, posicionamentos a serem tomados. Já é pacifico entre os que lêem com freqüência esse blog que carrego comigo uma preocupação com a cientificidade das opiniões em relações internacionais.

Sendo franco seria muito mais fácil pra mim, e traria muito mais leitores e comentários se eu abordasse os assuntos com paixão, com afirmações categóricas, escolhendo e defendendo lados ideológicos (e acreditem os tenho, são claros para quem me ler, axiologicamente falando fazem parte do modo como abordo os assuntos e nas escolhas arbitrárias que faço que infelizmente sempre estão presentes no escopo de uma análise em ciências sociais), seria tão mais fácil viver da polêmica, ou simplesmente comentar com certa verborragia com um “sotaque” acadêmico opiniões de outros, ou repetir manchetes de jornais, mas já há muitos os que fazem isso.

Não busco esse caminho da polêmica só por querer ser diferente em um oceano de opiniões e idéias que é a internet, faço por que tenho o que costumo chamar de deferência pela minha ciência e respeito por meus leitores, assim busco opinar e analisar com bases e justificativas, aplicando um pensamento coerente com a ciência, mesmo não produzindo artigos científicos, já que esse blog, não seria mídia adequada a isso.

Essa constante busca pela meta-teórica, e pela reflexão, creio eu, é a contribuição que pretendo com esse blog, ou seja, pretendo inspirar quem estuda e pensa relações internacionais (ok, ambição meio megalomaníaca, aceito), a pensar seu próprio pensamento. Gosto de analisar temas específicos e faço com uma certa constância, mas reiteradamente me pego a pensar mais abstratamente, talvez por que por ocupação penso praticamente, então tento me aprofundar nos mistérios dos posicionamentos, meus principalmente, perante as relações internacionais.

Essa já longa justificativa me parece ser necessária para que os leitores compreendam que ao batizar o blog de coisas internacionais, tinha em mente essa abrangência, tinha em mente a liberdade de percorrer vários caminhos e correr riscos, riscos na medida em que se eu escrever algo idiota estará para sempre eternizado na internet.

Imaginava que esses assuntos mais teóricos não seriam tão interessantes aos leitores, contudo os números de acesso continuam a me surpreender positivamente. E isso reforça essa veia, mas aproveito esse tópico pra dizer que apesar de ultimamente ter havido a prevalência desses temas não abandonarei as temáticas específicas, que também, despertam minha curiosidade, como as séries em aberto como a sobre a China e África, sobre conflitos assimétricos e sobre o governo Fujimori. E outras que tenho agendadas, o que acontece, é que estou com problemas com hardware e com conexão de internet, que dificultam deverás a pesquisa competente que baliza essas séries, afinal são métodos e provas que separam uma opinião convicta e cientifica de um palpite ou achismo.

O objetivo desse post, como já está claro é explicar e justificar minha temática, não que ache que eu tenho que me explicar a vocês, ou que me sinto obrigado a justificar, mas é importante ser bem entendido e compreendido em minhas intenções.

Tenho plena ciência que muitos dos que aqui caem vindos de serviços de busca ou de links que divulgo no Orkut procuram por temas específicos, ou respostas prontas, muitos até com o objetivo de fazer trabalhos "Ctrl + C, Ctrl + V" e a proposta desse blog pode os frustrar, não quero aqui ditar o que as pessoas tem que pensar, nem que ângulos estão certos pra resolver o quebra-cabeças global, (ajudo os que tem duvidas, acerca da profissão e do curso, faço de bom grado, compartilhando minha experiência, embora não me arrogue a verdade absoluta, por isso evito nesses temas respostas categóricas) mas faço questão de incentivar o pensamento ordenado, lógico e embasado.

Um pensamento este que resulta da leitura, da compreensão, da reflexão e da auto-análise metodológica e axiológica, aquela auto-análise, que minimiza a chance de emitir opiniões baseadas em preconceitos. Isso eu faço questão de tentar incutir e é a isso que chamo de deferência pela ciência, ou seja, usar, aplicar os métodos e as teorias nas análises práticas, de fenômenos internacionais.

Todos os que escrevem ou têm seu próprio blog, ou fazem seus trabalhos universitários sabem quão gratificante e angustiante é escrever diariamente, ainda mais com objetivos tão “abusados” como os meus de produzir material relevante, mas espero (e sem delírios de grandeza) inspirar os que aqui chegam ansiando “dar um jeitinho” e achar o caminho fácil, a se apaixonarem também, pela pesquisa e pela escrita, sei que posso muitas vezes não agradar com meus temas, ou com a maneira como os abordo e saibam lido muito bem com críticas.

Lido bem por que acerto ou erro com convicção, como já disse em um post, e isso significa que acerto ou erro fazendo pesquisa, procurando pela melhor respostas e isso resulta em duas coisas que são excelentes na vida: a) Tenho convicção para defender minhas idéias de maneira equilibrada, e clara. b) Em caso de convencido que minha posição não era a correta, durante esse processo aprendo mais, melhoro meus métodos, assim não fico preso a idéias pré-definidas. Isso não é fácil, nem tranqüilo, afinal, também, tenho ego, orgulho e teimosias, mas a vontade de ser um cientista é maior que isso.

Sobre o que posto aqui, gosto muito dos textos que costumo chamar de reflexões, eles são produtos de uma tentativa de encontrar respostas, são um processo pré-hipotético, podemos dizer e nem sempre visam ter conclusões, mas sim servir de espaço pra extravasar questões diversas que rondam minha cabeça, muitas vezes esses textos são inspirados pela leitura de artigos acadêmicos, podem ser em alguns momentos até antagônicos, mas são assim pela sua própria natureza, de expor uma idéia em gestação.

Não escrevo esse blog por que me considero “O analista de relações internacionais”, “O especialista”, “O sabe tudo”. Escrevo, por que sinto que tenho algo a dizer, sobre essa ciência e essa profissão que tanto amo. Não escrevo com vistas a ter fã clubes, embora não seja nada desagradável, ler elogios. Também não escrevo pra servir de grupo de auto-ajuda a quem se arrependeu de cursar relações internacionais, nem o outro extremo, não escrevo pra alimentar ilusões utópicas sobre glamorosas carreiras internacionais. Quando perguntado, repondo com sinceridade.

É claro que há um objetivo até uma necessidade de divulgar as relações internacionais, como ciência e como campo de trabalho, escrevo muitos textos sobre isso, e por esse mesmo motivo sou membro e voluntário do Instituto Mundial para as Relações Internacionais.

Mas, sem sombra de duvida, meu principal objetivo pra escrever é individual, é pessoal, é a necessidade de me expor, de dizer o que penso, de continuar aprendendo coisas novas, de continuar atualizado mesmo afastado da academia, a continuar a minha educação, mas agora de maneira livre de obrigações forçadas por professores (parafraseando o discurso de Paulo Roberto de Almeida, em minha formatura), agora pesquiso pelo prazer de aprender e pela responsabilidade que mencionei acima e esse blog sintetiza tudo isso.

Não sei por que escrevo esse post, em pleno domingo, vai ver é a famosa nostalgia dos domingos, não fui cobrado sobre o que escrevo, mas me parece lógico e justo que eu tente explicar as razões de ser desse blog aos leitores. Espero que vocês não cansem dessas elucubrações, nem sejam repelidos pelas discussões teóricas.

Já é o segundo tópico “ombudsman” que faço, mas a idéia como sempre é provocar vocês leitores a refletirem sobre a relação aprender, entender e criar em termos de relações internacionais, não sei se chego perto de fazer isso com o mínimo de destreza, mas procuro, aspiro a isso.
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sábado, 23 de maio de 2009

O que me levou as Relações Internacionais? Pergunta uma leitora, em mais uma carta da nossa seção de dúvidas de leitores

Como vocês sabem, nas boas vindas a esse blog me ofereço a responder dúvidas dos que ainda não se decidiram completamente por relações internacionais e dúvidas também, dos que já cursam.

Nesse sentido recebi um e-mail, muito simpático, de uma jovem de 18 anos que não diz de que cidade ela escreve, por motivos de privacidade a chamaremos de [...].

Querida [...], muito obrigado pelas doces palavras destinadas a esse blog e ao seu conteúdo, que a modéstia (e olha que não sou afeito a isso) me impede de reproduzir aqui, mas saiba que são palavras assim, me motivam a continuar esse solitário e as vezes doloroso ofício da escrita. (não que me esteja a me comparar com escritores de verdade, mas o fantasma da página branca me assombra tanto quanto assombrou e assombra a eles). Não gosto de falar de mim mesmo, nesse blog ao menos, mas julgo suas perguntas oportunas (as reproduzirei abaixo, como recebi) e por isso as responderei da maneira mais clara, direta e honesta possível.

“O motivo do e-mail é que eu queria que você me falasse como foi o começo, o seu começo em R.I. Porque escolheu essa área? Quando decidiu? Que dicas pode me dar pra melhorar minha perspectiva sobre o assunto. (Eu considero meus conhecimentos não suficientes pra ingressar numa faculdade mas tomara que isso não seja um empecilho, pois estou disposta a respirar, beber, comer, viver R.I)”

Um pouco acima [...] relata que “O que me deixa um pouco pra baixo é o fato de não ter tido uma base escolar tão boa quanto outras pessoas tiveram, sempre estudei em escola pública e só agora, fazendo pré-vestibular vejo o quanto minha educação é defasada, mas tudo bem estou correndo atrás pra isso =)”

Vou começar a responder por esse segundo trecho, [...] o fato de você perceber que sua base foi defasada é positivo, por que ter consciência disso é o primeiro passo para superar essa barreira, e isso se faz com muito estudo, muita biblioteca, é um sacrifício temporário, mas necessário. Portanto, garra, força e dedicação que você supera ou ao menos diminui essa defasagem, atenuando a ponto de ser uma competidora séria por vaga em universidade federal, por exemplo, mas entrar é literalmente, e simbolicamente só o começo, essa pegada, esse amor aos livros é fundamental, nesse campo em que o autodidatismo é marca comum.

Então, não se desanime, mantenha uma atitude positiva, o cansaço será grande e atitude e incentivo serão muito importantes nesse período, mas não se torne obcecada com isso se dedique, mas não deixe passar ou não em um vestibular definir quem é você.

Agora vamos ao terreno que estou mais habituado o das relações internacionais, não creio que seja um grande conselheiro vocacional, ou profissional, mas busco compartilhar e ajudar, bom tento pelo menos.

Eu quando era jovem, como todo adolescente meio que navegava pela vida, achando que tinha todas as respostas, eu tinha uma cresça que seria jogador profissional de basquete, mesmo sendo baixo para os padrões do esporte (1,91, pra quem queria jogar de pivô, equivale a ser o Nelson Ned, ou a Fabi do Vôlei), mas nunca descuidei do estudo, mesmo por que tenho um lado geek e nerd bem forte, mesmo com uma queda pelos esportes. Como você, também tinha aptidão para a história, inglês, as humanas na verdade, mas também ia bem em química e biologia, física e razoavelmente bem em matemática, tanto que ambicionava cursar engenharia, mais precisamente mecatrônica, vê-se que realmente era perdido na vida.

Eu tinha colega de judô que cursava relações internacionais e adorava e como o curso já tinha aparecido em mais de um teste vocacional, que tinha feito, perguntei muitas coisas a ele, e ai por aquelas coisas do destino, meu saudoso pai, tinha um colega de trabalho que era formado em RI, então no front familiar, embora não houvesse nenhum tipo de pressão sobre carreira, havia uma consciência do que era o curso, então não havia objeções nem formais, nem aquelas indiretinhas.

Mas, devo confessar que me joguei no curso sem saber muito sobre ele, sobre campo de trabalho, eu entrei com gana de aprender, de estudar. E nisso tive uma sorte imensa de entrar no semestre que entrei com os amigos que tive e com os veteranos que tive, já que no semestre que ingressei a primeira turma da Universidade Católica de Brasília, se formava e as dores que eles passavam para obter empregabilidade e o fato d’eu e minha classe quase toda termos nos enturmado com eles, nos deu um choque de realidade, seria difícil obter emprego em relações internacionais, embora, as oportunidades existissem.

Escolhi relações internacionais por que o desafio, o quebra cabeça do mundo me convidavam, decidi de fato na fila da inscrição, tanto que na federal tentei engenharia, sim uma temeridade (ainda mais pra quem como eu advoga tanto os benefícios da preparação e do conhecimento prévio), mas que deu certo, achei minha vocação, minha paixão, mas a maioria dos que fazem essa loucura de escolher quase ao acaso se arrependem, alias, tentam vários cursos para se acharem, coisa perfeitamente normal, graças ao bom Deus, tive essa fortuna de escolher no escuro e acertar.

Primeiro conselho que te dou é tenha certeza de que é o curso que você quer, o máximo pelo menos de certeza que podemos ter aos 18 aninhos, se você considera que sua educação formal não seja ainda suficiente para obter a aprovação, estude, leia, estude, leia, estude, leia. Leia os livros de literatura, leia textos clássicos como Maquiavel, Hobbes, não se chateie a perceber anos depois que você entendeu errado. É parte do processo, seja academicamente humilde, o que significa se abra a aprender, mas não abaixe a cabeça por não saber algo, ignorância não é motivo de vergonha, optar por ela, ou pela mediocridade a meu ver sim é.

Pela sua carta vejo que você tem garra e sabe se auto-avaliar características muito boas, e se por acaso durante o curso RI não for a sua, não se mortifique, procure o que estimula sua mente. Não é necessário saber tudo de RI antes de entrar, senão qual seria o ponto de cursar?

Dicas para melhorar o entendimento, continuar a ler esse blog (olha o jabá ai gente!), ler o portal Mondo Post, participar do fórum de discussão do referido portal, ler outros sites dedicados as relações internacionais, mas creio que nesse momento o mais importante é obter a aprovação no vestibular.

Assim que você entrar, você verá a amplitude do curso, mas contará com professores, com indicações de bibliografias obrigatórias e complementares que aos poucos lhe formarão como analista das relações internacionais, ou qualquer outro dos possíveis campos de empregabilidade.

Espero ter ajudado, sei que nem todas as respostas foram as que você poderia esperar, mas na vida não existem muito o tal “caminho das pedras” com receitas prévias, a verdade é que pessoas muito diferentes fazem o curso por motivos diferentes, o que importa mesmo é levar a sério, estudar, aprender e não ser mais um, na multidão vagando por ai com um diploma na mão, mas sem noção do que querem da vida esperando que alguém lhes de essa resposta.

Mas, uma advertência eu faço, por questão de coerência, saiba que esse é um mercado difícil, não faltam formados frustrados e sem emprego. E descobrir o que fazer com o seu diploma dependerá muito, se não exclusivamente de você e desses caminhos que a vida toma.

Então não se iluda com coisas tipo profissão do futuro, e outros clichês, o mercado nem sempre é justo, nem sempre ter ou não emprego depende só de sua capacidade, empenho e dedicação, muitos dizem que os melhores sempre terão lugar, isso creio eu é uma crueldade com quem é capaz e bem qualificado que por motivos diversos não conseguem emprego. Afinal generalizações sempre tendem a estupidez.
(paradoxalmente fiz uma generalização, sobre generalizações, mas isso não vem ao caso, desculpe-me sou dado à digressão).

Termino com meus sinceros votos de sucesso e que daqui a quatro anos possa te chamar de colega de profissão. E obrigado pelos elogios ao Blog.
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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Relações Internacionais de Municípios?

As relações internacionais como campo de pesquisa possuem uma abrangência impressionante e muitas são as linhas de pesquisas, os temas e as agendas. Alguns temas, no entanto, parecem chamar a atenção de uma comunidade epistemológica pequena, apesar de serem potencialmente importantes no contexto de como as relações internacionais de um país como o Brasil podem se dá na prática.
Afinal o Brasil é uma nação democrática e principalmente federativa. E isso confere aos Municípios oportunidades e riscos internacionais. Claro que não com as mesmas competências da União, mas não obstante isso há como veremos abaixo espaço para atuação dos municípios no âmbito internacional. (Sem contar iniciativas no âmbito da ONU, como Habitat entre outros)

Assim, certos fenômenos acabam por passar despercebido pela agenda dos pensadores e principalmente dos formuladores, um desses temas é a potencialmente conflituosa paradiplomacia, que já abordei aqui em outro post. E por que classifico como potencialmente conflituosas? É claro a qualquer um que como mostro nesse post supracitado, vários outros, autores demonstram em suas obras que o vazio legal em que essas relações ocorrem as colocam num limbo, que flerta com ilegalidade, comportamento abjeto a qualquer ente público. E, também, por que uma maior ação por parte de Estados e Municípios quebram o tal monopólio do governo central sob questões externas, o que alguns temem ser o gérmen de movimentos separatistas.

Sem aprofundar em teorias políticas ou mesmo das relações internacionais é preciso observar que do ponto de vista fenomênico esse tema é um objeto de estudo muito relevante e com aplicações práticas que podem ser proveitosas para Estados e principalmente Municípios, apesar de ambos não serem sujeitos efetivos do Direito Internacional, algumas convenções internacionais e regimes apontam para a necessidade de participação dos poderes locais, não só na execução de compromissos internacionais assumidos, mas na própria negociação desses compromissos.

A importância desse fenômeno decorre de fatores internacionais, como a globalização que tornou mais acirrada a competição por investimentos e turismo, por exemplo, que interessam muito as municipalidades. Decorre também do estatuto federal trinitário inaugurado com a constituição de 1988, que tornou os municípios entes da federação. Então é de certa forma natural a demanda por maior papel, ainda mais por aqueles que por terem fortes interesses econômicos, ou se encontram por razões geográficos obrigados a lidar, regular e resolver questões do dia-a-dia com cidades em outros países.

Isso explica em parte o crescimento do numero de municípios que possuem Secretárias Especificas para lidar com as Relações Internacionais, dando escopo institucional a essa prática. Mas, por que municípios expandem seus gastos com uma burocracia voltada ao internacional? A resposta para isso já foi de certo modo apresentada acima, o fazem como uma forma de lidar corretamente com as questões internacionais, que afetam diretamente o município, as indústrias que nele estão instaladas, seus produtores rurais, seus pescadores, seus artesãos. Ou seja, a função dessas secretarias primordialmente é zelar pelos interesses municipais, decodificando os impactos das ações e acordos em negociação pelo governo federal, e assim tentar influenciar o governo federal a proteger ou ser sensível aos seus interesses, outra função primordial é atrair investimentos, buscar por financiamentos, convênios de cooperação técnica, claro que por força legal algumas dessas ações serão levadas a cabo com intermédio do MRE, mas ao menos o município conta com quadros capazes de acompanhar e pressionar corretamente, com vistas a alcançar os seus objetivos.

A globalização tornou as coisas e questões internacionais, paradoxalmente cada vez mais locais, ainda mais no aspecto concorrencial cada vez mais acirrado, e eventos recentes como a guerra fiscal mostra como um grau de coordenação ou cooperação federativa se faz necessária, para prevenir situações como a guerra fiscal e também para a troca de experiências, o que justiça seja feita têm sido feito, alguns encontros e conferências já foram organizadas entre Secretários de Relações Internacionais.

É importante que os municípios se insiram de maneira adequada ao seu porte e potencial, com pessoal técnica e politicamente hábil, para maximizar benefícios, não obstante os vácuos legais, é um daqueles casos que a necessidade da realidade, suplanta tanto os legisladores como pesquisadores.

Contudo é animador saber que existem estudos feitos sobre o tema e exemplos práticos de inserção que podem ser adaptadas e copiadas por municípios que agora nesse cenário de crise encontram-se em urgente necessidade de criar e manter empregos e novas fontes de receita, seja com o incentivo do turismo (onde há o potencial) como com a captação de recursos e empréstimos principalmente para infra-estrutura, além dos acordos tradicionais de cidades-irmãs que ajudam nos intentos de incremento do turismo, mas também posicionam o município como lócus provável para receber instalações industriais, por exemplo, ou investimentos na chamada economia verde, ou até mesmo no “fair trade”, uma ótima oportunidade para desenvolver áreas pobres e comunidades carentes, melhorando o nível de vida e bem estar no município. Além claro, do intercâmbio cultural que é o cerne tradicional dos acordos de cidades-irmãs.

Senhores Prefeitos (será que algum lê esse blog?) quantos entre vossas senhorias tem planos de inserção internacional de seu município ou de conjuntos de municípios? As oportunidades estão ai em busca de quem as achem.
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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Crise de Crédito Internacional, deja vu?

[Esse texto é um releitura de outro texto meu aqui publicado, então sua percepção de deja vu pode ser dupla, a que pretendo e a provocada pela releitura, mesmo assim a maior parte é uma nova abordagem e mesmo se não fosse não existe auto-plágio :) ]
O aumento dos juros internacionais na década de 1980 limitou o acesso dos países, então conhecidos como de terceiro mundo ao crédito, o que teve como conseqüências seguidas moratórias, que por sua vez dificultavam ainda mais a obtenção de recursos, essas crises da “década perdida”, sepultaram o modelo cepalino de substituição de importações, que vigorava no Brasil e era o sustentáculo das políticas de reserva de mercado, que mantiveram a nossa indústria ineficiente e tecnologicamente deteriorada, e é bom que nos lembremos disso nesses tempos de crise global, para afastar o fantasma da construção de mecanismo de fechamento da economia.

Uma vez que esse modelo fechado, embora tenha sido o modelo que propiciou a industrialização do Brasil, se notabilizou pela ausência de concorrência externa o que gerou um quadro de baixa inovação tecnológica, baixa produtividade com uma capacidade instalada no limite ao que se somaram fatores econômicos e intervenções governamentais desastrosas o que gerou um quadro inflacionário insustentável, que aumentou muito a divida dos governos o que aliado ao desestimulou para a ação privada deteriorou a infra-estrutura brasileira, contudo esse período foi marcado pela transição de volta a democracia que se concluiu com a eleição direta de Fernando Collor de Melo. (sei que a luz da história não parece um avanço, mas foi).

E sob a égide de crise inflacionaria e baixo nível tecnológico industrial se deu a abertura econômica e inicio da regularização financeira com o começo das negociações entorno da divida externa, o Brasil foi rapidamente exposto ao mercado mundial. Óbvio que houve um período de acomodação para as empresas nacionais, além de ter sido necessário uma extensa mudança de legislação, principalmente no comércio exterior, o fim de monopólios estatais e um extenso programa de privatização (polêmico até hoje, por sinal).

Contudo, continuava a existir uma necessidade de poupança externa duas vias foram escolhidas a atração de capitais especulativos (hot Money) que serviam para regular temporariamente as constantes crises e a atração de capitais de risco (investimentos produtivos), mas para isso era necessário quadros regulatórios e condições macroeconômicas que fornecessem aos investidores de risco. De fato esses modelos continuam a coexistir até hoje.

A partir da estabilização macroeconômica, um esforço exportador foi deflagrado no Brasil sob o lema cunhado no Governo Fernando Henrique Cardoso, de exportar ou morrer. E assim o Brasil passou a adotar um modelo, que historicamente não era novo em si, mas tinha na sua amplitude pretendida a diferença, ou seja, voltamos a ter uma cultura e um modelo econômico exportador.

Esse esforço exportador diferiu das experiências anteriores por que se valendo de uma economia com bases mais diversificada e mais industrializada que em períodos de monocultura exportadora, como nos famosos ciclos econômicos (borracha, ouro, café, etc.), agora o esforço buscou diversificar produtos e parceiros econômicos, tanto por motivos internos como por fatores que derivados da globalização. Esse esforço culminou na quebra da barreira histórica dos US$ 100 Bilhões, resultado amplamente comemorado pelo setor exportador.

Esse resultado favorável, contudo, não resultou em um aumento especial da participação das pequenas e micro-empresas no bolo exportador, essas empresas são grandes empregadoras e sua inclusão pode permitir que os resultados econômicos obtidos com as exportações sejam sentidos por uma parcela maior da população brasileira. E foi um resultado que, também, foi muito influenciado por um período de crescimento global, que culminou na atual crise, assim o Brasil aumentou consideravelmente o valor absoluto de suas exportações, passou a desfrutar de sucessivos superávits na balança comercial, mas como vimos acima nossa participação no comércio mundial continuou muito baixa, ou seja, mesmo envoltos na globalização o Brasil ainda é voltado para dentro.

Outra grande questão para o comércio internacional brasileiro é a questão de que grande parte desse comércio deriva de uma posição comprada, isto é não resultado da promoção e venda do exportador e sim da venda originada pelo interesse do comprador. Esse tipo de venda não desperta no exportador o interesse por renovar suas ferramentas gerenciais e mercadológicas para conquistar novos mercados e o deixa numa posição muito passiva quanto ao comércio exterior.

A sociedade brasileira agora deve encarar esse debate de frente, pois muitas alterações se fazem necessárias para que o Brasil seja uma plataforma exportadora, contudo a tomada consciência começou organizações de classe como a FIESP têm sido lócus de difusão da cultura exportadora.

Fica claro, entretanto, que não há como continuar inserido no cenário internacional se o Brasil ceder a tentação de abandonar a preocupação com fatores como o risco-país e fiel cumprimento dos acordos internacionais e do pagamento da dívida externa, na verdade esse modelo de inserção pelos negócios pressupõe um fluxo, de poupança externa, continuado que não exclui a captação de recursos de carteira, mas fica claro pelo números da economia mundial que depender desses recursos nos torna muito suscetíveis a crises de confiança e de humor dos grupos de investimento. Portanto, um abandono de uma política macroeconômica ortodoxa pode resultar em ainda mais dificuldades de obtenção de empréstimos e alarmar investidores.

É importante agora que os empresários, as entidades de classe os governos em todos os níveis façam um esforço concentrado, aproveitando a crise como oportunidade pra demolir modelos ineficientes e buscar um aumento da pauta e dos parceiros comerciais.

Doha está e permanecerá travada, não obstante os esforços pessoais do Presidente Lula e do Chanceler Amorim, o caminho então está em driblar as barreiras protecionistas inovando para deprimir preços, pelo lado da oferta, e diminuindo o nefasto “custo Brasil” pelo lado dos governos, é necessário que se torne mais barato o escoamento da produção principalmente do interior do país, assim permitindo que cidades pequenas e médias possam receber os benefícios do comércio exterior.

Nesse momento de crise em que o animo está em baixa e o crédito escasso vale à pena lembrar que a crise dos anos de 1980 trouxe com ela o gérmen da expansão exportadora, por que foi encarada de frente e responsavelmente, e agora que o Brasil, tem pretensões de se tornar um global player, serão necessárias reformas estruturais que possam dar espaço para a baixa do spread bancário e que sejam vencidas as adversidades impostas pelo custo Brasil. E é mais que imperioso que haja mecanismos de incentivo a pesquisa e desenvolvimento, educação e principalmente educação tecnológica.

Como Schumpeter já nos ensinava, no século XIX, que para que haja crescimento econômico é necessário incrementos de produtividade, que indubitavelmente dependem de investimentos em educação, pesquisa e desenvolvimento, além como já dito da melhoria dos modais logísticos. E, claro é preciso que os empresários invistam em profissionais que sejam capazes de decodificar o cenário internacional, e assim reduzir riscos e embaraços. Quantos foram os empresários que compraram máquinas e foram pegos de surpresa pela crise e um aumento do preço da moeda estrangeira, um simples contrato de hedge e mercado de futuros poderiam ter-lhes evitados prejuízos.

A crise é grave e o crédito ainda não se normalizou, e creio que não vá se normalizar tão cedo, mas sem chavões é hora de criatividade e esforço, para salvar empresas, empregos e conquistar novos mercados ou nos posicionarmos para conquistá-los assim que as coisas comecem a evoluir. Mas, correndo o risco de ser rotulado como pessimista e antipatriota (sic) pelo governo, creio estar longe à normalidade.

E com a expansão global dos gastos públicos dá um clima de deja vu, pois não demorará que pressões inflacionárias forcem aumentos de juros, ou o pior pesadelo chinês, a desvalorização massiva do dólar. Podemos torcer pelo melhor, mas é bom aprende as lições do passado e não perdemos vantagens em setores importantes como combustíveis alternativos.
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quarta-feira, 20 de maio de 2009

De Cara Nova

O blog está de cara nova, ainda adotando o visual clean, que creio ser uma folga das poluídas páginas de internet, mas com uma marca que tenta passar a mensagem que é o objetivo desse que me move aos livros e a escrita; tentar resolver o quebra-cabeças que são as “Coisas Internacionais”.

Uma mensagem, meio jabá.


Foi publicada, hoje, a segunda parte do meu texto no Portal Mondo Post (aqui), intitulado: “Negociação, uma atividade multidisciplinar”, nesse segundo texto exploro a correlação entre as disciplinas ensinadas na universidade e a atividade negociadora, em especial, a voltada aos negócios internacionais.

Espero que seja uma leitura proveitosa.
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Welcome to the real world Mr. Obama - II

Continuando o nosso ensaio sobre o governo Obama, aos pontos que apresento nesse ensaio, cuja primeira parte está aqui, se soma o ensaio que escrevi sobre os primeiros 100 dias da administração Obama, aqui. Continuamos pelo tabuleiro geopolítico.

Extremo e médio Oriente

No extremo oriente temos a rivalidade pela hegemonia regional entre Japão e China. E a Coréia do Norte, agindo como fator de desconfiança e controvérsia polarizando politicamente uma região que parece vocacionada a ter cadeias produtivas verdadeiramente regionais. A questão norte-coreana é de longe a mais complicada e exigirá do novo Presidente e de sua Secretária e Secretaria de Estado, muita habilidade e atenção, que, no entanto as guerras e as questões econômicas podem relegar esse assunto a uma inserção de novos atores nesse processo.

Oriente Médio, é o grande desafio político global atual, há várias forças atuando na região manipulando e tentando manipular a opinião pública global, e há lógico interesses de vários atores regionais por uma hegemonia local, além de ser um local que se tornou ponto de honra e fulcral da Política Externa Americana, tanto é que a questão que parece girar entre a questão Israel-Palestina, nos mostra que há uma briga política entre Estados pela liderança na região (Irã, Egito, Jordânia, Síria até mesmo Turquia), há conflitos internos ideológicos dentro desses estados, sobre visões políticas e religiosas. Um erro comum é tratar os países do chamado bloco islâmico como um só grupo de interesses, ou por estereótipos o Oriente Médio é na verdade bastante diversificado, temos Estados compromissados com avanços tecnológicos e sociais, como os Emirados Árabes Unidos, Israel, de certa forma o Kuwait, e a Arábia Saudita. A tensão reside na questão palestina, muito bem conduzida pelo Irã, como maneira de se legitimar e voltar a ter peso na região se posicionando como ator relevante.

A questão Israel-Palestina se expandiu como fator desestabilizador, por causa da capacidade aglutinadora da chamada causa palestina que serve de justificativa a forças extremistas na região e por conta da inexistência de estados fortes e capazes de conter o terrorismo na região, assim essa questão palestina é usada como um buraco negro no qual o horizonte de eventos (estudem física se não entenderam) draga todas as discussões seja Iraque, Afeganistão, Irã ou Paquistão. Mas, não sejamos inocentes cada um desses conflitos e cada uma das justificativas usando Israel ou o Islã, está condicionada a fatores locais, regionais e por isso o desafio é enorme.

Um exemplo dessa complexidade enorme. É necessário para os EUA e as Forças da OTAN, evitar a retomada de fôlego dos talibãs no Afeganistão que o Paquistão se mantenha como rota de abastecimento e principalmente que se envolva ativamente no conflito, contudo o Paquistão foi usado pelos EUA durante a guerra fria como Proxy para treinar os próprios talibãs para enfrentar os soviéticos, e as forças de segurança do Paquistão emularam esse comportamento ao permitir, incentivar e segundo alguns até fornecer treinamento, para que esses guerrilheiros e terroristas atacassem a Índia, percebido como eterno inimigo paquistanês, o governo Bush, conseguiu manter a Índia longe desse conflito e tentou retirar esse estigma de inimigo, para que as forças paquistanesas se envolvessem mais na proteção de suas fronteiras, não permitindo espaço de recuo aos talibãs e a Al Qaeda.

A Al Qaeda repetiu, então uma tática já usada na Espanha e no Reino unido ao melhor estilo Sun Tzu, de atacar membros mais fracos ou relutantes de coalizões (com sucesso no caso espanhol) e realizou os recentes ataques em Mumbai, tentando força a uma reação Indiana que polarizasse o Paquistão. A Índia reagiu diplomaticamente com rigor, mas não com uma ação incendiária e sob pressão de Washington o Paquistão, também, teve que agir, no entanto, sua atuação ainda é dúbia, já que por um lado diz combater os extremistas, mas por outro cedeu à agenda extremista da permissão do uso da Sharia em algumas províncias, mas imagens de violência contra mulheres em decorrências desses tribunais escandalizaram a sociedade paquistanesa, o que mostra que pluralidade da região. Por isso o uso do sofrimento palestino para aglutinar, fazer esquecer as diferenças internas, e enfraquecer as forças modernizadoras, vistas e acusadas de serem pró-ocidentais e pró-Israel.

Eurásia

Para temperar mais um pouco o tabuleiro geopolítico tem a Rússia exercendo poder coercitivo, em sua antiga esfera soviética, reagindo ao avanço da influencia da OTAN e da Europa e usando a energia como arma estratégica, se aproveitando da dependência européia. E a Turquia lutando contra separatistas curdos que são aliados americanos no Iraque, e controlam região que estava mais tranqüila nesse país. E lembremos que a Turquia uma democracia secular de maioria islâmica, também, enfrenta internamente os desafios impostos pelo buraco negro Israel-Palestina, alimentando por um sentimento nacionalista que surgiu da insatisfação do resultado dos esforços turcos de se juntarem a União Européia.

Esse é o mundo geopolítico em que os EUA cruzam com interesses de vários atores regionais de peso, convergindo em uma área, e divergindo fortemente em outra. O espaço de ação unilateral se reduziu muito com a crise global e as duas guerras que já se prolongam, uma política de alianças estratégicas mais amplas se apresenta como um método para a política externa americana, mas isso vai exigir redução de tom na retórica americana, o que pode ser muito ruim para o público interno, ainda mais se a economia não der sinais de melhora. A China joga um papel importante nesse quesito, já que a crise mundial atual é em grande medida resultado da convergência de uma política de estimulo ao consumo nos EUA, via poupança externa e uma política de elevada expansão industrial da China, que também exportou poupança para os EUA, retendo mais de 1 trilhão de dólares em títulos do tesouro americano, além desse papel econômico, há um papel político principalmente de contenção da Coréia do Norte, de frente de negociação com o Irã e com o norte da África que a China por conta de uma agenda própria reluta em aceitar.

Considerações finais

A agenda externa americana como vemos é espinhosa, global, e não será resolvida com carisma e belos discursos, mas com ações e o fator segurança interna dos EUA e de seus interesses continua no centro das atenções, podem não chamar mais de Guerra ao Terrorismo, mas o radicalismo, extremismo alimentado por religiões, já foi por ideologias pouco tempo atrás, e ainda é já que numa análise mais próxima, vemos que não está em jogo uma incapacidade de convivência harmônica do Islã com o mundo ocidental, e sim uma disputa interna pelo poder e pela organização social, que usa o Islã e toda a retórica associada como justificação para obtenção de poder, e derrotar essas aspirações, não se iludam ainda é o objetivo principal dos EUA. Por isso mesmo Washington, já desde os últimos meses do governo Bush, vem pressionando até mesmo Israel, que alguns vêem como Proxy americano e ocidental na região a se coadunar nessa busca dos EUA.

A agenda americana circula desde temas energéticos (como a redução da dependência de petróleo não abordada aqui mais veiculada e analisada por muitos), temas ambientais (mesma coisa da temática anterior), direitos humanos, mas são os temas de segurança primordiais na agenda, tanto segurança de fronteiras, quanto criminalidade transnacional, como a ameaça terrorista não só no território americano, mas contra seus interesses e aliados e claro a onipresente crise mundial, que de certa forma exacerba muitos dos pontos que vimos acima ao mesmo tempo em que diminui a capacidade americana e de seus aliados, mas também dos adversários de agir, mas fornece muito combustível retórico aos adversários dos EUA em regiões onde “corações e mentes” podem ser o fiel da balança na direção tanto do conflito, como da cooperação.

Assim, welcome to real world Mr. Obama, be careful.
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Parabéns em dose dupla. Ou um bom dia para as Relações Internacionais

Republico texto da ultima sexta-feira, afinal hoje é o dia da posse, pena não estar em Brasília, para prestigiar a Carol, nesse momento:

“Gostaria aqui em público parabenizar minha querida amiga Carolina Valente, Sócia-Diretora, da Pacta Consultoria, colega de Universidade e principalmente colega de Instituto Mundial para as Relações Internacionais (IR. wi), que foi re-eleita Diretora de Relações Internacionais da Confederação Nacional de Jovens Empresários – CONAJE.

A CONAJE é um movimento associativista, que congrega mais de 20.000 membros em todo o País. A presidência da próxima gestão estará a cargo de Eduardo Machado, do movimento do Rio de Janeiro. Aproveito para pabenizar outro amigo Marcelo Azevedo dos Santos, que fez um excelente trabalho a frente da CONAJE no ultimo ano.

Carolina Valente, além de uma grande amiga, como já disse é uma das pessoas que como eu tomaram para si a tarefa de empreender no ramo das relações internacionais, além de novamente como eu ter tomado como tarefa pessoal a promoção do curso e das capacidades dos seus egressos. Principalmente no mercado chamado privado ou empresarial onde lidamos diariamente.

Meus sinceros votos de sucesso.”

O Segundo, mas não menos importante

Vai para o portal Mondo Post, Relações Internacionais de verdade, que ontem terça-feira alcançou a marca de 1.000 acessos individuais, em menos de um mês de existência e com pouquíssimos recursos financeiros (quase nenhum, na verdade) para publicidade, mas com um firme compromisso com a qualidade e com seus ideais de “levar conteúdo de qualidade (inclusive discussões polêmicas) para nossos leitores, com artigos e notícias selecionadas de toda web brasileira e internacional, além de textos exclusivos com colaboradores convidados mostrando como as RI funcionam na prática.”

O portal Mondo Post, inaugurou ontem (terça-feira) um fórum de discussão das relações internacionais (link) esse fórum se coaduna com os ideais expostos que regem esse portal, e promete ser o lócus de discussões interessantes, congregando todos que tem interesse pelas coisas internacionais e por ser fora do confinado ambiente do Orkut, tende a ser mais organizado e atrair usuários que não usam a rede social.

É um orgulho fazer parte dessa família e ser colaborador e colunista desse portal, capitaneado pelo Fundador e Editor-Chefe Enrique Villalobos. Também são membros da equipe: Daniel Marquine – Gerente de Conteúdo, Jean Rodrigues - Editor de Conteúdo, Letícia Vieira - Editora de Conteúdo, Renato Xavier – Colaborador, João Nascimento – Colaborador e Correspondente no Rio de Janeiro
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Ultimo dia da VII- Semana de Relações Internacionais da UCB

Dia 20/05.

Das 8h30 às 11h30


Novos Temas da Segurança Internacional

Condutor dos trabalhos: Prof. Dr. Egídio Lessinger (UCB)

I- Repercussões internacionais da Defesa e da Segurança na Amazônia – 8h30 às 10h General Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército)

II- Segurança ambiental no Brasil–– 10h05 às 10h45
Prof. Dr. Genebaldo Freire (UCB)

III- Comentários, debate e interação com o público sobre os temas desenvolvidos. 10h45 às 11h15

IV- Encerramento dos trabalhos – 11h15 às 11h30

Das 14h30 às 17h

Apresentações de trabalhos

Condução: Nesedi-UCB (Núcleo de Estudos em Segurança, Estratégia, Defesa e Inteligência da UCB), juntamente com o Núcleo de Estudos em Segurança da UnB
Resp: Prof. MsC Juliano Cortinhas
Sala A-201 – Bloco A, Campus I


P.S: Prof. Dr. Egídio Lessinger, foi com muito orgulho orientador da minha monografia, (que teve nota máxima, diga-se de passagem) juntamente com o Prof. Dr. Wilson Almeida. É sem sombras de dúvida o mais querido dos professores da Universidade Católica de Brasília, um grande incentivador, e conselheiro profissional desse blogueiro, um homem que nunca sonega oportunidades, contatos e acima de tudo SEMPRE têm excelentes dicas de bibliografia para apresentar, além de suas aulas que são deliciosas, e muito mais profundas que muitos percebem. Sim, estou babando ovo, mas o Grande Egídio merece muito mais, pela paciência que teve comigo. Nesse sentido o “velho” Wilson, também merece menção ainda mais por que as circunstancias em que escrevi minha monografia foram pessoalmente muito difíceis e esses dois professores, souberam cobrar e compreender na medida exata.

Foram muitos os amigos que deixei no corpo docente da minha “alma mater”, muitos os que até hoje me ajudam, mas o Professor Egídio por seu jeito, muito peculiar (só quem foi aluno entende) tem lugar de destaque.
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terça-feira, 19 de maio de 2009

Welcome to the real world Mr. Obama - I

Alto, negro, esguio, novo, inteligente, articulado com uma oratória vibrante, Barack Obama surgiu para o mundo com um popstar político, ainda que a luta tenha sido dura na campanha e tenha internamente uma oposição cerrada. O ‘change that we can believe in' teve um impacto enorme sobre o imaginário da esquerda mundial, e principalmente foi adotado como a solução para os EUA e o mundo (e como uma espécie de punição também, não faltaram comentaristas pra dizer algo como “bem feito para esses racistas vão ter que engolir um presidente negro”, como se ele não tivesse sido eleito pela maioria, [lógica, lógica, quanto tu és mau tratada]) pela imprensa mundial, isso é inconteste.

Nem carisma, nem capital político, nem palavras mansas, nem manifestações veementes de apreço a líderes emergentes, amenizam o desafio que enfrenta Obama. Foi eleito prometendo restaurar à ‘posição americana’ no mundo, corrigir o rumo, e usou até a figura de um petroleiro para justificar uma lentidão aparente nesse processo. E seus desafios são enormes, o tabuleiro mundial do xadrez geopolítico está complicado, o tabuleiro econômico desde a Grande Depressão não tinha prognósticos tão negativos. E quanto ao tabuleiro interno, me alinho a corrente majoritária dos analistas vai depender da economia. O tabuleiro multilateral no que tange ao comércio, por sua vez, também, está travado.

E a batalha moral? Essa enquanto ele tiver a mídia a seu lado e com um antecessor controverso e muito contestado como o Bush, fica fácil, embora o recuo na questão dos tribunais militares, a reticência em desclassificar documentos sobre torturas (coisa pedida pelo ex-vice-presidente Cheney), a proibição da veiculação das imagens de tortura nos campos de prisioneiros, os nomeados para cargos importantes envoltos em escândalos de sonegação fiscal e o fato da poderosa figura do Partido Democrata, a Speaker of the House (presidente do congresso americano) Nancy Pelosi, crítica ácida do governo Bush, saber desde 2002, com detalhes sobre o uso de tortura, terem arranhado um pouco a armadura brilhante do galante cavaleiro negro, que veio salvar o mundo.

A indefinição sobre o que fazer com os detidos de Guantánamo, dá uma amostra que governar é muito mais complexo, que discursar em campanha.

É claro, que uma análise profunda, com evidencias e provas de cada um dos pontos que enumerarei aqui resultariam em, apenas, algumas dezenas (se não centenas) de teses e livros, não sou arrogante a esse ponto. Portanto me limitarei a apresentar as várias questões, que identifico, com alguma contextualização, concentrando-me nesse ensaio no que chamo de tabuleiro geopolítico. Enfatizo que não se trata de uma exploração profunda, portanto, não objetiva ser exaustiva sobre o tema, e alguns temas geopolíticos podem ter ficado de fora, ou não suficientemente explicados, já que esse ensaio não tem pretensões de ser um trabalho acadêmico e sim uma análise de conjuntura feita com rigor acadêmico.


Américas

O tabuleiro geopolítico tem como principais complicações no continente americano, lidar com regimes democraticamente eleitos antiamericanos, regimes alias que pautam toda sua política externa, no palanque do antiamericanismo (yankees go home) gostam de dizer. Há problemas perenes de fronteiras com o México, a retórica da guerra contra as drogas, vista pela esquerda latina como “cabeça de praia” para o controle militar da região, foi ressuscitada com toda a força, já na primeira visita de Obama ao México, o que para mim, indica que a Colômbia não será abandonada, como muitos previam.

Há, contudo, condições e espaço de cooperação nessa frente contra o crime organizado, principalmente na América Central onde as gangues de rua (chamadas de Maras, as principais e mais notórias são as quadrilhas: MS 13, Mara Salvatrucha, Mara 18. Há um excelente documentário do Discovery Channel, Chamado: “Maras uma ameaça regional”, que é um bom caminho para quem não conhece o tema, contudo convêm para entender melhor o tema estudar a violência dos esquadrões da morte e das guerras civis que atingiram a região, há artigos na Foreign affairs e muitos trabalhos nesse sentido sugiro esses aqui, aqui e como sempre pesquisa posterior se fará necessária) que tem sua origem em comunidades centro-americanas que ao fugir das guerras na região foram para os Estados Unidos, posteriormente deportados de volta, e então se especializaram além da criminalidade, vandalismo, tráfico de drogas, passaram também a atuar com tráfico de pessoas (como coiotes) e com atividades típicas de mafiosos junto às comunidades hispânicas, nos EUA, ou seja, são ameaças estabilidade desses estados centro-americanos e à segurança regional na América Central e um problema grande de segurança nos EUA.

Na América do Sul, Washington sempre teve o governo brasileiro como interlocutor moderado, que serve como contraponto a chamada Alternativa Bolivariana, de fato há na agenda brasileira muitos interesses comuns na região, mas que não são bem explorados nas relações diplomáticas, por que quando se trata de EUA a polarização (e virtual perda de votos nas eleições) inibem governos brasileiros de cooperarem mais estreitamente, principalmente na esfera da segurança continental, que como nos mostra o episódio do ataque colombiano a uma base da FARC, tolerada em território equatoriano, pode se complicar, principalmente por que há na região uma incapacidade coletiva de impermeabilizar as fronteiras. Contudo, a América Latina e Caribe, se mantêm como assunto menor na pauta americana, com exceção do Brasil, por que no campo econômico, principalmente no campo da OMC, somos atores relevantes, não tão centrais como o MRE gostaria, mas sem duvida influente.

África

Na África o desafio está entre o discurso pró-direitos humanos e a práxis que deriva disso, sejamos claros, é muito fácil, ao lado de estrelas de Hollywood condenar os massacres de Darfur, mas e no campo das ações. Há problemas com campos de treinamento de terroristas na África e como estudamos aqui nesse blog existe a questão do crescimento da influência chinesa sobre o continente, com uma política consistente, pragmática e que vai além da simples ajuda humanitária. E há um problema adicional, a questão dos piratas somalis, não pelas ações em si, mas pela disputa pelo controle marítimo, temos a potencias regionais aspirantes a super-potencias Índia e China, potências européias e claro nações Árabes envoltas em esforços para combater piratas, que podem escalar por uma luta pelo controle da região ou por projeção de poder na região, rota importante de petroleiros para Ásia.
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Segundo dia da VII Semana de Relações Internacionais da UCB

Programação, se você estiver em Brasília.

Dia 19/05

Das 8h30 às 11h30

Segurança Institucional, Inteligência e Crise

Condutor dos trabalhos: Prof. MsC. Alexandre Martchenko (UCB)

I- Projeções internacionais da atuação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República – 8h30 às 9h15
Comandante Cunha Couto (GSI/SAEI)

II- Gerenciamento de crise nos âmbitos interno e internacional – 9h15 às 10h05
A Inteligência e a promoção da Defesa e Segurança Nacionais – 10h05 às 10h50
Ministro Macedo Soares (Gabinete de Crise do Palácio do Planalto)
Gabinete de Crise do Palácio do Planalto

III- Interação com o público – 10h50 às 11h30

Das 14h30 às 17h

Apresentações de trabalhos

Condução: Nesedi-UCB (Núcleo de Estudos em Segurança, Estratégia, Defesa e Inteligência da UCB)
Resp: Prof. MsC Alexandre Martchenko
Sala K-023
Bloco K, Campus I
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segunda-feira, 18 de maio de 2009

Há uma teoria brasileira das Relações Internacionais? Um ensaio sobre a análise das relações internacionais

Em meu ensaio “Análise das Relações Internacionais do Brasil, que caminho seguir?” (aqui) indiquei um texto que do conceituadíssimo professor Amado Luiz Cervo [CERVO, Amado Luiz. Política exterior e relações internacionais do Brasil: enfoque paradigmático. in Revista Brasileira de Política Internacional - RBPI, Brasília, v. 46, n. 2, Dec. 2003. Disponível aqui.].

A intenção inicial daquele ensaio era fazer uma análise da política externa brasileira e aquele ensaio acabou se convertendo em uma apologia da análise cientifica e metodológica das relações internacionais. Em oposição às análises “contaminadas” por assim dizer, que comumente proliferam na blogosfera e na mídia, tanto a chamada grande mídia, quanto na chamada mídia alternativa.

Ultimamente, aliás, desde que entrei na Universidade anos atrás ouço falar da existência ou não de uma teoria nacional das relações internacionais por uma mão, e por outra, é comum também se repetir incessantemente é que a disciplina é deveras dependente de manuais e materiais estrangeiros, especialmente anglo-saxões. Contudo não acho que seja essa segunda afirmação verdadeira, se compreendida quando ela dita como se isso fosse uma deficiência ou uma espécie de colonialismo intelectual. Quando na verdade creio que o acesso ao que há de ponta na pesquisa e na formulação teórica das relações internacionais é altamente benéfico aos estudantes brasileiros.

Isso por que esforços como o que o cito no primeiro parágrafo são cada vez mais comuns são esforços que criam uma corrente interpretativa nacional, mas cientifica, portanto não nacionalista. Embora, como sabemos a pesquisa nas relações internacionais é influenciada pela agenda externa do país. Não só de maneira direta como financiamentos específicos para pesquisas nesse ou naquele assunto primordial para a agenda de um país. Mas, também por que esses temas da agenda internacional repercutem na sociedade e despertam a curiosidade acadêmica dos pesquisadores. Assim não é de espantar que a literatura americana, por exemplo, tenha o poder (e as hipóteses de seu exercício), a governança global e fatores de segurança como temas recorrentes e centrais (não importa nesse contexto as correntes teóricas), e que a literatura brasileira seja bastante envolvida na questão da inserção nacional, qual caminho seguir, quais alternativas e explica também a atenção que questões relativas à governança por meio de organismos multilaterais.

Ou seja, a literatura brasileira, talvez pela alta presença e permeabilidade entre a academia e a chancelaria, se ocupa como nos ensina Amado Cervo, tem sua análise gestada nos gabinetes, como subsidio a tomadores de decisão. Eu vejo isso de uma maneira bastante positiva, pois a preocupação que as relações internacionais e sua comunidade epistemológica mantiveram com a realidade, afastou as relações internacionais de caminhos altamente ideológicos que outras ciências sociais tomaram no Brasil, assim se manteve cientifica.

Entendam não estou dizendo que as correntes interpretativas das relações internacionais aqui no Brasil, não tenham algum viés ideológico, entra no que chamo de axiologia do cientista social, mas a disciplina como um todo, conseguiu se manter plural, embora haja uma convergência, a chamada convergência neo-neo, na chamada fronteira do estado da arte. Ainda há muito que avançar em termos teóricos e analíticos.

O que digo é que há uma verdadeira corrente interpretativa brasileira das relações internacionais, que como na linguagem de Sombra Saraiva, entende que as teorias de abrangência universal, falham como meio explicativo, principalmente para países na posição do Brasil de potencia regional, e potencia econômica e ao mesmo tempo uma força militar apenas regional, ou seja, países que projetam poder de forma diferente a da prevista por essas teorias, contudo há conceitos nessas teorias que podem ser utilizados para produzir uma análise cientificamente bem fundamentada. Em especial vemos isso nos esforços ligados às correntes da história das relações internacionais, e nos esforços de analisar as relações econômicas internacionais, em especial as questões de comércio multilateral.

Não sei se podemos dizer que há uma teoria genuinamente nacional, mas ciência não é lugar para ufanismo, de querer o nacional pelo fato de ser nacional. Vejo que está em vias de se consolidar uma verdadeira escola brasileira, de analisar, pensar e teorizar relações internacionais, não por devaneios nacionalistas, mas por que há um crescimento quantitativo e qualitativo dos interessados no assunto, um aumento dos programas de formação de mestre e doutores (portanto, um aumento de pesquisadores e linhas de pesquisa) e um aumento da percepção das relações internacionais pela sociedade em geral. Talvez por que vivamos tempos em que o nosso esplendido isolamento está enfraquecido e setores diversos da nossa sociedade estão buscando a inserção internacional, não só pela velha via da posição vendida, mas cada vez mais a idéia de global player tem se tornado a cosmovisão que o Brasil tem de si mesmo, e que passa a projetar issa visão como “uma certa idéia” de Brasil, como dizia o Barão do Rio Branco.

Contudo, ações governamentais não são unânimes na sociedade como um todo e muito menos na academia, onde a liberdade de sondar as possibilidades sem a responsabilidade de ter que tomar a decisão cria cenários, que podem ser bastante úteis, assim sempre haverá grupos que apóiam ou rejeitam políticas levadas a cabo pelo governo, a única coisa que deve nortear essas avaliações a meu ver, é a idéia de decoro acadêmico, de respeito ao processo cientifico (sou um disco furado, mas fazer o que?).

Como disse acima não sei responder corretamente a pergunta que me fiz nesse título, e para falar a verdade, não tencionava o fazer. Proponho, uma vez mais, uma pergunta no intuito de provocar reflexão.
Posso dizer com segurança que há no Brasil uma crescente massa crítica em matérias internacionais, capaz de análises embasadas e pesquisas muito bem elaboradas. E que por vezes, se posiciona contra as posições da diplomacia brasileira, uma fato que às vezes é muito mau interpretado por figuras dentro do MRE, não são raros os arroubos quase coléricos (com classe devo admitir) do Ministro Amorim. Isso é um bom sinal, sinal de que a academia se mantém independente com lugar, (a menos deveria) para a pluralidade interpretativa. Mesmo que muitos “intelectuais” se alinhem automaticamente à esquerda e a partidos há ao menos no mundo das relações internacionais isso não tem se convertido na existência de uma “patrulha” acadêmica.

Cabe a nós nos manter na luta, acadêmica e profissional, para que o nível de nossas análises seja sempre crescente. No mercado privado isso aumenta o conhecimento acerca e o reconhecimento das capacidades dos bacharéis em relações internacionais, no setor público cria estratégias seguras e embasadas para identificar e alcançar os interesses nacionais e na academia cria a base na qual as duas primeiras funções se assentam. Assim, como repito diuturnamente nesse blog; deferência acadêmica, rigor analítico, convicção e capacidade de auto-análise (axiológica, não psicológica não sou qualificado para falar de psicologia), são essenciais em todos os caminhos das relações internacionais, seja como diplomata, professor, consultor, despachante aduaneiro ou até mesmo numa área que nada tenha de internacional. Muitos não vão entender essa ultima afirmação, futuramente, elaboro melhor.
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VII Semana de Relações Internacionais da UCB, programação de hoje

Reiterando o convite quem puder prestigiar minha querida “alma mater”, vá, há a possibilidade de conseguir certificação mesmo não sendo aluno da UCB, haverá uma lista lá para esse fim e os certificados serão disponibilizados da Direção do Curso de Relações Internacionais.

Programação de hoje 18/05

Das 8h30 às 11h30

Repercussões internas e internacionais do lançamento da Estratégia Nacional de Defesa

Condutor dos trabalhos: Profa. Dra. Tânia Manzur (UCB)

I- Abertura – 8h30 às 8h40 – Prof. MsC. Ricardo Spindola Mariz, Pró-Reitor de Graduação da UCB Discussão sobre a Estratégia Nacional de Defesa – aspectos internos (segurança pública, serviço militar, serviço civil, entre outros) e repercussões internacionais

II- Uma visão geral da END – 8h40 às 9h25
Coronel Celso Bueno da Fonseca (Min. da Defesa)

III- A END a partir da perspectiva estratégica – o trabalho da SAE – 9h25 às 10h10
Prof. Dr. Antonio Jorge Ramalho (SAE; UnB)

IV- Uma análise acadêmica da END, suas diretrizes básicas, implementação e repercussões internacionais – 10h10 às 10h55
Prof. Dr. Alcides Vaz (UnB)

V- Interação com o público – 10h55 às 11h30

Das 14h30 às 17h

Apresentações de trabalhos

Condução: Nesedi-UCB (Núcleo de Estudos em Segurança, Estratégia, Defesa e Inteligência da UCB)

Resp: Profa. Dra. Tereza Cristina França
Sala K-023
Bloco K, Campus I
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domingo, 17 de maio de 2009

Melhor que previ, graças a vocês

Queridos leitores,
Somente nesse mês de maio esse blog foi visitado por internautas de 60 cidades, em 10 países, a grande maioria dos visitantes são brasileiros entre as cidades a líder é a belíssima cidade maravilhosa.

Só posso agradecer a todos vocês. Escrever é uma paixão, mas tem horas, como hoje, devo admitir que parafraseando Mário de Andrade, cada ensaio tem uma gota de sangue.

Contudo, o estimulo de saber que sou lido (e a vaidade) me faz querer produzir sempre mais e sempre melhor, sempre acertando ou errando com convicção, sem arrogâncias em admitir erros e sem falsa modéstia para admitir sucessos, assim sou eu.

A grande verdade é que vocês meus leitores viraram minha “cachaça”, obrigado por lerem e se quiserem comentem.

Abraços,
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sexta-feira, 15 de maio de 2009

A meus leitores

Queridos leitores,

A essa altura vocês já sabem que sou colunista no Portal Mondo Post, Relações Internacionais de verdade! (link aqui). Por lá tentarei focar meus textos em assuntos ligados as negociações e aos negócios internacionais, assim os textos que publicarei lá não serão publicados aqui, para tentar diminuir a retundância.

A primeira parte de um ensaio que escrevi intitulado: Negociação, uma atividade multidisciplinar foi publicada hoje.

Peço a vocês para prestigiarem essa excelente iniciativa de divulgação e debate das relações internacionais que é o portal Mondo Post que nas palavras de seu idealizador:

"[...] é uma iniciativa de graduados em Relações Internacionais, que, após muita procura, não conseguiram encontrar um site voltado especialmente para estudantes e profissionais de RI.

Uma das coisas que assola o curso, é a crença de que falta oportunidade de trabalho e o pouco conhecimento (por parte das empresas) sobre as capacidades dos internacionalistas. A maioria dos formados seguem carreiras diferentes daquelas imaginadas incialmente. Acreditamos que não existe falta de oportunidades, mas sim de comunicação. O Mondo surgiu como resposta a esse problema.

Ainda que publicaremos periódicos e artigos acadêmicos, esse não é exatamente nosso foco. Nossa missão é levar conteúdo de qualidade (inclusive discussões polêmicas) para nossos leitores, com artigos e notícias selecionadas de toda web brasileira e internacional, além de textos exclusivos com colaboradores convidados mostrando como as RI funcionam na prática."

PS: Ah! E perdão pelos erros de português que escapam, realmente tento me aprimorar, mas tem horas que meu processo de revisão falha.
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Parabéns a uma amiga minha e das Relações Internacionais

Gostaria aqui em público parabenizar minha querida amiga Carolina Valente, Sócia-Diretora, da Pacta Consultoria, colega de Universidade e principalmente colega de Instituto Mundial para as Relações Internacionais (IR. wi), que foi re-eleita Diretora de Relações Internacionais da Confederação Nacional de Jovens Empresários – CONAJE.

A CONAJE é um movimento associativista, que congrega mais de 20.000 membros em todo o País. A presidência da próxima gestão estará a cargo de Eduardo Machado, do movimento do Rio de Janeiro. Aproveito para pabenizar outro amigo Marcelo Azevedo dos Santos, que fez um excelente trabalho a frente da CONAJE no ultimo ano.

Carolina Valente, além de uma grande amiga, como já disse é uma das pessoas que como eu tomaram para si a tarefa de empreender no ramo das relações internacionais, além de novamente como eu ter tomado como tarefa pessoal a promoção do curso e das capacidades dos seus egressos. Principalmente no mercado chamado privado ou empresarial onde lidamos diariamente.

Meus sinceros votos de sucesso.
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Sobre o meu post do 13 de maio

Quando escrevi aquele post ainda não havia lido as noticias do dia e infelizmente tudo o que escrevi foi provado, triste evidencia empírica, como gostaria de estar errado. Mas já disse em outro post não vivemos no mundo do se, mas no mundo do que é.

Eu tenho como premissa não fazer clipping de notícias nesse blog. Nesse espaço acredito que meu dever (auto-imposto) é de criar e analisar. Escrevo meus pontos de vista, aqui, mas esse episódio que descreverei me fez quebrar essa regra minha.

A notícia que transcrevo em parte é do portal G1 e lá há o vídeo que mostra o lamentável incidente:

"Uma comissão da Câmara voltou a discutir o projeto que prevê cotas para negros em vários setores da sociedade. 

Em vez de votação, muita confusão. O deputado Carlos Santana (PT-RJ), presidente da comissão que analisa o Estatuto da Igualdade, se exaltou porque um assessor ajudava parlamentares contrários ao projeto a evitar que ele fosse aprovado. 

Gostaria que o nobre assessor se retirasse da bancada. Para minha tristeza, é um negro”, declarou Carlos Santana. " Continua aqui.

Entenderam agora o que quis dizer? Por isso me orgulho de ser LIVRE. Um cidadão livre e que como disse no post abaixo acerto ou erro com convicção. 

Não consigo conter a tristeza que me toma ao ver e comprovar que mesmo os que se arrogam a defesa da igualdade, não hesitam em suprimi-la. Sempre em nome de belas causas. É como se cor da pele ou orientação sexual fossem categorias de pensamento, ideologia ou até mesmo uma religião que exige de seus membros um respeito e uma obediência dogmática.

Repito, posso não ser relevante no grande esquema das coisas, mas nem por isso deixo de abraçar, defender e proteger minha liberdade. 

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Acerte ou erre com convicção

Todos nós em alguma etapa de nossa formação acadêmica tivemos um professor especial, capaz de nos inspirar e que com o qual a relação aluno-professor, migrou para um patamar de amizade, com a admiração ainda forte, aquela admiração que nutrimos por nossos mestres, que nos remete a verdadeira academia (Aquela mesmo da Grécia Antiga, contudo, ressalvo sem certos aspectos peculiares àquela cultura, àquele tempo, pelo menos no meu caso, deixo claro). Nesse sentido fui abençoado, em meus anos de graduação, pois tive essa conexão com vários dos meus professores, ouso dizer que com 95% deles. E olha que não era um aluno fácil de lidar.

Hoje me lembrei de um desses mestres, que muito me ensinou, acho que ele ficará muito surpreso com o que escreverei, quem entre meus leitores tiver estudado na Católica de Brasília, pelo título, sabe de quem eu falo. O Professor de economia Francisco Amilton Wollmann. Lembrei-me dele e dessa frase que serve de titulo que é praticamente um bordão de suas aulas.

Como resultado marginal das aulas do Wollmann ele me ensinou duas coisas que me servem muito na vida profissional (além do conteúdo de sala de aula obviamente, um dos meus orgulhos acadêmicos é ter conseguido aprovação com nota 9,0 em Macroeconomia com ele, por que se tem uma palavra que define o método de avaliação desse professor é a palavra rigor), essas duas lições derivam dessa frase que intitula esse texto.

Convicção nos leva a ser assertivos, a conseguir nos expressarmos com clareza, sem rodeios, sem subterfúgios, convicção nos dá autoconfiança. E isso é tão importante. Muito novo me vi envolvido em mesas de reuniões que sem uma dose saudável de autoconfiança não teria me saído bem, teria me retraído, não teria negociado, teria concordado com tudo. É fato que essa autoconfiança pode ser confundida com arrogância, petulância ou teimosia, e cá entre nós, muitos me acusam dessas coisas. Tenho convicção que há muitos que não gostam de mim, pela firmeza com que defendo pontos de vista em debates, friso debates, negociações e debates são coisas diferentes, há quem confunda. Há quem negocie pra defender uma tese e não para conseguir um acordo, mas isso não é o assunto.

Pois bem, nessa primeira acepção que fiz da frase do professor, um tanto literal, passei a eliminar do meu vocabulário a expressão “eu acho”, troquei por expressões que denotavam menos dúvidas e mais clareza de pensamento, o “eu acho” denota, para mim pelo menos, um pensamento raso. Não que eu tenha me abstido de perguntar e de procurar entender o que não sabia, não me tornei arrogante (mesmo com muita gente achando que sou), mas passei a verbalizar minhas dúvidas de maneira clara, objetiva.

Pois bem, tenho feito muitos textos sobre reflexões teóricas, meta-teóricas ou analíticas nesse blog, considero esse o lócus perfeito para esse tipo de escrita, e isso tem me obrigado obviamente a refletir bastante antes mesmo de abrir o Word, e ler bastante, e esse ler bastante é o conectivo que preciso pra chegar a uma segunda elucubração sobre essa convicção apregoada pelo Professor Wollamann, que é sua rima preparação.

Só se pode ter convicção se você está preparado, se leu, se refletiu, se tem o que se vai falar ou escrever claro na sua cabeça. E com esse esforço para refletir fez ainda mais sentido a frase bordão do velho professor (que por tabela corrobora um texto meu anterior, aqui), em se tratando de ciência se acerta ou erra com convicção.


Ou se acerta por que sua pesquisa e seus métodos foram corretos e suas conclusões lógicas e embasadas ou se erra por que algo na sua pesquisa falhou em abrangência, ou em método, ou em lógica.

Recebi críticas duras, contudo feitas com uma análise construtiva, outro dia, com relação ao meu post sobre guerra assimétrica e terrorismo (aqui), mas por que procurei fazer ciência errei com convicção. No ponto de vista do meu crítico, errei no trato que dei ao assunto e na maneira como abordei, nas ressalvas que julguei necessárias, além de supostos erros em minha tipologia, ele sustentou essas críticas com sugestão de bibliografias, ou seja, posso ter errado, mas como usei o método e as melhores fontes que dispunha errei com convicção. Errei o erro dos cientistas, e graças ao bom Deus, não errei por achismo. E graças, também, com certeza ao meu velho mestre.

Assim repasso a vocês o mesmo ensinamento, o mesmo chamado e o mesmo presente acadêmico que recebi ainda nos primeiros dias de universidade: abandonem o achismo (isso se algum de vocês age assim) sejam claros, objetivos, simples, como um poema de Bandeira. Sejam preparados (reitero sejam lidos, cultos e estudados, isso é o que significa ser preparado) e confiantes. Acertem ou errem com convicção.

Acertem ou errem com convicção!









[Meus queridos outros professores que porventura sejam meus leitores saibam que todos foram importantes desde a primeira a “Tia Dina” que me ensinou a ler, a meus orientadores que tiveram paciência de Jó comigo. E como disse ontem a outro ex-professor o Márcio Coimbra, sou abusado, uma vez meu professor assim considero pelo resto dos tempos]
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Evento: VII Semana de Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília

Meus queridos leitores, os que dentre vocês estiverem em Brasília, divulgo aqui um evento da minha querida “alma mater” UCB, esse evento é intitulado: Segurança, Estratégia, Defesa e Inteligência. Será realizado entre os dias 18 a 20 de maio, no Auditório Central do Campus I da Universidade Católica de Brasília em Águas Claras, Taguatinga.

Programação:

Dia 18/05.

Das 8h30 às 11h30

Repercussões internas e internacionais do lançamento da Estratégia Nacional de Defesa

Condutor dos trabalhos: Profa. Dra. Tânia Manzur (UCB)

I- Abertura – 8h30 às 8h40 – Prof. MsC. Ricardo Spindola Mariz, Pró-Reitor de Graduação da UCB Discussão sobre a Estratégia Nacional de Defesa – aspectos internos (segurança pública, serviço militar, serviço civil, entre outros) e repercussões internacionais

II- Uma visão geral da END – 8h40 às 9h25
Coronel Celso Bueno da Fonseca (Min. da Defesa)

III- A END a partir da perspectiva estratégica – o trabalho da SAE – 9h25 às 10h10
Prof. Dr. Antonio Jorge Ramalho (SAE; UnB)

IV- Uma análise acadêmica da END, suas diretrizes básicas, implementação e repercussões internacionais – 10h10 às 10h55
Prof. Dr. Alcides Vaz (UnB)

V- Interação com o público – 10h55 às 11h30

Das 14h30 às 17h

Apresentações de trabalhos

Condução: Nesedi-UCB (Núcleo de Estudos em Segurança, Estratégia, Defesa e Inteligência da UCB)

Resp: Profa. Dra. Tereza Cristina França
Sala K-023
Bloco K, Campus I

Dia 19/05

Das 8h30 às 11h30

Segurança Institucional, Inteligência e Crise

Condutor dos trabalhos: Prof. MsC. Alexandre Martchenko (UCB)

I- Projeções internacionais da atuação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República – 8h30 às 9h15
Comandante Cunha Couto (GSI/SAEI)

II- Gerenciamento de crise nos âmbitos interno e internacional – 9h15 às 10h05
A Inteligência e a promoção da Defesa e Segurança Nacionais – 10h05 às 10h50
Ministro Macedo Soares (Gabinete de Crise do Palácio do Planalto)
Gabinete de Crise do Palácio do Planalto

III- Interação com o público – 10h50 às 11h30

Das 14h30 às 17h

Apresentações de trabalhos

Condução: Nesedi-UCB (Núcleo de Estudos em Segurança, Estratégia, Defesa e Inteligência da UCB)
Resp: Prof. MsC Alexandre Martchenko
Sala K-023
Bloco K, Campus I

Dia 20/05.

Das 8h30 às 11h30

Novos Temas da Segurança Internacional

Condutor dos trabalhos: Prof. Dr. Egídio Lessinger (UCB)

I- Repercussões internacionais da Defesa e da Segurança na Amazônia – 8h30 às 10h General Augusto Heleno Ribeiro Pereira (Diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército)

II- Segurança ambiental no Brasil–– 10h05 às 10h45
Prof. Dr. Genebaldo Freire (UCB)

III- Comentários, debate e interação com o público sobre os temas desenvolvidos. 10h45 às 11h15

IV- Encerramento dos trabalhos – 11h15 às 11h30

Das 14h30 às 17h

Apresentações de trabalhos

Condução: Nesedi-UCB (Núcleo de Estudos em Segurança, Estratégia, Defesa e Inteligência da UCB), juntamente com o Núcleo de Estudos em Segurança da UnB
Resp: Prof. MsC Juliano Cortinhas
Sala A-201 – Bloco A, Campus I

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quarta-feira, 13 de maio de 2009

13 de maio, mas onde está a liberdade?

O laureado escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez em seu excelente livro “Cem anos de solidão”, no qual o autor nos conta a peculiar e particularmente trágica saga da estirpe dos Buendía, na sua ficcional e pitoresca cidade de Macondo, narra a certa altura a epifania da personagem, Aureliano Buendía, então coronel de uma força rebelde comunista, que decide encerrar o conflito no qual está imerso e durante esse processo constata o narrador:

“Nunca foi melhor guerreiro do que então. A certeza que finalmente lutava pela própria libertação e não por ideais abstratos, por ordens que os políticos podiam virar para o direito e para o avesso segundo as circunstâncias, infundiu-lhe um entusiasmo apaixonado” (MARQUEZ, p. 167)

E hoje é um dia propício para falar de liberdade, mas fique tranqüilo meu leitor, não lançarei aventuras filosóficas sobre a natureza da liberdade, nem sobre fatores sistêmicos que aumentam ou restringem a liberdade, ou qualquer dessas coisas, tampouco farei referências a pílulas vermelhas e azuis, ou abrir os horizontes da consciência para obter a liberdade, enfim fiquem tranqüilos ao ler, pois não virei o que se chama por ai de “bicho-grilo”.

Sim, meus leitores eu sou descendentes de negros, afro-descendente, como está na moda, carrego essa herança na pele, e na pele, também estampo o resto da minha vasta herança étnica, afinal como a maioria absoluta dos brasileiros eu sou o que se chama de mestiço, já me chamaram de pardo, mas na boa, pardo é papel.


Não tenho vergonha de minhas origens negras, tenho plena consciência das duríssimas dificuldades que meus antepassados passaram, conheço a dificuldade interna em uma família branca que se mesclou e o tipo de sentimentos baixos e nobres que despertam dessa mistura.

Gosto de me declarar negro, por que já tentaram que me sentisse inibido de fazer isso, como se houvesse algo de errado com a quantidade de melanina na pele de alguém. Muita gente não entende o porquê da ênfase que muitos dão ao orgulho negro, mas a meu ver e no meu sentimento o orgulho de ser negro nasce como uma reação aos que tentam menosprezar alguém por sua cor, é um movimento que não nasce de desejo de supremacia, mas de um desejo de normalidade.

Entendam não estou trazendo esse assunto ao blog, por que eu seja um ativista da causa negra (coisa que eu não sou), ainda mais por que não acredito em uma causa negra uniforme, não acredito em separar as pessoas em grupos. Se existe uma causa é a causa de toda a sociedade, por que quer queiramos ou não nossos destinos estão entrelaçados, então é lógico e claro que superar as barreiras artificiais que separam as pessoas em categorias por motivos étnicos é um passo necessário para vivermos melhores e sei lá perseguirmos cada um seu caminho para a felicidade. Acredito que a forma para equilibrar as relações raciais passam necessariamente por coisas simples (e ao mesmo tempo complexas de implementar) como treinamento em negócios, crédito, empreendedorismo e educação (e claro valores familiares, que quebrem certos ciclos viciosos, sim acredito em valores familiares, não escondo que sou católico), embora o ponto aqui não seja esse.

Estudando as relações internacionais vemos que essa insanidade étnica e/ou racial, só pode terminar em tragédia, mais ódio, mais preconceito, nunca menos. O caminho para harmonia social exige esforço coletivo e sobretudo individual, e me parece que nos dias de hoje, não sei o motivo, as pessoas andam avessas a tudo que exige sacrifícios pessoais.

Não foram poucas as vezes que debati com integrantes dos movimentos negros, que na minha concepção são movimentos políticos com agendas políticas, onde a componente racial é só a tática escolhida para alcançar os objetivos políticos normais (poder, não condeno a busca pelo poder, mas como já disse racialismo é algo perigoso e raramente termina bem, seja em Ruanda ou no III Reich),por sinal sou sempre cético no que tange a belos discursos, procuro ver além das palavras por que por vezes as intenções e conseqüências dessas idéias nobres são mortíferas, um exemplo: liberdade, igualdade e fraternidade, quantos cederam suas vidas por conta da revolução francesa? Quantas mães esposas, esposos, filhos, filhas, netos, netas, choraram por conta de nobres palavras de conseqüências desastrosas? Justiça social, então quantos morreram em nome dessa suposta causa? E quanta injustiça a busca por ela incentivou?

A liberdade ainda não é uma garantia, um direito fundamental, em nossa sociedade, quantos são os que por vontade de ter uma vida melhor pra si e seus filhos acabam por trabalhar em condições análogas a escravidão? Quantos imigrantes (bolivianos, chineses e etc.) vivem em condições precárias em nossas cidades?

Quantos se deixam escravizar? Se deixam patrulhar intelectualmente? Temem ir contra a maré? Defendem pontos de vista que não são os seus? E por que? Muitos o fazem para fazer parte de um grupo, para sentirem o pertencimento. Não ouso me deixar patrulhar, não abro mão do pensamento livre, assim honro o sacrifício de tantos no passado, a dor dos escravizados, por isso respeito e reverencio as liberdades individuais, não podemos nunca mais tolerar a escravidão, seja na forma do trabalho servil obrigado, seja vivendo vidas patrulhadas, seja sendo escravos de governos e regimes de exceção, não importa o lado do espectro político, ambos escravizam. E há ainda outra forma de escravidão mental, que são os vícios.

Portanto, independente do estado das relações raciais no Brasil, aproveitemos o dia de hoje, para pensar mais alto, para pensar em como e se somos livres e como obter e manter essa liberdade. Não há dom maior na vida humana que o dom de ser livre, ser livre até mesmo pra ser estúpido. E no meu ponto de vista, devemos sempre cultuar a liberdade, sempre com olhos abertos para os avanços do totalitarismo, temos que ter ciência e inteligência para não permitir que as liberdades individuais sejam solapadas não obstante a desculpa usada para isso, devemos ter cuidado redobrado com as desculpas nobres, não é a toa que dizem que o inferno está cheio de boas intenções.

Assim meus leitores não importa que etinia vocês tenham que cor de pele vocês tenham, qual seja sua nacionalidade, o que importa é o conteúdo do caráter, (todos reconhecem essa referência) quem sabe chegaremos a esse dia, um passo de cada vez, sem radicalismo e sem delírios de raça, (entre os quais o pior deles é o da pureza) sejamos humanos e quem sabe um dia teremos relações raciais equilibradas, e assim deixarão de ser bandeiras pra nos dividir, sob palavras de união.

Imagino que vou irritar muita gente com esse texto, mas sou LIVRE, para pensar e sou grandinho para suportar desavenças civilizadas.

Sou livre, graças a Deus. Como diz o velho Negro Espiritual: [retirado de "American Negro Songs" by J. W. Work]

Free at last, free at last

I thank God I'm free at last

Free at last, free at last

I thank God I'm free at last

Way down yonder in the graveyard walk

I thank God I'm free at last

Me and my Jesus going to meet and talk

I thank God I'm free at last

On my knees when the light pass'd by

I thank God I'm free at last

Tho't my soul would rise and fly

I thank God I'm free at last


Some of these mornings, bright and fair

I thank God I'm free at last

Goin' meet King Jesus in the air

I thank God I'm free at last

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