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Oportunidade: Curso de extensão em gestão de cooperação internacional, PUC-GO

rafaelbrasasUma excelente oportunidade para os interessados em saber mais sobre a gestão da cooperação internacional que é o curso de extensão: “Fundamentos da Cooperação Internacional Descentralizada”. O curso é capitaneado e idealizado pelo meu amigo e companheiro de vários empreendimentos profissionais, Rafael Duarte. Que é além de professor generoso, uma pessoa com bastante experiência prática nesse assunto.

Abaixo transcrevo as informações disponíveis no site da PUC-GO.

FUNDAMENTOS DE GESTÃO DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL DESCENTRALIZADA

Professor:

Rafael Pinto Duarte

Graduação: Bacharel em Relações Internacionais

Pós- Graduação:  Mestre em Desenvolvimento Sustentável

Objetivos Geral:

Proporcionar aos estudantes e egressos de Relações Internacionais da PUC-GO o aperfeiçoamento profissional na área de cooperação internacional.

Objetivos específicos:

- Analisar as oportunidades da cooperação internacional como atividade profissional das Relações Internacionais

- Discutir as oportunidades da cooperação internacional descentralizada para o desenvolvimento da região de Goiânia;

- Simular atividades de elaboração e gestão de projetos por resultados.

Conteúdo Programático:

- Fundamentos da Cooperação Internacional

para o Desenvolvimento

- Tipologia da Cooperação Internacional

- O Sistema de Cooperação Internacional:

Do pós-guerra ao século XXI

- Os desafios do Desenvolvimento Internacional:

Economia, Saúde, Meio Ambiente e Direitos Humanos

- Introdução à gestão de Projetos por Resultados

- Laboratório de elaboração e avaliação de projetos

- Avaliação e encerramento

  Metodologia:

  A metodologia do curso segue os princípios da Andragogia ou educação para adultos, criada por Malcolm Knowles na década de 1970 e amplamente utilizado pela Escola Nacional de Administração Pública. Seus princípios são necessidade de saber, autoconceito do aprendiz, papel das experiências, prontidão para aprender, orientação para aprendizagem e motivação.

  A base de aprendizagem será a articulação entre o conteúdo estudado nas disciplinas regulares do curso e os elementos adicionais apresentados por esta proposta de extensão. A simulação de atividades profissionais em Cooperação Internacional seguirá o modelo 70:20:10 de aprendizagem e aperfeiçoamento profissional apresentado por ichael M. Lombardo e Robert W. Eichinger em 1996 . Segundo o modelo, o aprendizado humano no mundo corporativo se divide em 3 bases: 70% provenientes da própria experiência, 20% vêm do relacionamento interpessoal e 10% são derivados da educação formal.

   Em síntese, os trabalhos em sala de aula serão orientados por perguntas e não pela simples entrega do conteúdo. O conhecimento será construído pelo grupo a partir da aliança entre conceitos e práticas experimentais, fazendo com que o trabalho dos professores seja o de facilitadores do aprendizado.

Público-Alvo: Acadêmicos e profissionais de Relações Internacionais, Contabilidade, Administração Economia e interessados.

Carga Horária: 20 horas

Vagas: 15

Local:

Horário: sábado das   9h às 15h

Cronograma: Programado para 2015/1

Investimento: R$ 326,70  (à vista) e R$ 363,00  (Parcelado)

Lembre-se de solicitar no caixa do banco o desconto de 10% para pagamento à vista.

Matrículas até: Prevista para fevereiro/2015

Área do Conhecimento: Relações Internacionais, Bilaterais e Multilaterais

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Stratfor: Red Alert: Rocket Fire Could Signal New Offensive on Mariupol

ukraine-mariupol_0Analysis

Reports of heavy rocket artillery firing on the eastern parts of the city of Mariupol, Ukraine, as well as a statement made by a separatist leader, indicate the potential preparation of an offensive on the city. While this would be a significant escalation and an indicator of Russian intent to push further into Ukraine, potentially forming a much-rumored land connection to the northern border of Crimea, there are also several indicators required for such an offensive that are currently still missing.

Reports of heavy rocket artillery firing on the eastern parts of the city of Mariupol have been widely reported, with the death toll rising to 27 people. Mariupol has been shelled in the past, notably in early September, but as the cease-fire took affect separatist forces generally conducted attacks only outside of the city. It is not clear whether this is simply an intensification of relatively static fighting along the front between Russian and pro-Russian forces on the one side, and Ukrainians, or the beginning of a Russian-led offensive to widen the pocket, or the opening move in a broader strategic offensive to link up with Crimea, 200 miles to the west of the pocket.

The widespread use of Grad Multiple Launch Rocket Systems indicates that this is a planned action with significant logistical support that it involves extensive use of Russian troops, though Grad fire has been widely used throughout the conflict. There have been indications that Russian forces, including Russian Marines, have moved into the eastern Ukraine pocket controlled by pro-Russian forces, giving the Russians offensive options. Heavy artillery preparations frequently precede Russian attacks, particularly by concentrated MLRS attack. Given the amount of munitions needed to supply concentrated fire, the Russians tend not to use them casually. The presence of Grad missiles indicates the possibility of artillery preparation for a broader offensive.

The attack comes days after the Russian forces secured the Donetsk Airport, important in defending the right flank of any offensive westward. It also comes days after Lt. Gen. Ben Hodges, commander of U.S. Army forces in Europe, came to Ukraine and publicly announced that a small number of U.S. Army trainers would be arriving in Ukraine. While any large-scale offensive would have been considered and planned for much longer, the decision of the United States to send Lt. Gen. Hodges could have affected the dynamic of internal Russian calculations.ukraine_ceasefire (1)

In any event, we do not yet know Russia’s strategic intentions. This could simply be an attempt to signal the danger Russia could pose to their negotiating partners in the west. It could be an attempt to extend the pocket they hold modestly. It could, finally, be the opening of an offensive toward Crimea.

The Russian position in Crimea is untenable. Crimea is easily isolated should Ukranian forces strengthen or Western forces get involved. Russia holds Crimea only to the extent that the West chooses not to intervene, or to the extent that it extends a relatively wide and robustly defended land bridge from Russia to the Crimea. Crimea and the Sevastapol naval facilities are of strategic importance to Russia and the decision to hold these facilities but not extend their power makes diplomatic sense, though it is not militarily rational. Either Russia can build the geographical structure to support Crimea, or it becomes a permanent weak point in the Russian position. The Russians do not want a massive confrontation with the West at a time of economic dysfunction, yet at the same time, having made the decision to hold Crimea, they will not have a better moment for consolidation.

This is an ongoing conversation in Moscow. It is not clear that it is over. The artillery may simply be a minor probe or it could be the preface to an assault. We know that there has been a significant increase in Russian presence in the pocket, but it does not seem to us that the Russians are logistically ready for a major offensive yet.

Taking Mariupol is a first step to a broader offensive. It is also an end in itself, anchoring the southern flank in the city, though may not even be that. However, the MLRS barrages on Mariupol open the door to multiple avenues of exploitation and have clearly moved the fighting to a new level, not so much in intensity, but in raising serious questions of strategic intention.

"Red Alert: Rocket Fire Could Signal New Offensive on Mariupol is republished with permission of Stratfor."
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Migração Cuba e EUA: Uma breve resposta.

obama-castroNão gosto de escrever para rebater o que outros escrevem, não sou ombudsman de ninguém e nem gosto da polêmica como mecanismo de aumento de audiência, mas vez ou outra lemos algo que não conseguimos não escrever sobre. E o que me motivou foi um texto do blog Outrofobia. O texto curtinho afirma em tom sério que a culpa pelos cubanos se lançarem ao mar é da política americana de garantir a permanência de quem conseguir chegar a sua costa. O autor chama essa política de asilo automático de política imigratória de “canalha & assassina” por que estimularia populações pobres a buscarem a vida nos Estados Unidos.

Claro, como a nota é curta o autor fez um link para um texto de uma revista cubana que alonga a lógica que motivou a nota, que é um desdobramento dos velhos argumentos sobre a pobreza cubana ser fruto do embargo dos EUA e o estimulo a emigração dado pela lei seria uma ferramenta na guerra propagandista.

Ninguém fala na vontade dos indivíduos de progredirem materialmente em outro país ou de poder viver num lugar que sua vida não seja regida por um regime totalitário. É claro que os balseiros se arriscam muito e isso nos mostra que os motivos de sua saída são fortes e não seria uma lei mais draconiana por parte dos EUA que os dissuadiria de emigrar, basta ver os riscos que emigrantes latinos, sobretudo mexicanos correm para atravessar a desértica fronteira entre EUA e México, tudo isso pela chance de construir uma vida melhor.

A receita é simples (e mesmo assim não podia ser mais complexa) você quer evitar que seus cidadãos emigrem em números relevantes, promova o crescimento econômico e a oferta de empregos, facilidades pra empreender, ou seja, melhore o que se chama de ambiente de negócios.

Mas, é tão mais fácil colocar a culpa no outro, na política migratória, do que explorar a miríade de motivações individuais que criam um fluxo migratório. O discurso de demonizar essa espécie de fronteiras abertas é ignorar a luta de diversas organizações humanitárias que defendem fronteiras mais abertas e mais dignidade para os migrantes.

Ao ler esse texto e sua romântica e ineficaz defesa do mito cubano diante da realidade da fuga de milhares de cidadãos foi inevitável lembrar de um trecho de uma velha canção de música sertaneja/romântica: “Vou negando as aparências, disfarçando as evidências”.

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Charlie Hebdo: Algumas impressões sobre o cenário político e os desafios do combate ao terror

lideresO ataque ao Charlie Hebdo, no coração de uma grande capital europeia e um dos maiores destinos turísticos do mundo teve grande repercussão, como era previsível. A ampla cobertura dos meios de comunicação acabou por ensejar um acalorado debate sobre a natureza desse tipo de ataque terrorista, suas causas e o que falhou na tentativa de impedir a radicalização desses jovens. Uma boa parte do debate se deu em torno de ser ou não ser Charlie, ou seja, sobre os limites (se existirem) da liberdade de expressão, esse debate é sedutor, mas também um tanto fora do ponto.

Meu bom amigo e tremendo analista Márcio Coimbra encontrou um ângulo bem interessante pra analisar os caminhos da Europa diante de reiterados ataques terroristas, do qual reproduzo alguns trechos abaixo:

“Os desdobramentos dos atentados em Paris ocorrerão em breve em meio a movimentos políticos. A Europa já fala em endurecer leis antiterror, controle de viajantes e de imigrantes. Se tudo correr neste sentido, veremos um enfraquecimento das premissas do concerto europeu, que possui na livre circulação um de seus pilares mais importantes. Partidos que defendem posições mais radicais, nacionalistas e isolacionistas, tendem a crescer nas próximas eleições, seja pelo caminho da direita ou da esquerda. E aqui está o equívoco que pode se agravar: os erros das políticas públicas do passado pavimentaram as consequências graves que vivemos e sugerem soluções equivocadas para o futuro.

A Europa como conhecemos é um retrato de políticas de bem estar social implementadas após a Segunda Guerra Mundial. Estes movimentos tiveram o intuito de reconstruir e trazer paz a um continente devastado pelo conflito. A construção da União Européia, integrando as economias, as políticas, o comércio, liberando a circulação de pessoas, tinha como objetivo alcançar uma aproximação entre as diferentes nações e culturas, evitando assim o surgimento de nacionalismos radicais e tendências expansionistas, responsáveis pelas guerras vividas pelo continente.

Entretanto, a Europa cometeu um grande erro: a manutenção do estado de bem estar social diante de uma crescente onda de imigração. Os benefícios sociais europeus, quando concedidos aos imigrantes, evitam com que estes se integrem em sua nova sociedade, favorecendo a criação de guetos. O Brasil, exemplo mais bem acabado de integração imigratória no mundo, soube fazer com que seus imigrantes se tornassem brasileiros mediante a ausência de mecanismos de bem estar social, assim como ocorreu nos Estados Unidos. Os imigrantes, tanto no norte, quanto no sul da América, tornaram-se empreendedores, deslocaram-se pelo território nacional em busca de emprego, e assim passaram a fazer parte da nova nação que escolheram para si.

O que a Europa precisa neste momento é de mais liberdade, ao contrário das primeiras soluções anunciadas. Não é preciso restringir a imigração, mas simplesmente terminar com as políticas paternalistas que evitam com que os imigrantes se integrem em suas sociedades. Hoje, os atentados já são cometidos por cidadãos nacionais, filhos de imigrantes, mas nascidos e criados na Europa, entretanto, incapazes de internalizarem os costumes, hábitos e cultura de seu novo país.”

Esse não é o ponto mais popular, afinal estamos acostumados a chamar a rede de proteção social de direito e retirar direitos tem peso político enorme. Aliás, a Europa parece caminhar pela via da restrição a imigração e dificultar a circulação de pessoas. As manobras políticas para isso já estão em curso como nos mostra o Francisco Seixas da Costa desde sua ótica de ex-diplomata português:

“A França sempre deixou claro que tinha "une certaine idée de l'Europe". Hoje, em Paris, à margem da manifestação contra o terrorismo, o ministro francês do Interior convocou uma reunião com colegas europeus. No final, com pompa e circunstância, foi anunciada a disposição de avançar para medidas de reforço dos controlos no espaço europeu, por forma a evitar eventos como os que agora tanto preocupam as pessoas.

Quem eram os países representados na reunião de Paris? Apenas os "grandes" e alguns que se esforçam por parecer sê-lo. A senhora ministra da Administração Interna portuguesa foi convidada? Não creio. Manifestou o seu desagrado? Estamos ainda para saber, mas eu apostaria dobrado contra singelo em como não o fez. A lógica do "diretório" é hoje aceite sob o silêncio de Lisboa.

Esta é a Europa que alguns andam a "construir".”

Aqui temos o grande desafio dos líderes europeus que devem responder aos anseios por medidas concretas de segurança de seus eleitores e assim evitar que os partidos de extrema-esquerda e extrema-direita explorem o imobilismo para aumentar sua influência e ao mesmo tempo preservar algum tipo de equilíbrio nas decisões continentais que não aliene os estados menores e fortemente antingidos pela crise econômica iniciada em 2008. E para complicar mais um pouquinho é preciso agir urgentemente na prevenção da radicalização, que tem um discurso sedutor nos guetos que nos fala Márcio Coimbra, mas não só lá como no sistema prisional, também.

A manifestação de ontem em Paris, nos mostra que ainda há apoio massivo aos ideais democráticos de liberdades civis e individuais tão desprezadas pelas almas totalitárias sejam muçulmanas, cristãs ou ateias. E em meio a tanto sangue e desentendimento é uma notícia sensacional. Mas, continua a Europa numa encruzilhada de caminhos difíceis e não consigo me livrar do sentimento que temos ‘Neville Chamberlain’s’ demais e Churchill’s de menos.

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Notas parisienses por Francisco Seixas da Costa

cartoon3_3157431cFrancisco Seixas da Costa nos brinda com uma análise sóbria sobre o ataque terrorista, de ontem, em Paris. Vários elementos que ele aborda estão presentes em minhas próprias análises aqui publicadas. Abaixo o texto, copiado com autorização do autor, cujo original pode ser lido aqui.

Notas parisienses

Por Francisco Seixas da Costa

1. Nunca fui um leitor regular do "Charlie Hebdo", mas reconheço a genialidade do seu traço e, embora nem sempre concordando com a crueldade crítica que utilizava, quero afirmar que felizes são os países onde pode publicar-se um jornal deste tipo. Em Portugal, um "Charlie Hebdo" não seria aniquilado pelas balas do terrorismo, mas por uma imensidão de processos judiciais e perseguições de outra ordem. Ter um "Charlie Hebdo", como ter um "Canard Enchainé" ou um "Private Eye" no Reino Unido, glorifica um país em matéria de liberdade de imprensa. Ver desaparecer Wolinski (cuja "especialidade" nem sequer eram, a meu ver, os cartoons políticos) é assistir à saída de cena de alguém que faz parte da memória da minha geração. Hoje é um dia triste.

2. Como o meu colega e sucessor em Paris, José Filipe Moraes Cabral, há horas sublinhou nas televisões, o corajoso papel assumido pela França (e praticamente por mais ninguém) na luta anti-terrorista no Sahel, bem como a sua aberta cooperação no combate ao "Estado Islâmico", expõe mais o país a retaliações desta natureza. É o preço da responsabilidade demonstrada por um grande Estado. Qualquer que seja a avaliação que se faça da política interna de Hollande, há que elogiar o seu forte empenhamento em matéria de segurança, demonstrado à escala global, não obstante as fortes condicionantes orçamentais que o país atualmente sofre. 

3. A França é um país que tem anterior experiência de atentados terroristas com origem no islamismo radical, embora nenhum deles com esta expressão quantitativa em matéria de vítimas. Porém, no passado, a esmagadora maioria dos atentados que ocorreram em França foi cometida por cidadãos estrangeiros. Ao que tudo indica, o atentado de ontem terá sido levado a cabo por franceses, nascidos no seu solo, filhos de imigrantes. Tal como o Reino Unido experimentou em 2005, a sociedade francesa gerou já, dentro de si, os germes da violência radical islâmica, aliás percetível no elevado número de "jihadistas" gauleses (soa mal, não soa?) que estão já nas fileiras do "Estado Islâmico". Combater decididamente essa deriva é um imperativo, desconstruir as razões desta apetência para o radicalismo limite é uma necessidade.

4. O Islão é uma religião que sofre hoje uma forte diabolização (é irónico chamar o diabo a esta questão), um pouco por todo o lado, embora as pessoas tendam a esquecer que os cidadãos muçulmanos são, nos dias que correm, as principais vítimas das suas expressões mais sectárias. Da Indonésia ao Paquistão, do Quénia à Síria ou ao Iraque, muitos milhares de muçulmanos perderam ou perdem, dia após dia, a vida em atentados bem mais mortíferos que o que ontem abalou a França. Por essa razão, continua a ser estranho que as comunidades islâmicas moderadas não ergam mais a sua voz contra este tipo de facínoras que agem invocando os princípios corânicos. O que vemos é uma distanciação mole, um "não, mas", de quem parece intimidado e temeroso, embora longe de ser deliberado cúmplice. As figuras responsáveis entre esses muçulmanos, que são uma esmagadora maioria, talvez não se estejam a dar conta que, com a sua tibieza, se arriscam, um destes dias, a ficar na linha da frente de uma guerra religiosa que os não poupará. Curiosamente, na Europa, as comunidades muçulmanas reagem face ao radicais no seu seio como as monarquias do Golfo fizeram quanto ao Al Qeda. Ora a pusilanimidade só leva à tragédia, como a história prova.  

5. Contrariamente aos apelos exteriores que se ouviram, a sensação que tenho é de que a moldura legislativa francesa, para o combate à violência sectária e ao radicalismo que chega ao terrorismo, é já suficientemente sólida. Além disso, a França dispõe de uma rede de "intelligence" muito eficaz, que sempre poderá ser melhorada, mas que, tal como em qualquer outro país, não pode garantir nunca, em absoluto, uma prevenção total contra atos terroristas. O terrorismo dispõe da iniciativa e da capacidade de gerar surpresa. Pode-se limitar estatisticamente o desenvolvimento das suas redes, mas é impossível prevenir, em absoluto, que um atentado ocorra.

6. O ato terrorista de ontem vai deixar marcas na política francesa. Mais do que para Hollande, é para o primeiro-ministro Manuel Valls que os olhares da França se voltarão nos próximos dias. Valls, que foi presidente de um município onde a convivência multicultural era uma das grandes questões (tendo, aliás, sido sucedido no cargo por um luso-descendente), mostrou, como ministro do Interior, um perfil securitário contrastante com o discurso mais contemporizador que o PSF costumava assumir nestes temas. A França vai-lhe exigir, não palavras, mas resultados concretos no esclarecimento rápido deste caso. De toda a forma, será sempre a direita política, da mais democrática à mais radical, quem irá ganhar com este episódio. Há uma grande inquietação em toda a França, uma preocupação evidente pela crescente afirmação comunitarista do islamismo, que induz tensões surdas na sociedade e, com alguma naturalidade, cria reflexos anti-imigração. Daqui a um discurso racista e xenófobo é um curto passo que muitos franceses já deram. Se, em termos de eleições legislativas ou presidenciais futuras, isso vier a ter uma expressão flagrante e maioritária, ficará mais evidente que o problema deixou já de ser só francês.

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Charlie Hebdo: Mais um ataque terrorista numa grande cidade ocidental

Hoje, em Paris, um grupo, presumidamente, de três terroristas invadiu a sede da revista francesa Charlie Hebdo, conhecida pelo tom ácido de suas reportagens satíricas e assassinou (até agora) 12 pessoas. Após, esse ato de carnificina os terroristas conseguiram fugir do local.

O combate ao extremismo é complexo do ponto de vista legal e operacional, nem sempre a inteligência consegue coadunar as informações para prevenir esses atentados, além disso as grandes cidades com suas dificuldades de mobilidade dificultam muito o emprego de forças policiais de resposta rápida com treinamento e equipamentos suficientes para deter rapidamente terroristas.

O ataque de hoje foi cruel e voltado para cercear a liberdade de expressão e de imprensa que sempre ojerizam os candidatos a autocratas e totalitários.

Não há muita informação ainda sobre o ataque além da conduta militarizada dos terroristas o que denotaria algum treinamento prévio e a escolha do dia e horário do ataque durante uma reunião de pauta da revista, e talvez não seja o momento para analisar e sim para lamentar que as ideias autoritárias e homicidas ainda sejam tão atraentes para a humanidade. Combater o extremismo cada vez mais parece que será a marca desse século.

O governo brasileiro reagiu com firmeza na linguagem da nota oficial, algo raro nesses anos da administração Rousseff. (leia aqui)

Deixo vocês com essa charge à guisa de uma precária conclusão desse texto.

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A hora de Cuba? Por Francisco Seixas da Costa

CubaSempre que o assunto é Cuba, os ânimos se exaltam e o risco de cegueira ideológica é enorme, aliás, tenho uma posição de que o lugar de Cuba no discurso político brasileiro é desproporcional a importância e influência desse país insular. A grande notícia de ontem foi o anúncio da retomada de relações diplomáticas entre EUA e Cuba. É um passo importante, sem dúvidas, para o fim do embargo iniciado na infame Crise dos Mísseis.

Cuba é uma ditadura protegida pela aura romântica nutrida pelo arrebatamento utópico da esquerda latina, tanto é que o apoio de Fidel a ditadura de Videla (que mostra pragmatismo que os apaixonados defensores se recusam a ter, por sinal) na Argentina é esquecido ou simplesmente desconhecido. Esse lugar exagerado de Cuba dificulta sobremaneira uma abordagem do tema de uma maneira equilibrada e desapaixonada. Eu mesmo capitulo diante dessa dificuldade, assim eu trago um bom texto do ex-embaixador português no Brasil e em França (como ele escreveria) Francisco Seixas da Costa. É claro, ainda não é uma análise aprofundada é um instantâneo do momento, calcado em anos de estudo e experiência, mas um instantâneo. (O texto é transcrito com autorização do autor e o original pode ser lido aqui)

A hora de Cuba?

Por Francisco Seixas da Costa

O anúncio de um início de reaproximação entre Cuba e os Estados Unidos é um interessante sinal de distensão entre dois países cujo conflito é uma das mais duradouras heranças da Guerra Fria.

Washington nunca aceitou o derrube da sinistra ditadura de Baptista, um títere que se mantinha na lógica da "doutrina Monroe" e que havia transformado a ilha num prostíbulo e num casino, dando um sólido argumento para a revolta titulada por Fidel de Castro. Os refugiados cubanos nos Estados Unidos condicionaram, a partir daí, a atitude americana, tornando a normalização das relações dependente de um "regime change" que nunca veio a verificar-se.

Castro e os seus guerrilheiros, saídos da Sierra Maestra depois de uma saga político-militar que entusiasmou o romantismo de uma certa esquerda à escala global, cometeram o grave erro de reagir às recorrentes provocações americanas através de uma crescente dependência da União Soviética. A aventura da colocação de mísseis russos na ilha, em 1962, levou a um embargo americano que ainda hoje se mantém.

De regime libertador, a Cuba de Castro transformou-se num "exportador" de revoluções pelo mundo, aliás sem grande sucesso. Os "dois, três, muitos Vietnam" da retórica de Che Guevara (que, se fosse vivo, teria visto naquilo que o Vietnam se transformou) acabou por ser um imenso fracasso. Pressentido como executor de um "ousourcing" ditado por Moscovo, que durante décadas pagou as faturas de uma economia abafada pelo embargo, o regime de Fidel de Castro, que identificava a menor dissidência interna com uma traição pró-yankee, acabou por se converter num dos atores centrais da Guerra Fria.

No plano interno, Cuba é uma ditadura intolerante e repressiva. Jogou sempre com o sentimento de anti-americanismo como fator atenuador da leitura que o mundo podia fazer das condições em que o seu povo vive, passando as culpas do regime para as consequências do embargo - de facto, uma medida datada e sem sentido, unilateralmente imposta por Washington e que, bem vistas as coisas, acabou por facilitar fortemente o prolongamento do regime castrista. Cuba é hoje uma sociedade triste, vivendo numa penúria imensamente injusta para a felicidade possível das gerações que sofreram a sua tragédia geopolítica.

Muita água correrá ainda sob as pontes até que as coisas se normalizem entre Washington e Havana. Dos dois lados, os obstáculos à reconciliação são muito grandes e são expectáveis acidentes de percurso. De qualquer forma, a iniciativa papal que levou a este início de diálogo só pode ser saudada.

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STRATFOR: A Tortura e a falha da Inteligência Americana

torturaA revelação do Relatório sobre a tortura, por parte do Congresso americano, além de causar reflexão diante dos métodos usados contra prisioneiros suspeitos de terrorista (e quem me lê sabe que não tenho nenhuma empatia com terroristas, uso sempre a expressão verme), nesse esteio o STRATFOR republica texto de 2009 que analisa o contexto psicológico que levou a autorização do uso extensivo da tortura e como os métodos brutais são falhos, em essência. É interessante a leitura por que o STRATFOR não é site de ativistas de Direitos Humanos e sim uma empresa com laços fortes com a comunidade de inteligência dos EUA.

Torture and the U.S. Intelligence Failure

By George Friedman

The Obama administration published a series of memoranda on torture issued under the Bush administration. The memoranda, most of which dated from the period after 9/11, authorized measures including depriving prisoners of solid food, having them stand shackled and in uncomfortable positions, leaving them in cold cells with inadequate clothing, slapping their heads and/or abdomens, and telling them that their families might be harmed if they didn't cooperate with their interrogators.

On the scale of human cruelty, these actions do not rise anywhere near the top. At the same time, anyone who thinks that being placed without food in a freezing cell subject to random mild beatings — all while being told that your family might be joining you — isn't agonizing clearly lacks imagination. The treatment of detainees could have been worse. It was terrible nonetheless.

Torture and the Intelligence Gap

But torture is meant to be terrible, and we must judge the torturer in the context of his own desperation. In the wake of 9/11, anyone who wasn't terrified was not in touch with reality. We know several people who now are quite blasé about 9/11. Unfortunately for them, we knew them in the months after, and they were not nearly as composed then as they are now.

Sept. 11 was terrifying for one main reason: We had little idea about al Qaeda's capabilities. It was a very reasonable assumption that other al Qaeda cells were operating in the United States and that any day might bring follow-on attacks. (Especially given the group's reputation for one-two attacks.) We still remember our first flight after 9/11, looking at our fellow passengers, planning what we would do if one of them moved. Every time a passenger visited the lavatory, one could see the tensions soar.

And while Sept. 11 was frightening enough, there were ample fears that al Qaeda had secured a "suitcase bomb" and that a nuclear attack on a major U.S. city could come at any moment. For individuals, such an attack was simply another possibility. We remember staying at a hotel in Washington close to the White House and realizing that we were at ground zero — and imagining what the next moment might be like. For the government, however, the problem was having scraps of intelligence indicating that al Qaeda might have a nuclear weapon, but not having any way of telling whether those scraps had any value. The president and vice president accordingly were continually kept at different locations, and not for any frivolous reason.

This lack of intelligence led directly to the most extreme fears, which in turn led to extreme measures. Washington simply did not know very much about al Qaeda and its capabilities and intentions in the United States. A lack of knowledge forces people to think of worst-case scenarios. In the absence of intelligence to the contrary after 9/11, the only reasonable assumption was that al Qaeda was planning more — and perhaps worse — attacks.

Collecting intelligence rapidly became the highest national priority. Given the genuine and reasonable fears, no action in pursuit of intelligence was out of the question, so long as it promised quick answers. This led to the authorization of torture, among other things. Torture offered a rapid means to accumulate intelligence, or at least — given the time lag on other means — it was something that had to be tried.

Torture and the Moral Question

And this raises the moral question. The United States is a moral project: its Declaration of Independence and Constitution state that. The president takes an oath to preserve, protect and defend the Constitution from all enemies foreign and domestic. The Constitution does not speak to the question of torture of non-citizens, but it implies an abhorrence of rights violations (at least for citizens). But the Declaration of Independence contains the phrase, "a decent respect for the opinions of mankind." This indicates that world opinion matters.

At the same time, the president is sworn to protect the Constitution. In practical terms, this means protecting the physical security of the United States "against all enemies, foreign and domestic." Protecting the principles of the declaration and the Constitution are meaningless without regime preservation and defending the nation.

While this all makes for an interesting seminar in political philosophy, presidents — and others who have taken the same oath — do not have the luxury of the contemplative life. They must act on their oaths, and inaction is an action. Former U.S. President George W. Bush knew that he did not know the threat, and that in order to carry out his oath, he needed very rapidly to find out the threat. He could not know that torture would work, but he clearly did not feel that he had the right to avoid it.

Consider this example. Assume you knew that a certain individual knew the location of a nuclear device planted in an American city. The device would kill hundreds of thousands of Americans, but the individual refused to divulge the information. Would anyone who had sworn the oath have the right not to torture the individual? Torture might or might not work, but either way, would it be moral to protect the individual's rights while allowing hundreds of thousands to die? It would seem that in this case, torture is a moral imperative; the rights of the one with the information cannot transcend the life of a city.

Torture in the Real World

But here is the problem: You would not find yourself in this situation. Knowing a bomb had been planted, knowing who knew that the bomb had been planted, and needing only to apply torture to extract this information is not how the real world works. Post-9/11, the United States knew much less about the extent of the threat from al Qaeda. This hypothetical sort of torture was not the issue.

Discrete information was not needed, but situational awareness. The United States did not know what it needed to know, it did not know who was of value and who wasn't, and it did not know how much time it had. Torture thus was not a precise solution to a specific problem: It became an intelligence-gathering technique. The nature of the problem the United States faced forced it into indiscriminate intelligence gathering. When you don't know what you need to know, you cast a wide net. And when torture is included in the mix, it is cast wide as well. In such a case, you know you will be following many false leads — and when you carry torture with you, you will be torturing people with little to tell you. Moreover, torture applied by anyone other than well-trained, experienced personnel (who are in exceptionally short supply) will only compound these problems, and make the practice less productive.

Defenders of torture frequently seem to believe that the person in custody is known to have valuable information, and that this information must be forced out of him. His possession of the information is proof of his guilt. The problem is that unless you have excellent intelligence to begin with, you will become engaged in developing baseline intelligence, and the person you are torturing may well know nothing at all. Torture thus becomes not only a waste of time and a violation of decency, it actually undermines good intelligence. After a while, scooping up suspects in a dragnet and trying to extract intelligence becomes a substitute for competent intelligence techniques — and can potentially blind the intelligence service. This is especially true as people will tell you what they think you want to hear to make torture stop.

Critics of torture, on the other hand, seem to assume the torture was brutality for the sake of brutality instead of a desperate attempt to get some clarity on what might well have been a catastrophic outcome. The critics also cannot know the extent to which the use of torture actually prevented follow-on attacks. They assume that to the extent that torture was useful, it was not essential; that there were other ways to find out what was needed. In the long run, they might have been correct. But neither they, nor anyone else, had the right to assume in late 2001 that there was a long run. One of the things that wasn't known was how much time there was.

The U.S. Intelligence Failure

The endless argument over torture, the posturing of both critics and defenders, misses the crucial point. The United States turned to torture because it has experienced a massive intelligence failure reaching back a decade. The U.S. intelligence community simply failed to gather sufficient information on al Qaeda's intentions, capability, organization and personnel. The use of torture was not part of a competent intelligence effort, but a response to a massive intelligence failure.

That failure was rooted in a range of miscalculations over time. There was the public belief that the end of the Cold War meant the United States didn't need a major intelligence effort, a point made by the late Sen. Daniel Moynihan. There were the intelligence people who regarded Afghanistan as old news. There was the Torricelli amendment that made recruiting people with ties to terrorist groups illegal without special approval. There were the Middle East experts who could not understand that al Qaeda was fundamentally different from anything seen before. The list of the guilty is endless, and ultimately includes the American people, who always seem to believe that the view of the world as a dangerous place is something made up by contractors and bureaucrats.

Bush was handed an impossible situation on Sept. 11, after just nine months in office. The country demanded protection, and given the intelligence shambles he inherited, he reacted about as well or badly as anyone else might have in the situation. He used the tools he had, and hoped they were good enough.

The problem with torture — as with other exceptional measures — is that it is useful, at best, in extraordinary situations. The problem with all such techniques in the hands of bureaucracies is that the extraordinary in due course becomes the routine, and torture as a desperate stopgap measure becomes a routine part of the intelligence interrogator's tool kit.

At a certain point, the emergency was over. U.S. intelligence had focused itself and had developed an increasingly coherent picture of al Qaeda, with the aid of allied Muslim intelligence agencies, and was able to start taking a toll on al Qaeda. The war had become routinized, and extraordinary measures were no longer essential. But the routinization of the extraordinary is the built-in danger of bureaucracy, and what began as a response to unprecedented dangers became part of the process. Bush had an opportunity to move beyond the emergency. He didn't.

If you know that an individual is loaded with information, torture can be a useful tool. But if you have so much intelligence that you already know enough to identify the individual is loaded with information, then you have come pretty close to winning the intelligence war. That's not when you use torture. That's when you simply point out to the prisoner that, "for you the war is over." You lay out all you already know and how much you know about him. That is as demoralizing as freezing in a cell — and helps your interrogators keep their balance.

U.S. President Barack Obama has handled this issue in the style to which we have become accustomed, and which is as practical a solution as possible. He has published the memos authorizing torture to make this entirely a Bush administration problem while refusing to prosecute anyone associated with torture, keeping the issue from becoming overly divisive. Good politics perhaps, but not something that deals with the fundamental question.

The fundamental question remains unanswered, and may remain unanswered. When a president takes an oath to "preserve, protect and defend the Constitution of the United States," what are the limits on his obligation? We take the oath for granted. But it should be considered carefully by anyone entering this debate, particularly for presidents.

"Torture and the U.S. Intelligence Failure is republished with permission of Stratfor."
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STRATFOR: On Obama and the Nature of Failed Presidencies

obamabravo O Stratfor – famososo (ou infame) – site de análises estratégicas conhecido por focar na inteligência e temas de poder hoje fez uma dura análise da presidência Obama. Divirtam-se, em inglês como no original.

On Obama and the Nature of Failed Presidencies

By George Friedman

We do not normally comment on domestic political affairs unless they affect international affairs. However, it is necessary to consider American political affairs because they are likely to have a particular effect on international relations. We have now entered the final phase of Barack Obama's presidency, and like those of several other presidents since World War II, it is ending in what we call a state of failure. This is not a judgment on his presidency so much as on the political configuration within it and surrounding it.

The midterm elections are over, and Congress and the president are in gridlock. This in itself is not significant; presidents as popular as Dwight Eisenhower found themselves in this condition. The problem occurs when there is not only an institutional split but also a shift in underlying public opinion against the president. There are many more sophisticated analyses of public opinion on politics, but I have found it useful to use this predictive model.

Analyzing a President's Strength

I assume that underneath all of the churning, about 40 percent of the electorate is committed to each party. Twenty percent is uncommitted, with half of those being indifferent to the outcome of politics and the other half being genuinely interested and undecided. In most normal conditions, the real battle between the parties -- and by presidents -- is to hold their own bases and take as much of the center as possible.

So long as a president is fighting for the center, his ability to govern remains intact. Thus, it is normal for a president to have a popularity rating that is less than 60 percent but more than 40 percent. When a president's popularity rating falls substantially below 40 percent and remains there for an extended period of time, the dynamics of politics shift. The president is no longer battling for the center but is fighting to hold on to his own supporters -- and he is failing to do so.

When the president's support has fragmented to the point that he is fighting to recover his base, I considered that a failed presidency -- particularly when Congress is in the hands of the opposition. His energy cannot be directed toward new initiatives. It is directed toward recovering his base. And presidents who have fallen into this condition near the end of their presidencies have not been likely to recover and regain the center.

Historically, when the president's popularity rating has dipped to about 37 percent, his position has been unrecoverable. This is what happened to George W. Bush in 2006. It happened to Richard Nixon in 1974 when the Watergate crisis resulted in his resignation, and to Lyndon Johnson in 1967 during the Vietnam War. It also happened to Harry Truman in 1951, primarily because of the Korean War, and to Herbert Hoover before World War II because of the Great Depression.

However, this is not the final historical note on a presidency. Truman, enormously unpopular and unable to run for another term, is now widely regarded as one of the finest presidents the United States has had. Nixon, on the other hand, has never recovered. This is not therefore a judgment on Obama's place in history, but simply on his current political condition. Nor does it take failure to lose the presidency; Jimmy Carter was defeated even though his popularity remained well in the 40s.

Obama's Presidency

Of the five failed presidencies I've cited, one failed over scandal, one over the economy and three over wars -- Korea, Vietnam and Iraq. Obama's case is less clear than any. The 40 percent who gravitated to the opposition opposed him for a host of reasons. He lost the center for complex reasons as well. However, looking at the timing of his decline, the only intruding event that might have had that impact was the rise of the Islamic State and a sense, even in his own party, that he did not have an effective response to it. Historically, extended wars that the president did not appear to have a strategy for fighting have been devastating to the presidency. Woodrow Wilson's war (World War I) was short and successful. Franklin Roosevelt's war (World War II) was longer, and although it began in failure it became clear that a successful end was conceivable. The Korean, Vietnam and two Iraq wars suffered not from the length, but from the sense that the presidency did not have a war-ending strategy. Obama appears to me to have fallen into the political abyss because after eight years he owned the war and appeared to have no grip on it.

Failure extends to domestic policy as well. The Republican-controlled legislature can pass whatever legislation it likes, but the president retains veto power, and two-thirds of both houses must vote to override. The problem is that given the president's lack of popularity -- and the fact that the presidency, all of the House of Representatives and one-third of the Senate will be up for re-election in two years -- the president's allies in Congress are not as willing to be held responsible for upholding his vetoes. Just as few Democrats wanted Obama campaigning for them, so too do few want to join the president in vetoing majority legislation. What broke Truman, Johnson and Nixon was the moment it became clear that their party's leaders in Congress wanted them gone.

Acting Within Constraints

This does not mean that the president can't act. It simply means that it is enormously more difficult to act than before. Gerald Ford, replacing Nixon but weakened by the pardoning of his predecessor, could not stop Congress from cutting off aid to South Vietnam during the final Communist assault. George W. Bush was able to launch the surge, but the surge was limited in size, not only because of strategic conditions but also because he had lost the ability to force Congress to fund alternative expansions of the war. In each of the failed presidencies, the president retained the ability to act but was constrained by the twin threats of an opposition-controlled Congress and his own party's unwillingness to align with him.

At the same time, certain foreign diplomatic initiatives can continue. Nixon initiated negotiations between Egypt and Israel that culminated, under Carter's administration, in the Camp David Accords. Truman tried to open negotiations with China, and the initiative's failure had little to do with opposition to a negotiated settlement in Korea.

The president has few domestic options. Whatever Obama does with his power domestically, Congress can vote to cut funding, and if the act is vetoed, the president puts Congressional Democrats in mortal danger. The place where he can act -- and this is likely the place Obama is least comfortable acting -- is in foreign policy. There, the limited deployment of troops and diplomatic initiatives are possible.

Obama's general strategy is to withdraw from existing conflicts in the Middle East and contain and limit Russian actions in Ukraine. The president has the ability to bring military and other pressure to bear. But the United States' opponent is aware that the sitting president is no longer in control of Washington, that he has a specific date of termination and that the more unpopular things he does, the more likely his successor is to repudiate them. Therefore, in the China-North Korea model, the assumption is that that continuing the conflict and negotiating with the successor president is rational. In the same sense, Iran chose to wait for the election of Ronald Reagan rather than deal with Jimmy Carter (who was not a failed president).

This model depends on the opponent's having the resources and the political will to continue the conflict in order to bargain with the president's successor, and assumes that the successor will be more malleable. This is frequently the result, since the successor can make concessions more readily than his predecessor. In fact, he can make those concessions and gain points by blaming the need to concede on his predecessor. Ironically, Obama used this strategy after replacing George W. Bush. The failed president frequently tries to entice negotiation by increasing the military pressure on the enemy. Truman, Johnson and George W. Bush all took this path while seeking to end their wars. In no case did it work, but they had little to lose politically by trying.

Therefore, if we follow historical patterns, Obama will now proceed slowly and ineffectively to increase military operations in Syria and Iraq, while raising non-military pressure on Russia, or potentially initiating some low-level military activities in Ukraine. The actions will be designed to achieve a rapid negotiating process that will not happen. The presidency will shift to the other party, as it did with Truman, Johnson and George W. Bush. Thus, if patterns hold true, the Republicans will retake the presidency. This is not a pattern unknown to Congress, which means that the Democrats in the legislature will focus on running their own campaigns as far away from Obama and the next Democratic presidential candidate as possible.

The period of a failed presidency is therefore not a quiet time. The president is actively trying to save his legacy in the face of enormous domestic weakness. Other countries, particularly adversaries, see little reason to make concessions to failed presidents, preferring to deal with the next president instead. These adversaries then use military and political oppositions abroad to help shape the next U.S. presidential campaign in directions that are in their interests.

It is against this backdrop that all domestic activities take place. The president retains the veto, and if the president is careful he will be able to sustain it. Obama will engage in limited domestic politics, under heavy pressure from Congressional Democrats, confining himself to one or two things. His major activity will be coping with Syria, Iraq and Russia, both because of crises and the desire for a legacy. The last two years of a failed presidency are mostly about foreign policy and are not very pleasant to watch.

"On Obama and the Nature of Failed Presidencies is republished with permission of Stratfor."

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Dilma no G-20

dilmag20 A recém re-eleita presidente Dilma Rousseff foi para a Austrália participar do G-20, claro que havia uma enorme sombra perseguindo a mandatária com a nova rodada de prisões da Operação Lava-Jato.

A agenda da presidente em Brisbane teve encontros bi-laterais importantes com o Xi Jinping e Ângela Merkel. Na reunião com o presidente chinês foi assinado um acordo que retirou o embargo à carne brasileira, uma boa notícia para um país com crescentes déficits em Conta Corrente.

O Communiqué do encontro em suas 4 páginas de diplomatiquês deixa claro que foi uma reunião sem grandes avanços na coordenação da condução dos assuntos econômicos mundiais. Era esperado que fosse assim, já que pressões geopolíticas se impuseram entre os membros tornando ainda mais difícil encontrar coesão. O texto (que pode ser lido aqui) mostra que geração de emprego e controle da relação PIB – Dívida Nacional continuam como temas urgentes no combate aos efeitos da crise de 2008.

A crescente disputa entre a Rússia e o Ocidente deu tom geral da reunião. Qualquer acordo seria dificultado, uma oportunidade excelente para que os emergentes, oportunidade é claro que exigiria muito compromisso e habilidade política de quem se predispusesse a serenar os ânimos. O Brasil não demonstrou nenhum movimento nesse sentido, o que se coaduna com o baixo perfil da diplomacia da administração Rousseff.

Aliás, a presidente, em coletiva disse sobre a Ucrânia:

“O Brasil, no caso da Ucrânia, nunca definiu uma posição. Nós nunca nos manifestamos e evitamos sistematicamente nos envolver em assuntos internos. Não é do interesse do governo brasileiro se manifestar a respeito de qualquer problema dentro da Ucrânia, nem de um lado nem de outro”.

Essa fala da presidente reforça o que eu já havia escrito aqui, em 3 de setembro:

“O problema é quando parceiros estratégicos de alto relevo agem de maneira controversa e essa aliança acaba impondo um silêncio conivente do Brasil, para um país que tem buscado com muito afinco o status de Ator Global, ou seja, por definição uma voz relevante nos assuntos planetários. E esse projeto tem se calcado na aliança com os outros gigantes emergentes.

[...]A Rússia tem se envolvido em violações da soberania Ucraniana. E a tradição diplomática brasileira sempre foi visceralmente avessa a esse tipo de violação, mas nesse caso tem mantido um silêncio loquaz. E nem vou levar em consideração os que por ideologia ou apreço a conspiração que tacham os ucranianos de nazistas.”

Dilma conseguiu um acordo com a China muito aguardado pelo agronegócio brasileiro, e talvez pela demonização desse setor pelos grupos mais vocais da base da presidente, esse acordo não foi muito celebrado com o triunfalismo governamental típico desses momentos. Claro, que as prisões de diretores da Petrobras e de grandes executivos das principais empreiteiras do país empurraram o governo pra defensiva. Não é surpresa que esse escândalo ofusque as ações presidenciais, afinal a Petrobras é a menina dos olhos da visão de estatismo indutor da economia tão defendido (e popular) no Brasil. Além disso, a Política Externa sob a gestão Dilma foi enfraquecida em prestígio e orçamento e a participação de Dilma no G-20, mostra que nem a pressão por um menor déficit externo parece ter mudado o lócus dos assuntos externos na agenda da mandatária.

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Encontro de Negócios Internacionais em Campinas, 13/11

16ºERN_Versão Final As oportunidades de negócios internacionais são muitas, mas exigem além de capacidades empreendedoras, conhecimento e network e para ajudar nesse sentido os rotaryanos de Campinas criaram um encontro de negócios, que rapidamente vai se consolidando.

Aos internacionalistas em formação ou já formados que vislumbrem no empreendedorismo seus perfil de inserção internacional não podem perder essa oportunidade de criarem parcerias e vivenciarem o mundo real.

O evento 16o Encontro de Rotarianos e Negócios ocorre em Campinas dia 13 de novembro das 08h às 12h, inscrições, em: www.rotarianosenegocios.com.br

Abaixo o release do evento.

COM NOVOS PARCEIROS, ROTARY CLUB PROMOVE O 16º NCONTRO DE NEGÓCIOS PARA AQUECER ECONOMIA EM CAMPINAS E REGIÃO

Empresários e executivos de Campinas e região reúnem-se dia 13 de novembro, a partir das 08h00, no Expo Dom Pedro - Centro de Convenções e Eventos, à av. Guilherme Campos, 500, para uma manhã repleta de oportunidades de novos negócios e fechamento de parcerias. Com expectativa de reunir aproximadamente 400 participantes, o Encontro de Rotarianos e Negócios, na sua 16ª edição, ganhou status de centro de excelentes oportunidades para formalização de mercados.

A iniciativa é do Rotary Club, mas a organização ao longo dos últimos anos reuniu também não rotarianos, transformando o ERN em uma oportunidade real para conhecer novos mercados e fechar negócios.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas acessando o site: www.rotarianosenegocios.com.br, de forma gratuita. O perfil dos participantes abrange empresários, executivos, representantes de entidades de classe, autoridades e público com foco no empreendedorismo, interessados em aumentar suas redes de relacionamentos, com reflexos em suas cadeias de negócios.

Para o gestor do ERN, Leonardo Tiroli, o evento é uma excelente oportunidade de aumentar o network, dando visibilidade às empresas. “Pelo alto nível de participação, e pela presença de profissionais com poder de decisão, nosso encontro de negócios reconhecidamente tem se transformado em um indutor de negócios”, explica. “Somos protagonistas do desenvolvimento econômico e social da região de Campinas”, avalia Tiroli.

Diversas empresas de Campinas e região estarão presentes em busca de integração e parcerias, dentro de um ambiente informal, com a ajuda dos patrocinadores que viabilizam as redes de contatos. Na prática, o encontro é uma rara oportunidade de desbravar mercados e criar oportunidades de negócios com parceiros que buscam também vislumbrar novos cenários.

O Evento terá divulgação regional, pois tem apoio oficial do Distrito 4590 de Rotary International, que abrage 42 cidades, reunindo um total de mais de 70 Rotary Club ́s, totalizando mais de 1.600 Rotarianos (as). O distrito abrange desde Campinas, como as cidades de: Jundiaí, Piracicaba, Limeira, Araras, Paulínia, Itatiba, Atibaia, Valinhos, Vinhedo, todo o Circuito das Aguas e diversas outras cidades.

Este Encontro marca uma mudança significativa no projeto. Ele passa a ser um Evento Internacional, uma vez que foi fechada uma parceria com o Rotary Club Boca West, em Boca Raton, Florida, através do rotariano e presidente do referido Rotary Club, Carlo Barbieri.

O 16º ERN se constitui por esses motivos em uma excelente oportunidade para desbravar mercados e criar oportunidades de negócios com parceiros que buscam também vislumbrar novos cenários.

Além do Rotary Club, o encontro tem ainda apoio do Ciesp - Campinas, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Campinas, Câmara de Comércio Exterior de Campinas e Região e de diversas empresas.

Nesta edição, como parte do evento, os participantes inscritos acompanharão três palestras, sendo a primeira sobre “Planejamento Estratégico”, com o palestrante internacional Carlos Moura, que irá abordar o tema com sua metodologia GOLF For Business e a segunda com

Ives Muller, sócio da Deloitte, que irá abordar o “Projeto Fome”, na área de empreendimento social, mostrando o crescimento deste projeto global que surgiu no Brasil e foi recepcionado pela equipe do Papa Francisco, no Vaticano, como um dos 100 projetos globais capazes de acabar com

a fome no mundo, além de uma breve apresentação do Dr. Carlo Barbieri, sobre o “Mercado de internacionalização de empresas Brasil-EUA e sobre investimentos nos EUA”. Esta terceira palestra é parte integrante do encontro porque envolve um assunto de interesse, cujo enfoque é o mercado e suas relações com seus protagonistas.

Também será assinado um Acordo de Cooperação Internacional entre o ERN e a Americana Oxford Institute, com sede na Flórida, para intercâmbios, cooperação de negócios, parcerias, pesquisas e projetos comuns.

Sobre o Rotary Club

O Rotary Club é uma organização sem fins lucrativos voltada para o apoio ao empreendedorismo, trabalho comunitário e filantropia. Desde 1905, quando foi criado, esse conceito integra história do Rotary, que atualmente reúne mais um milhão de membros em mais de duzentos países.

A prática da união coordenada para negócios por meio da aproximação de profissionais faz parte da cultura do Rotary Club, uma organização sem fins lucrativos, classificada como Clube de Serviços e voltada ao apoio ao empreendedorismo, trabalho comunitário, desenvolvimento de lideranças e filantropia.

O primeiro Rotary Club surgiu em 1905, da rotina de encontros dos amigos Gustavus Loehr, Silvester Scheile, Hiram Schiele e Paul P.Harris para conversar e discutir interesses profissionais, sob o clima de amizade e companheirismo típico dos homens de bem. Desde então, esse conceito passou a fazer parte da história do Rotary, que atualmente reúne mais um milhão e duzentos mil membros, distribuídos em mais de 180 países.

Encontro de Rotarianos e Negócios

Em 2010, os rotarianos da região de Campinas, Distrito 4590 de Rotary International, identificaram a necessidade da criação de um grupo formado por pessoas ligadas a diversos segmentos do ramo empresarial, para encontros de discussão e negócios. Com o apoio da empresa Rochatur Turismo, em 2011 deu-se o primeiro encontro, denominado Rotary Negócios RMC, que contou com o rotariano Sung Tien Lo como principal mentor.

Em seguida, uma agenda de encontros foi criada para as discussões e definições quanto às diretrizes sobre os eventos seguintes, como a questão do perfil do público participante. Estabeleceu-se então que o evento seria aberto não somente a rotarianos, como todo o público formado por industriais, prestadores de serviços, profissionais do comercio exterior, operadores trading, profissionais liberais, distribuidores e varejistas.

A partir do 4º Encontro, em 2011, o Rotariano Leonardo Tiroli assumiu a coordenação do projeto e atualmente exerce a função de gestor do ENR para que o evento esteja em constante crescimento e maior visibilidade regional e nacional.

Imagem Pública de Rotary

O Encontro de Rotarianos e Negócios tem auxiliado muitos os Rotary Clubs do Distrito 4590, quanto à sua imagem Pública de Rotary, tema tão importante e discutido hoje no mundo rotário.

Com a projeção dos Rotarianos participantes do evento, alinhados com grandes organizações como CIESP, Associações Comerciais, Secretarias de Desenvolvimento Econômico, o evento conseguiu atrair uma gama de potenciais Rotarianos, muito valorosos, que até então nem sabiam o que era Rotary.

Atualmente em Campinas há diversos casos de novos rotarianos, que conheceram o Rotary através do evento, e hoje prestam valorosos serviços à comunidade.

Expansão do projeto

O apoio do CIESP-Campinas (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), por intermédio de seu Diretor Titular, José Nunes Filho, marcou também um avanço nas diretrizes do projeto, ao atrair os associados para os encontros.

Essa estratégica parceria projetou o evento e chamou a atenção de grandes grupos empresariais para apoio, patrocínio e participação no evento.

A continuidade desse vitorioso projeto “Encontro de Rotarianos e Negócios” será consolidada, com o interesse de seus organizadores, de conseguir auxiliar os Rotary Clubs do Brasil e exterior, a criarem células regionais, estaduais, nacionais e internacionais do encontro, para além de socialização, estabelecer cenários de network para criar e potencializar negócios. Afinal, a concepção de negócios e parcerias por meio da aproximação de interesses e pelas vias dos valores da amizade, ética e companheirismo fazem parte da cultura e do DNA do Rotary Club.

Entre os desafios dos patrocinadores e apoiadores do Encontro está a necessidade de maior interação entre os empresários com a criação de estímulos e mecanismos para que todos se conectem e aproveitem o tempo que estão no encontro, de maneira que se conheçam e divulguem suas funcionalidades.

A maciça participação nos nossos encontros permite que empresários tenham acesso a novos mercados e, mais que isso, criam condições para que seus produtos e serviços possam ser acessados e conhecidos dentro de um ambiente de negócios cuja ideia é promover o desenvolvimento de seus participantes.

FICHA TÉCNICA

16o Encontro de Rotarianos e Negócios

13/novembro/2014 – Das 08h00 às 12h00

Local: Expo Dom Pedro - Centro de Convenções e Eventos

Avenida Guilherme Campos, 500 – Campinas

Inscrições: www.rotarianosenegocios.com.br

CONTATOS

Usina do Texto

Marcos Sambo (MTb 16.603/SP)

Emails: sambo@usinadotexto.com e contato@usinadotexto.com

Cel (19) 9.9162-1150

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Os adesivos por Francisco Seixas da Costa

desfocada Já escrevi inumaras vezes aqui que trabalhar com Relações Internacionais é por vezes ter que conviver com gente “imprópria” para o consumo humano, ou seja, presidentes são fotografados dando as mãos a déspotas. No texto que reproduzo abaixo (original aqui) o ex-embaixador de Portugal no Brasil, o grande diplomata Francisco Seixas da Costa nos conta de maneira leve um desses episódios e ainda nos dá uma boa receita para minimizar os incômodos que fotos podem nos trazer.

Os adesivos

Por Francisco Seixas da Costa

Um dia, no Brasil, ao tempo em que eu era por lá embaixador, uma figura da Justiça aproximou-se de mim, depois de um jantar, e perguntou-me, discretamente, se eu conhecia uma determinada pessoa. O nome não me dizia nada, pelo que devo ter respondido negativamente. "É estranho, porque há uma fotografia dele consigo num processo que lhe foi movido por uma grave acusação e pelo qual ele está em prisão preventiva".

Fiquei siderado! Tomei nota do nome do detido e, também discretamente, para não colocar em causa a pessoa que, para me alertar, quebrara o segredo de justiça, procurei informar-me sobre quem era. Não foi fácil. Para um embaixador português que, num país como o Brasil, é uma figura com uma alguma exposição, que se cruza com largas centenas de pessoas, onde é coisa comum tirar fotografias com quem se acaba de conhecer em ocasiões públicas, a possibililidade de ser visto ao lado de uma "pessoa errada" é muito elevada. E, tempos mais tarde, vim a entender o que tinha acontecido: num grande jantar em casa de uma amiga essa figura havia também estado presente e, a certo ponto, tinha pedido para tirar uma fotografia comigo. O que é que eu poderia ter feito?

Um amigo brasileiro, que foi algumas vezes ministro, a quem contei o episódio, deu-me uma "dica" preciosa: "quando alguém desconhecido lhe pedir, numa festa ou numa ocasião pública, para tirar uma fotografia consigo, e não havendo razão para você poder recusar isso, convide de imediato alguém seu conhecido que esteja por perto para se juntar ao retrato. Assim, você nunca ficará sozinho numa fotografia com alguém que não conhece". Conselho sábio.

Vem isto a propósito de uma cena que ontem testemunhei na televisão, na qual António Costa é "apanhado" a cumprimentar, num encontro que se vê que é totalmente casual, alguém que se verifica ser um burlão perseguido pela Interpol (a polícia portuguesa, pelos vistos, anda bastante distraída) que, tal como centenas de outras pessoas, teve acesso a essa sessão aberta ao público. Naturalmente que "dá jeito" a quem agora começa a assustar-se com a crescente popularidade do futuro líder socialista explorar, de forma algo miserável, este tipo de ensejos, por forma a criar uma subliminar impressão de convívios inconvenientes.

Não sei o que aconteceu ao presumível delinquente com quem fui fotografado no Brasil, nem faço ideia se figuro ainda num qualquer caixilho, em sua casa ou na sua cela. Mas, ontem, senti-me bem solidário com António Costa na operação em que pretenderam envolvê-lo.

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Soft Power ou ingerência?

Elias-Jaua-Brasil-5 O governo da Venezuela assinou um acordo de cooperação com o Movimento dos Sem Terra, como os dois atores são polêmicos (e polarizadores) é provável que muito se vá escrever e falar sobre essa parceria.

É lugar comum dizer que Nye mudou a maneira como analistas de Relações Internacionais olham para a questão do poder e sua fungibilidade no Sistema Internacional (lócus onde interagem os Atores Internacionais como Estados, Organizações Internacionais e grupos de opinião e interesse específico como ambientalistas, por exemplo). Nye mostrou que há maneiras brandas, sedutoras de exercer poder, isto é, de influenciar atores para que tenham o comportamento desejado sem usar fatores coercitivos.

Grosso modo, Soft Power tem maiores chances de funcionar quando o proponente da ação possui atratividade cultural, valores políticos claramente discerníveis na sua realidade interna e política externa vista como legitima e moralmente correta. Afinal, isso seria atrativo para outros atores.

O acordo entre o MST e o Governo da Venezuela segundo a página do Ministério das “Comunas y los Movimientos Sociales” da Venezuela visa:

“fortalecer lo que es fundamental en una revolución socialista, que es la formación, la conciencia y la organización del pueblo para defender lo que ha logrado y seguir avanzando en la construcción de una sociedad socialista”

Vemos que é claramente uma ação governamental aliada a um grupo de interesse especial calcado em valores comum, visando influenciar a opinião pública brasileira para adotar políticas que seriam desejadas pelo governo da República Bolivariana da Venezuela.

A questão é que não vivemos o marco de uma revolução socialista, então temos um governo estrangeiro abertamente fomento uma troca de regime, o que desqualificaria a tese de que se trata de simples cooperação técnica nos moldes de uma política de Soft Power. Claro, que os simpatizantes do governo bolivariano dirão que é apenas um discurso empolgado e que eles vêem o governo petista como revolucionário e socialista. E que eles apenas buscam capitalizar em cima da “memória afetiva” que as palavras revolução socialista têm no imaginário brasileiro.

Não sou desses que vê perigo vermelho a toda política distributiva (a não ser vermelho no orçamento) e não vejo elementos que apontem para a derrocada da república brasileira e sua queda no comunismo. Mas, ainda assim não consigo encontrar justificativas conceituais para que essa parceria seja apenas uma política de Soft Power, de sedução.

Por que um estrategista em busca de seduzir o público brasileiro, sabendo que amplos setores da opinião pública do Brasil têm muitas restrições ao MST e a imagem bolivariana da Venezuela, servindo até de espantalho em discussões políticas locais?

Esse tipo de ação acaba por inócua, mas não deixa de ser desagradável e pede por uma resposta rígida do governo brasileiro sob pena de estimular ingerências anti-sistêmicas, que podem não ser assim tão inócuas.

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Evento: II Fórum Universitário de Paradiplomacia e simulação de negociação

FUP_imagem_divulgação Abaixo o release do evento.

Atenção, Internacionalistas! Inscrições abertas para a Simulação do II Fórum Universitário de Paradiplomacia

Reforçando o interesse em ampliar o contato entre alunos universitários de Relações Internacionais e a prática da paradiplomacia, a Assessoria Especial para Assuntos Internacionais do Governo do Estado de São Paulo realiza nos dias 10, 11 e 12 de dezembro a segunda edição do Fórum Universitário de Paradiplomacia, promovendo uma simulação de negociação internacional no tema “Regiões das Américas pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”.

Serão 120 vagas para participar deste modelo inédito de simulação! Você tem interesse em participar? Escolha sua dupla e faça a inscrição: http://goo.gl/K2ng7q

E não deixe de curtir a página do Fórum no Facebook: http://www.facebook.com/forumparadiplomacia

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Evento: Seminário Relações Internacionais Contemporâneas, 04/11, Teresina

O Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI) realiza o Seminário Relações Internacionais Contemporâneas e o Papel do Atores Não Estatais: Desafios, cenários e protagonismos. No dia 4 de novembro de 2014. No folder detalhes do programa

seminário_1

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Oportunidade: Workshop Consultoria Política, Brasília, 9-10 out

workshop Os agitados e competentes alunos da minha querida Alma Mater, Universidade Católica de Brasília estão realizando um excelente Workshop em Consultoria Política: Carreira e Oportunidades, em Brasília dias 9 e 10 de outubro.

O elenco de palestrantes é jovem e com currículos adensados. Abaixo o release do evento.

Nascido de uma iniciativa conjunta do Professor MSc. Creomar de Souza e dos Núcleos de Estudos: USSP (United States Studies Program), IMAGE (International Marketing Agency) e CONEX (Empresa Júnior em Consultoria de Negócios Exteriores e Comércio Internacional), os Workshops RiUCB foram criados com a intenção de fortalecer a capacitação dos estudantes de Relações Internacionais do Distrito Federal através do oferecimento da oportunidade de debater temáticas atuais no campo de atuação dos Internacionalistas.

A primeira edição traz à luz a temática da carreira e oportunidades para profissionais de Relações Internacionais na Consultoria Política. Contando com a presença de nomes consagrados, o projeto é pioneiro e as vagas são limitadas!

Link da página do curso: www.facebook.com/workshopriucb

Telefone para contato: 061 3356 9422 ou Matheus Atanam (Conex) - 061 9975 7473

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Edital para pesquisadores em Segurança e Defesa Nacional

pesquisa Chamada CNPq/Pandiá Calógeras

Programa Álvaro Alberto de Indução à Pesquisa em Segurança Internacional e Defesa Nacional

N º 29/2014

O Instituto Pandiá Calógeras do Ministério da Defesa e o CNPq lançaram conjuntamente, no dia 06 de outubro de 2014, o Programa Álvaro Alberto de Indução à Pesquisa em Segurança Internacional e Defesa Nacional. A chamada pública tem por objetivo fomentar a pesquisa sobre Segurança Internacional e Defesa Nacional por meio da seleção de propostas para apoio financeiro a projetos de pesquisa sobre temas relevantes para a inserção internacional do Brasil e a gestão da defesa nacional, no campo das ciências humanas e sociais aplicadas, em duas linhas de pesquisa: Entorno Estratégico e Economia da Defesa.

As duas linhas de pesquisa incluem os seguintes temas prioritários:

Entorno Estratégico

• A defesa nas fronteiras terrestres da América do Sul: o processo de integração regional sul-americana e sua relação com iniciativas de cooperação na área de defesa e segurança.

• Novas e velhas ameaças: a identificação de novas ameaças e os meios de combatê-las, em articulação com o enfrentamento das ameaças tradicionais, no marco do arcabouço legal vigente.

• Segurança marítima no Atlântico Sul: a promoção da consciência situacional nos mares do Atlântico Sul; o combate à pirataria e a outros ilícitos no mar e a cooperação com países africanos sul-atlânticos para defesa e segurança marítima no marco da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).

• Inserção internacional do Entorno Estratégico brasileiro: diálogos nos fóruns multilaterais; interesses de potências extrarregionais no Entorno Estratégico brasileiro; influência de atores não governamentais; ameaças cibernéticas e possíveis estratégias de cooperação para seu enfrentamento; áreas de fricção entre os países do Entorno Estratégico;

• Plano de Articulação e Equipamento de Defesa (PAED): a adequação dos projetos estratégicos definidos pelo PAED aos possíveis cenários de sua aplicação.

Economia da Defesa

• Recursos humanos e defesa nacional: a formação de recursos humanos para gerir a defesa nacional, inclusive no campo da cooperação internacional.

• Inovação e Defesa nacional: o Sistema de Inovação nacional brasileiro e as estratégias para fomentar a inovação e a revitalização da Base Industrial de Defesa brasileira - linhas de financiamento, garantias e peculiaridades do mercado de defesa.

• PAED: adequação dos programas de equipamento das Forças Armadas às capacidades previstas pela END e demais documentos do setor; a formulação de projetos de Força e sua articulação com o PAED no longo prazo; efetividade dos instrumentos governamentais de fomento à Base Industrial de Defesa; credenciamento das Empresas Estratégicas de Defesa (EED), homologação dos Produtos Estratégicos de Defesa e o mapeamento das cadeias produtivas do setor.

• Orçamento de defesa: estabilidade e projeções do fluxo orçamentário do MD e sua adequação às necessidades das Forças Armadas; a viabilidade política e econômica de se ampliar o percentual do PIB destinado ao orçamento de defesa; estratégias de reequilíbrio das contas orçamentárias visando diminuir ajustar dispêndios com pessoal, investimentos e custeio a projetos de força no longo prazo; critérios para vinculação do orçamento a segmentos estratégicos no País, inclusive via fundos setoriais, e sua aplicação ao campo da defesa; possibilidade de incremento orçamentário das Forças Armadas por meio de “royalties” oriundos de atividades relacionadas ou protegidas pelas Forças; adequação das infraestruturas críticas às necessidades de Defesa.

• Cooperação internacional: possibilidades de integração das bases industriais de defesa no âmbito da UNASUL, no marco da integração produtiva de cadeias globais de valor e de políticas de offset; diversificação de fontes de recursos para as Forças Armadas.

O programa disponibilizará o total de R$ 800.000,00 (oitocentos mil reais) para a elaboração de pesquisas sobre Segurança Internacional e Defesa Nacional, sendo que cada projeto poderá contar com, no máximo, R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais) para o desenvolvimento das pesquisas durante 24 meses. O valor pode incluir a concessão de bolsas, a realização de viagens e eventos e, ainda, a aquisição de equipamentos, material permanente e material bibliográfico. Caberá ao proponente definir em seu projeto sobre a melhor forma de utilizar o recurso.

O prazo para a apresentação de propostas é 05/11/2014.

Mais informações e a chamada completa podem ser obtidos pelo link: http://www.cnpq.br/web/guest/chamadas-publicas?p_p_id=resultadosportlet_WAR_resultadoscnpqportlet_INSTANCE_0ZaM&filtro=abertas&detalha=chamadaDivulgada&idDivulgacao=5363 -

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O valor do voto

confirma Sabe quando você abre o editor de textos pra escrever sobre a eleição de amanhã e aí você desenha o esqueleto do texto e procura elementos pra adensar a reflexão que se propõe, então nessa caminhada você acaba se deparando com um escrito que toca com elegância e concisão no ponto que você queria fazer. Eu chamo esse processo de doce-desilusão. Doce por que ler coisas boas nutre o intelecto, desilusão por que o texto que se pretendia, já não é necessário. Queria escrever sobre o valor do voto na democracia, Paulo Roberto de Almeida chegou lá, antes de mim.

Os radicais de vários matizes, orgulhosos de seu extremismo, desprezam a democracia, o sistema como gostam de chamar, colocam epítetos na democracia para na defesa do totalitarismo ou do autoritarismo possam dizer que defendem a democracia que seria verdadeira. Truque barato, que funciona. Quantos por dia não defendem uma intervenção militar ou a ruptura do sistema pela via esquerdista?

Um problema que identifico em toda América Latina, que tem essa esperança atávica de uma solução mágica e single undertanking de todos os problemas nacionais na constante mudança de textos constitucionais, essa vontade legitima de melhoria e avanço é manipulada facilmente e ao pensar sobre o valor do voto é preciso ter em mente que não existem “balas de prata”, soluções rápidas e miraculosas para todos os problemas nacionais e que é saudável que haja divergência até na identificação desses problemas. Mas, os orgulhosos radicais não gostam dessa verdade. Sem mais delongas deixo vocês com o texto de Paulo Roberto de Almeida e um bom voto amanhã, alea jacta est.

O valor do voto na democracia

Paulo Roberto de Almeida

A democracia foi definida, por Winston Churchill, como o pior dos regimes políticos, à exceção de todos os demais. De fato, ela não é a solução-milagre para todos os problemas sociais e econômicos que um povo enfrenta no caminho da prosperidade. Mas é ela que permite, de forma racional e pacífica, ainda que de maneira delongada e não isenta de confronto de opiniões, a busca de soluções para os principais problemas da sociedade, através dos mecanismos de representação política.

As prioridades mais comuns na vida das pessoas são: segurança na esfera privada, garantia de que os bens não serão tomados ou expropriados de forma ilegal, boas condições de habitação e de transportes, um emprego capaz de garantir sua manutenção e a de familiares, possibilidades de ascender na vida pelo trabalho honesto e  o acesso a cuidados razoáveis de saúde. A condição para que estes objetivos sejam alcançados é o nível de desenvolvimento social. Os elementos essenciais para a prosperidade de um povo são dados por um conjunto de requerimentos usualmente encontráveis nas democracias de mercado.

1) Estabilidade macroeconômica: ou seja, inflação baixa, valor de compra da moeda preservado, contas públicas equilibradas, juros e câmbio regulados mais pelo próprio mercado do que pelas manipulações dos governos.

2) Competição microeconômica: ambiente aberto à livre concorrência entre indivíduos e empresas, mediante inovações tecnológicas, sem a ação de monopólios e carteis; a competição saudável é a melhor garantia de que os consumidores terão bons produtos a preços acessíveis.

3) Boa governança: instituições sólidas, responsáveis e controladas por órgãos independentes e pela própria cidadania; justiça disponível a todos, rápida e justa; ampla segurança na defesa do patrimônio e respeito aos contratos; os representantes do povo devem ser abertos à verificação de suas ações, por meio da mais ampla e transparente publicidade no exercício de suas funções.

4) Alta qualidade dos recursos humanos: a boa educação para crianças e jovens, nos níveis básico, médio e técnico-profissional, é a garantia de que o país poderá prosperar mediante ganhos de produtividade e inovações tecnológicas; essa é a base mediante a qual se fazem boas universidades e instituições de pesquisa; todos devem ter acesso igualitário a uma educação de qualidade.

5) Abertura ao comércio e aos investimentos estrangeiros: os países mais ricos são aqueles mais abertos ao comércio internacional e aos capitais produtivos, sem discriminações falsamente nacionalistas; mais importante, aliás, do que o comércio de bens é o intercâmbio de ideias; a sua diversidade faz a riqueza de um povo.

Tais requisitos são mais comuns num ambiente democrático e numa economia de mercados livres do que em regimes fechados e dotados de um sistema político pouco. transparente.

Paulo Roberto de Almeida

[Tacoma, WA 9 de setembro de 2014]

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