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“Nunca antes na Diplomacia”. Sugestão de leitura.

CapaFrente “Nunca Antes na Diplomacia...: A política externa brasileira em tempos não convencionais” é o novo livro do diplomata e profícuo escritor (e amigo desse blog e desse blogueiro) Paulo Roberto de Almeida.

Qualquer apresentação que eu faça a obra não será tão eloquente quanto a do Embaixador Rubens Barbosa que transcrevo abaixo.

Prefácio

Embaixador Rubens Antônio Barbosa

“Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma pequena aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste bravamente ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos...”. Assim começa cada nova aventura dos dois heróis daquela pequena aldeia, Asterix e Obelix: ajudados por uma poção mágica (apenas o baixinho Asterix, já que o gordo Obelix caiu num caldeirão da poção quando bebê), ajudam a recuperar um pouco do orgulho abatido dos gauleses, depois da derrota frente aos legionários de Júlio César.

Paulo Roberto de Almeida não é exatamente um “asterisco” bibliográfico na literatura de relações internacionais e de política externa do Brasil. Ele tampouco se parece com Obelix, mesmo se, vez por outra, arremessa petardos intelectuais em direção daqueles que Raymond Aron costumava chamar de “almas cândidas”, ou seja, os acadêmicos ingênuos que interpretam o mundo através de seus livros, ou de modelos teóricos aparentemente racionais, mas alheios às realidades econômicas e geopolíticas de uma ordem internacional anárquica e sempre cambiante. Desde 1993, quando publicou seu primeiro livro, sobre o Mercosul, acumulou mais de uma dúzia de obras de destaque nesses campos, além de dezenas de artigos em revistas no Brasil e no exterior.

Este livro, no qual ele reuniu alguns dos seus trabalhos sobre a diplomacia e a política externa do Brasil, apresenta esse seu lado analítico “gaulês”, no exame e na avaliação do que representaram, para o Itamaraty, os anos de diplomacia partidária, um período de desvios nas melhores tradições da Casa de Rio Branco. As políticas seguidas por Lula e pelo PT desfizeram, pela primeira vez em quase dois séculos, o consenso nacional que sempre existiu em torno dessa diplomacia, para surpresa de muitos que, como eu, acompanham ou participam da política externa.

Quando Paulo Roberto trabalhou comigo, na Embaixada do Brasil em Washington, entre 1999 e 2003, eu o qualifiquei de accident-prone diplomat, pelo seu lado provocador, talvez até arrogante, na defesa de seus argumentos – uma atitude que ele mesmo chama de “contrarianista” –, o que o levou a contestar, mais de uma vez, antigas posições da diplomacia brasileira. Sua resistência “gaulesa” está bem exemplificada aqui, não exatamente numa crítica ao Itamaraty, que ele defende a cada vez, mas ao que já se convencionou chamar de “diplomacia companheira”, muito bem acolhida por quase todos os militantes da causa, mas essencialmente nociva, pelos seus resultados efetivos (na verdade, falta de), do ponto de vista dos interesses nacionais.

Muitas de minhas opiniões – expostas de forma menos radicais, é verdade – coincidem com suas críticas a essa “diplomacia do nunca antes...”, um exemplo, entre vários outros, da vontade de protagonismo político dos novos “donos do poder”, na conhecida expressão de Raymundo Faoro. O Itamaraty continuou a fazer diplomacia, mas, a partir de 2003, passou a estar acompanhado – ou, melhor, controlado indevidamente – por aqueles que passaram a determinar a política externa do Brasil com base em critérios essencialmente partidários. As novas orientações então dadas para a diplomacia a ser promovida pela Casa de Rio Branco passaram a divergir, e bastante, das posições sempre defendidas pela instituição, criando uma herança pesada, não só para o Itamaraty, mas para as relações exteriores do Brasil, como um todo.

Não se trata de criticar a ideologia, a visão de mundo, que o PT trouxe para a politica externa. Não se cuida de entrar em um debate ideológico para desqualificá-la ou para saber se essa percepção é a mais conveniente para o Brasil. A visão de mundo do Partido dos Trabalhadores (PT), seguida na política externa e também nas negociações comerciais, é legitima pois resulta na aplicação de uma plataforma político-partidária vitoriosa em três eleições, mesmo que nunca tenha sido discutida a fundo, pois está bem longe das principais preocupações do eleitorado. A questão aqui, do ponto de vista dos interesses do Brasil, é saber quais os resultados da aplicação dos princípios programáticos do PT sobre a política externa e comercial nos últimos doze anos, e se esses resultados foram, ou não, favoráveis ao País.

Em meus artigos em jornais e revistas, e em minhas participações em programas de TV e em rádios, venho reafirmando que a partidarização da política externa afeta profundamente a credibilidade do Brasil e do Itamaraty, uma vez que se deixou de lado o rigor técnico e a excelência profissional que sempre caracterizaram a instituição. O Brasil passou a apoiar regimes autoritários, especialmente na África e na América do Sul. Na verdade, o Itamaraty foi submetido a diretrizes e a orientações de políticas que ele nunca teria adotado se mantido o processo decisório anterior, em cada um dos temas mais controversos que invadiram a sua agenda a partir de 2003.

A perda da vitalidade do pensamento independente em todos os escalões, pela extrema centralização das decisões, a discriminação ideológica contra vários de seus funcionários e arranhões no princípio hierárquico não ajudam a recuperar a imagem de um serviço diplomático até aqui considerado um dos mais eficientes do mundo. Nossa política externa nunca tinha deixado de ser de Estado, e foram extremamente rarosos momentos de nossa história nos quais predominou algum tipo de viés ideológico, geralmente não coincidente com os interesses permanentes do País.

A partidarização da politica externa trouxe consequências negativas para a ação do Itamaraty e, via de consequência, também para a politica de comércio exterior. Esses desvios repercutiram amplamente nas negociações comerciais externas, na qual simpatias políticas prevaleceram sobre obrigações contraídas no âmbito do Mercosul ou até sobre regras prevalecentes no sistema multilateral da OMC. A prioridade desequilibrada atribuída a uma mal designada “diplomacia Sul-Sul” e a vontade ingênua de inaugurar uma “nova geografia do comércio internacional” fizeram com que os exportadores brasileiros deixassem de abrir mercados em países desenvolvidos, resultando em déficits extraordinários com nossos maiores parceiros da Europa e com os EUA. Por outro lado, as ações na África e no Oriente Médio não produziram ganhos políticos significativos, nem comerciais expressivos, já que, em termos percentuais, o crescimento do intercâmbio comercial com essas regiões foi bastante reduzido. Adotou-se uma concepção distorcida do que sejam “assimetrias estruturais”, que formam a própria base do comércio mundial e o Brasil, longe de exibir a maior renda per capita do Mercosul, passou a subsidiar obras que poderiam ser financiadas pelos bancos multilaterais existentes.

O Mercosul, como um instrumento de abertura de mercados, foi um dos projetos que mais sofreu com a partidarização da política externa nos últimos doze anos. A retórica e as decisões político-ideológicas passaram a prevalecer sobre a realidade econômica. Esqueceu-se que o Mercosul não é uma união de governos, mas de Estados. Prevaleceram as agendas nacionais sobre a agenda da integração regional.

A visão externa politicamente distorcida nos governos Lula e Dilma fez com que o objetivo de abertura comercial fosse relegado a um segundo plano, com nítido retrocesso em todas as áreas, e com que o Mercosul comercial se transformasse e adquirisse uma dimensão social e cidadã, no jargão hoje dominante. O Mercosul é, hoje, uma sombra do que já foi, e precisa ser urgentemente reformulado. Os lamentáveis episódios relativos à suspensão do Paraguai e ao ingresso político da Venezuela no bloco ainda estão na lembrança de todos. Menos ideologia e mais pragmatismo na área externa são as chaves para recuperar as oportunidades perdidas no últimos anos, nessa e em muitas outras áreas.

O processo de integração regional e o relacionamento bilateral com os países sul-americanos foram aspectos da politica externa em que a retórica oficial foi mais efetiva que os avanços concretos. O Brasil ficou a reboque dos acontecimentos e agora tem de enfrentar o desafio de assumir a liderança em nossa região e repensar o processo de integração.

Nunca antes na história do País, e de sua diplomacia, preconceitos ideológicos e plataforma partidária influíram tanto nas questões de competência do Itamaraty de analisar e recomendar cursos de ação para que a chefia do Executivo possa tomar decisões. Ao contrário da política externa “ativa e altiva” nos oito anos de Lula, o atual governo se retraiu e evita tratar questões relevantes que o Brasil, pelo seu peso no cenário externo, não pode ignorar .

A marginalização do Itamaraty, sobretudo no tratamento dos assuntos relacionados aos países vizinhos da América do Sul, certamente não estaria agradando ao Barão do Rio Branco, que ensinou que “a pasta das Relações Exteriores não é e não deve ser uma pasta de política interna”. Não é segredo o descaso com que o Itamaraty tem sido tratado e a pouca importância que tem sido dada às posturas recomendadas pela Chancelaria para problemas que afetam diretamente o que seria, de fato, o interesse do Brasil. Impõe-se uma nova politica externa e uma nova estratégia de negociação comercial, sem preconceitos ideológicos, 

Todos esses temas estão amplamente analisados por Paulo Roberto, nos diversos trabalhos aqui coletados. Eu louvo a sua coragem, no sentido de romper a cortina de silêncio em torno das más escolhas feitas na última década, expondo abertamente a sua contrariedade com as posições adotadas em nome do Brasil. Ele pagou um alto preço por essa independência de pensamento, mas com isso contribuiu para resgatar um pouco da dignidade do Itamaraty durante esse período. Sem recorrer a qualquer tipo de poção mágica – a não ser sua capacidade de interpretar as relações exteriores do Brasil em função de princípios e valores longamente consolidados ao longo de nossa história diplomática –, Paulo Roberto oferece aqui exemplo de resistência intelectual, nesta espécie de quilombo diplomático que ele construiu para si mesmo, com estes ensaios sobre “tempos não convencionais na política externa”...

Rubens Antônio Barbosa

Ex-embaixador em Londres (1994-1999) e em Washington (1999-2004),

presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESP.

O livro pode ser adquirido nos seguintes sites:

Disponibilidade no site da Editora:

http://www.editoraappris.com.br/produto/4308511/Nunca-Antes-na-Diplomacia-a-politica-externa-brasileira-em-tempos-nao-convencionais#

Livraria Saraiva online:

http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/7865017 Livraria

Cultura online: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42274547&termo=nunca%20antes%20na%20diplomacia –

E nas livrarias:

Rio de Janeiro, RJ: Cultura e da Travessa

São Paulo, SP: Cultura e Martins Fontes

Belo Horizonte, MG: Cultura e Mineriana

Brasília, DF: Cultura e Saraiva (da Uniceub)

Curitiba, PR – Cultura e Livraria do Chaim

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Uma análise crítica sobre a prisão dos ativistas do Greenpeace e o Direito dos mares, por Guilherme Carvalho

Abrindo espaço novamente para Guilherme Carvalho, que aborda a questão das correntes de opinião transnacionais e seu natural confronto com as soberanias estabelecidas, que em conjunto criam os diplomas legais, além de deterem o monopólio do uso da força, embora o noticiário nos mostre que grupos transnacionais podem desafiar Estados mais débeis na questão militar. O artigo aborda a prisão de ativistas do Greenpeace, na Rússia, a luz da legislação internacional. Assunto de grande interesse econômico para o Brasil cada vez mais investindo em peso em prospecção de petróleo no mar territorial ou na Zona Econômica Exclusiva.

greenpeace russia

Uma análise crítica sobre a prisão dos ativistas do Greenpeace e o Direito dos mares

Por Guilherme Carvalho*

Ao iniciar essa análise, é importante salientar que a questão da soberania é um senso comum dentro do estudo das Relações Internacionais, além, claro um outro pilar da mesma, é a razão de Estado que para alguns dos analistas mais realistas, são os grandes norteadores das ações dos Estados. Porém na metade do século XX, e com a chegada da chamada “era da informação”, a opinião pública ganha grande destaque dentro desse cenário. Além disso temos o envolvimento das Organizações Internacionais, e das grandes indústrias, que passam a serem fundamentais nas decisões à serem tomadas.

Assim dentro desse parâmetro, é possível observar uma série de atos e atores que lidam com os principais acontecimentos que ocorrem. Também pelo fato de haverem diversos envolvidos, ambos agindo segundo seus interesses, a criação de normas que regulam as ações, e traçam as diretrizes se fizeram, e se fazem cada vez mais necessárias para a manutenção de um sistema internacional “anárquico, mas organizado”[1] ao mesmo tempo.

A importância da sociedade civil é cada vez mais importante para o processo de tomada de decisões. Assim os movimentos sociais ganham ênfase no cenário e passam a ter relevância nos debates. E um caso que nos mostra claramente esse fato, é o dos ativistas do Greenpeace presos na Rússia:

[2]“Ativistas do Greenpeace foram presos provisoriamente, nesta quarta-feira, pela Rússia. Eles eram tripulantes de um barco da organização, que promoveram um protesto em uma plataforma de petróleo russa no Ártico. O grupo é acusado de pirataria Os 30 integrantes da tripulação do "Arctic Sunrise", detido em alto mar na semana passada quando seguia em direção a uma plataforma de petróleo da Gazprom, foram levados para vários centros de detenção de Murmansk e seus arredores. Três tripulantes russos já foram interrogados.

Os estrangeiros, incluindo a bióloga brasileira Ana Paula Maciel, serão interrogados após a chegada dos tradutores.

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os 30 integrantes do Greenpeace não são piratas, mas violaram a lei. "Não conheço os detalhes do que aconteceu, mas é totalmente evidente que não são piratas", disse Putin em um fórum internacional sobre o Ártico na cidade de Salekhard. "Mas é completamente óbvio que essas pessoas violaram as normas da lei internacional", afirmou, antes de destacar que os ativistas "se aproximaram perigosamente da plataforma". O "Arctic Sunrise", com bandeira holandesa, foi alvo de uma ação na quinta-feira passada da guarda de fronteira da Rússia, departamento vinculado ao FSB (Serviço Federal de Segurança, antiga KGB). Depois, foi rebocado para Murmansk.

A ONG denuncia o ataque "ilegal" ao barco e assegura que a embarcação estava fora das águas territoriais russas quando foi detido.

A empresa Gazprom deseja iniciar a produção na plataforma Prirazlomnaia no primeiro trimestre de 2014. O Greenpeace denuncia o risco de contaminação em uma área próxima, que inclui três reservas naturais protegidas pela lei russa.”.

Na presente situação, notamos a presença de três atores envolvidos, o Estado (Rússia), a indústria (empresa), e a Organização (Greenpeace). E para resolver o litígio, pelo menos no campo das ideias, temos que trazer a norma que regula tal questão, que nesse caso é uma norma internacional. A norma é a convenção de 1982 sobre o Direto do Mar.

Sobre tal convenção, cabe salientar que:

Conhecida como “A Constituição do Mar”, normatiza todos os aspectos do universo marítimo, inclusive delimitação das fronteiras, regulamentos ambientais, investigação científica, comércio e resolução dos conflitos internacionais envolvendo questões marinhas. A Convenção é, ademais, importante fator de sustentabilidade dos espaços oceânicos. (FUNAG, 2014 p. 6)

Dessa forma, o Direito do mar, trata-se de um assunto á ser julgado sob a ótica dessa convenção, e talvez seja algo que não cabe á um Estado julgar um caso de “pirataria”, mas sim um tribunal internacional, neutro e com a responsabilidade para com um complexo internacional, e não para com uma empresa ou Estado “A” ou Estado “B”.

Como argumento, o governo Russo tem a convenção á seu favor, pois o próprio art. 55° lhe permite fazê-lo ao tratar de zona econômica exclusiva que “ é uma zona situada além do mar territorial e a este adjacente, sujeita ao regime jurídico específico estabelecido pelo Estado costeiro”. Assim deixando toda uma jurisprudência em torno do assunto, delimitando extremamente as ações da sociedade civil em torno das vontades do Estado, impedindo a participação de outros atores, ou somente delimitando a participação aos dois atores (Estado e Industria).

Segundo o art. 3° dessa convenção[3], “Todo Estado tem o Direito de fixar a largura do seu mar territorial até o limite que não ultrapasse 12 milhas marítimas”. Dessa forma até o limite das 12 milhas de fato a jurisdição pertence á Rússia, mas o caso se trata de envolvimento de três atores (explicitados acima), e como falado, um desses é exatamente os movimentos sociais, que ganharam relevância. Então o novo questionamento á ser levantado é: Com a inserção de novos atores nesse contexto, até onde é o sensato um Estado delimitar as ações?

No art. 100°, é previsto a necessidade de se reprimir a pirataria, porém no art. 101° vem a definição de que pirataria é “todo ato de violência, detenção ou depredação cometidos, para fins privados cometidos para fins privados”. No art. 107° é onde o governo russo passou por cima “só podem efetuar o apresamento por motivo de pirataria, os navios que tragam sinais claros de que estão em atividade ilícita”. Dessa forma, fica claro que o governo russo se valeu daquilo que a eles interessava, usaram da convenção á seu favor.

Dentro dos fatos aqui apresentados, podemos concluir que o Direito do mar, nasce como uma ideia inovadora, para regular um bem coletivo, e o seu uso. Mas com o passar do tempo não assimilou a presença de outros atores como, a sociedade civil e seus mais diversos movimentos de expressão política. Por isso há uma necessidade de rever a convenção de 1982, fazendo valer a presença desses mais diversos personagens, e que compõem o sistema internacional como atores de destaque. Além disso, a falta de uma revisão do Direito dos mares é extremamente prejudicial á democracia, gera um vácuo onde governos ditatoriais podem se valer do mesmo para reprimir as ações da sociedade. Dessa forma, os ativistas do Greenpeace não foram interpretados como partes de um sistema democrático que reivindicam um maior debate sobre questões ambientais, mas sim como criminosos qualquer, como o próprio presidente da Rússia salientou: “"Nossas forças de segurança, nossa guarda costeira não sabiam quem tentava apoderar-se da plataforma sob a aparência da organização Greenpeace. No contexto dos sangrentos acontecimentos no Quênia, qualquer coisa poderia acontecer". Sendo assim eles foram “interpretados” da forma como melhor convém para o Estado.

BIBLIOGRAFIA

MONTEGO BAY, Jamaica. Convenção n°. 60-B de 10 de janeiro de 1982. Resolução Da Assembleia Geral Da ONU. Lisboa, Portugal, 1997.

PANNO BEIRÃO, André; ALVES PEREIRA, Antônio Celso. ISBN 978-85-7631-5056. Reflexões sobre o Direito do mar. Brasília: Fundação Alexandre Gusmão, 2014.

Notícia retirada do : <http://noticias.band.uol.com.br/mundo/noticia/?id=100000633332&t=> acessado em: 11/06/14.


[1] É a ideia de se organizar o desorganizado, manter o que está desorganizado, mas com uma certa ordem que traça limites, obrigações e direitos.

[2] Notícia retirada do : <http://noticias.band.uol.com.br/mundo/noticia/?id=100000633332&t=> acessado em: 11/06/14.

[3] O art. 3° disciplina a questão da delimitação do mar territorial.

__________________

*Guilherme é aluno de graduação em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Co-fundador do Projeto Panorama, projeto esse que visa trazer o debate entre acadêmicos, políticos e empresários sobre os mais diversos assuntos. Atualmente engajado em um projeto de pesquisa na linha de: A identidade coletiva regional no sistema internacional contemporâneo: a América do Sul e os países árabes frente a nova ordem multipolar. Com foco da pesquisa voltado para: A participação da América do Sul na formação e reconhecimento do Estado Palestino.

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Mais uma impostura diplomática?

malaysia-hm17 Escrevi domingo um texto sobre o que eu considero ser uma impostura uma humilhação imposta ao Itamaraty, embora não descarte que alguns diplomatas por carreirismo ou por empolgação ideológica apóiem ou não vejam maiores constrangimentos na presença do Castro II, monarca socialista como hóspede na Granja do Torto, mas não é o único sinal de enfraquecimento da diplomacia na condução dos assuntos externos.

Paulo Roberto de Almeida, que é diplomata, mas também um pensador livre (e isso tem um grande preço, não duvidem) já havia notado o sumiço da Ucrânia até das Notas Oficiais do Itamaraty, nem as famosas notas instando os lados a cooperarem na solução pacífica.

Esse silêncio não combina com a altivez tão cantada em verso e prosa pelos áulicos governamentais e que encontra eco nos acadêmicos e nos jovens estudantes de Relações Internacionais. E dá margem para que se especule que não se fala no assunto para não irritar o parceiro de BRICS, como diria o mais afeito às troças no estilo “zueira, não tem limites”, para não deixar o Vladimir, Putin.

Mansueto Almeida, que é grande economista e bom observador político conseguiu sintetizar sua estranheza diante das posturas diplomáticas do Brasil, que transcrevo abaixo e retorno logo depois.

Diferença de postura

Mansueto Almeida

Nos últimos sete dias, o presidente dos EUA, Barak Obama, convocou entrevista coletiva para falar do ataque de terroristas ao voo MH17 na Ucrânia e sobre a crise entre Israel e Palestinos na faixa de Gaza.

Independentemente de concordamos ou não com aspectos da política de defesa e comercial dos EUA, o país tem um papel muito claro na defesa de suas posições e se alia com países com tradição democrática, apesar de o histórico condenável dos EUA no apoio de governos ditatoriais no passado, em especial, na América Latina.

No caso do Brasil, não vejo clareza na nossa política externa. O nosso problema parece ser pelo menos quatro. Primeiro, tem-se a nítida impressão que o país luta por um assento no Conselho de Segurança na ONU sem saber muito o que quer defender. O Brasil tem sido um defensor intransigente da democracia na América Latina? O país tem se destacado no âmbito mundial na defesa das minorias? Nos últimos anos, o governo brasileiro tem tido uma posição dúbia em relação a violação de direitos humanos na América Latina e o mesmo em relação aos grandes conflitos mundiais.

Segundo, o Brasil tem um corpo diplomático de excelente formação, o Itamaraty, instituição do Estado e do serviço público brasileiro que sempre foi respeitado pela sua qualidade técnica, desde a negociação de acordos internacionais até a solução dos conflitos militares, como aquele que opunha Peru e Equador há décadas e que foi solucionado com a assinatura do Acordo Global e Definitivo de Paz, no Palácio Itamaraty, em Brasília, em 26 de outubro de 1998. Mas, nos últimos anos, há uma percepção de leigos e de diplomatas aposentados que o Palácio do Planalto passou a ter um consultor que, muitas vezes, parecer ser uma voz mais ativa do que o próprio Itamaraty na definição estratégica da política externa do país. Essa percepção pode ser equivocada, mas existe.

Terceiro, a atuação recente do Brasil na América Latina tem sido marcado por uma atuação que parece muito mais ideológica do que voltada para defesa dos interesses do país. Há abundância de exemplos: a suspensão do Paraguai do Mercosul, a forma do ingresso da Venezuela no bloco, a ajuda financeira a Cuba, o tratamento dado à questão do Senador boliviano exilado na embaixada em La Paz e a posição dúbia brasileira em relação à crise política na Venezuela. De acordo com o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal: “…o governo brasileiro está fazendo uma opção pelo que há de mais atrasado e populista”.(clique aqui para ler a entrevista completa do senador a revista Veja).

Quarto e último ponto, tenho uma grande esperança que os esforços do Brasil em construir uma agenda comum com os demais países do BRICS tenha sucesso e que a criação do Novo Banco de Desenvolvimento tenha algum êxito. Sou cético quanto a isso e, no caso dos BRICS, não vejo o Brasil tomando à frente na defesa intransigente da democracia, direitos humanos e, no caso mais recente, condenação das ações da Rússia na Ucrânia.

Enquanto o presidente dos EUA condenava de forma clara o papel omisso da Rússia no episódio que levou à queda do voo MH17 na Ucrânia, a nossa presidenta fez uma declaração infeliz reproduzida nos jornais deste final de semana e desta segunda-feira:

“Tem um segmento da imprensa dizendo que este avião… que foi derrubado estava na rota da volta do avião do presidente Putin. Coincidia com o horário e com o percurso. Então, que o míssil poderia ser dirigido ao avião do presidente Putin”.

Por onde começar? O “segmento da imprensa” era a mídia russa que afirma também que os corpos poderiam estar lá há meses e a Otan poderia ter derrubado o Boeing para testar lealdades.

O que leva a presidente de 200 milhões de brasileiros a embarcar nesta canoa furada de propaganda? E por que, enquanto escrevo, três dias depois da tragédia, em meio à indignação do mundo civilizado, a líder da sétima economia do mundo não se sente compelida a expressar luto pelo massacre de 298 civis inocentes? Esqueçamos, por um momento, a estadista. A avó do Gabriel não tem ganas de dizer algo sobre as 80 crianças mortas no voo MH17” (ver Lúcia Guimarães, o meridiano do MH17 no Estado de São Paulo).

A impressão que tenho da política externa brasileira é que ainda há uma ênfase excessiva no discurso anti-americano dos tempos da guerra fria e uma excessiva leniência com atitudes não democráticas de governos Latino Americanos ou de alguns dos nossos aliados dos BRICS.

Vamos torcer para que o Itamaraty volte a ser mais relevante no desenho e na condução da nossa política externa e que o nosso empenho nas alianças com países em desenvolvimento dependa cada vez menos de questões ideológicas das afinidades do partido no poder.

Retomo. É o mesmo tema do texto de domingo, uma parceria estratégica (seja lá o que isso for) não necessita que se percorra a ‘extra-mile’. Sem ufanismos, nem patriotadas, mas um país como o Brasil precisa se dar ao respeito. Lúcia Guimarães (que não concordo quase nunca) colocou muito bem: “três dias depois da tragédia, em meio à indignação do mundo civilizado, a líder da sétima economia do mundo não se sente compelida a expressar luto pelo massacre de 298 civis inocentes”. Simples, assim.

Ninguém imagina que o Brasil vai ser instrumental na resolução dessa crise, nem que tenhamos interesses na região que nos leve a ter que participar, mas daí a embarcar na tese de tentativa de assassinato de Putin? Tomara que esses ‘lapsos’ sejam apenas contaminação temporária de política partidária e eleitoral e que em caso de reeleição sumam, mas acho que isso é wishful thinking, não é mesmo?

A coisa chegou a tal ponto que começo a sentir falta das notas automáticas que tanto crítico nesse blog e que sempre alerto para serem lidas com muita parcimônia e com o natural ceticismo em relação às versões oficiais.

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Raul Castro na Granja do Torto: Um Itamaraty humilhado?

Granja A diplomacia brasileira sempre gozou de muito prestígio, aliás, com chanceleres de carreira, ou seja, sem respaldo de votos e partidos é importante que tenha prestígio para se fazerem ouvir na esplanada, assim é o sistema brasileiro, precisamos ter em mente.

Patriota caiu por que nunca soube controlar a máquina e principalmente nunca conseguiu gozar de prestigio palaciano, há relatos – sem confirmação oficial – de que era ademoestado, em público, com a veemência (grosseria) habitual da presidente. Um desprestigio pessoal que também pesava sobre a pasta.

Aliás, foi o caso do senador boliviano confinado a nossa embaixada em La Paz, que deu cabo a um processo nunca antes vistos no MRE, uma comissão de sindicância, presidida por pessoa alheia ao Serviço Exterior Brasileiro, não recordo nem no período de truculência militar um processo semelhante.

O Itamaraty enfrentou, também, processos grevistas inéditos – e a meu ver justos – na luta contra o anacrônico assédio moral e por melhores salários para funcionários locais.

Vários países do mundo possuem assessores especiais em assuntos externos, mas nesses países os chanceleres são políticos com tração social, então a chancelaria não se vê em desprestígio, por exemplo, o caso do State Department que não detém o monopólio da política externa americana, mas é altamente relevante em sua execução e construção. O modelo brasileiro tem a vantagem de supostamente descolar a política externa de interesses de curtíssimo prazo da política partidária, ele resguarda o patrimônio construído pelas gerações e dá a Política Brasileira a bem vista previsibilidade e senso de interesse de Estado com ampla continuidade temporal.

Há muito que qualquer observador atento percebe que mais e mais decisões de política externa são decididas exclusivamente no Planalto. Marco Aurélio Garcia é homem poderoso, coordenador de campanhas presidenciais e articulador da Política Externa para América do Sul e Latina e apesar de todos os circunlóquios fica clara que eleições afetivas e ideológicas pesam sobremaneira nessas decisões, ou como explicar hospedar o ditador cubano na Residência Oficial da Granja do Torto?

Já escrevi isso várias vezes, pode-se fazer uma política externa cosmopolita, sul-sul, anti-hegemonica, ou qualquer adjetivo que se queira, sem ter que ir na “extra-mile”, em um vocabulário mais corrente é possível ter relações independentes com qualquer país sem ter que “puxar saco”. É claro, que nos assuntos internacionais se aperta a mão e se posa pra fotos com pessoas não recomendadas para o consumo humano, mas abrir sua casa para elas, é um tanto demais.

Quais os ganhos que hospedar com tamanha deferência o líder cubano trarão para o Brasil? E por que tratar a hospedagem como “Segredo de Estado”?

Força diplomatas, sempre tão avessos a intervenção dos “amadores” na Política Externa, não há humilhação que seja pra sempre. E pensando bem, imagino o porquê do silêncio. A subserviência é sempre constrangedora

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Cúpula dos BRICS IV: O comércio em moeda local, por Paulo Roberto de Almeida

cambio Um aspecto da retórica que emanou da cúpula dos BRICS recém terminada foi a eterna discussão de comércio bilateral em moeda local, sempre defendida para acabar com hegemonia do dólar, ou como dizem os entusiastas desse arranjo financeiro, para acabar com a hegemonia comercial estadunidense (minha aversão a esse termo é melhor explicada aqui).

Quase sempre os entusiastas dessa solução deixam de lado ou subestimam a questão da liquidez e do processamento dessas operações de comércio exterior, que é um sistema bem azeitado e construído pela necessidade prática dos países e dos exportadores.

Paulo Roberto de Almeida que é diplomata e alguém que me arrogo (com alguma vaidade) chamar de amigo manifestou sua visão, sempre embasada pelos anos de leitura sistemática e pela produção acadêmica profícua algumas inconsistências nessa visão, mais ideológica que prática. Abaixo um texto veemente e com pitadas de humor tão peculiares ao professor.

Contra a hegemonia do dolar: uso de moedas nacionais - o que pensar dessa coisa? Paulo Roberto de Almeida

Alguém aí falou em dispensar o dólar -- uma moeda certamente arrogante, que dispõe de um "privilégio exorbitante", como diria um francês -- e passar a usar moedas nacionais para as mais diferentes transações e investimentos, enfim, como um ativo como outro qualquer?

Ah, parece que foi num recente encontro em algum lugar deste nosso planetinha redondo...

Quando eu ouço certas coisas, vocês me desculpem, mas me dá um comichão, desses que ficam coçando no cérebro, eu me pergunto onde foi mesmo que eu ouvi a mesma coisa antes?

Ah, me lembrei: foi aqui mesmo, neste cantinho irrelevante de inteligência, neste quilombo de resistência intelectual contra certas ideias, as ruins e as más, as desajeitas e as feias...

Em 2009, vejam vocês, algum desses gênios da Unicamp deve ter falado novamente em comércio em moedas locais.

Eu logo saquei do meu coldre o meu Moleskine e uma caneta e anotei a sugestão; chegando em casa perpetrei essa peça de desatino que segue abaixo, e que por acaso encontrei hoje, no pré-cambriano deste blog (OK, foi um pouco mais tarde, foi no Ordoviciano, não importa).

Transcrevo novamente agora, sem sequer ler o que escrevi antes. Não devo ter mudado muito de ideias. Os outros é que continuam repetindo bobagens...

Paulo Roberto de Almeida

O grande retrocesso Monetário e cambial: comércio em moedas locais

Paulo Roberto de Almeida

18.06.2009

Existem coisas que escapam à compreensão de economistas, ou até de pessoas normais.

Refiro-me, por exemplo, à febre ou frenesi em torno do comércio internacional feito em moedas locais, ou seja, dispensando o dólar, que desde a Segunda Guerra Mundial converteu-se no padrão de referência e veículo efetivo da maior parte das transações monetárias, financeiras, cambiais e, sobretudo, comerciais no mundo.

Isso não impede, obviamente, que outras moedas sejam usadas, como é o caso do euro nos países membros da UE e entre esta e uma multiplicidade de parceiros. O iene, a libra e algumas outras moedas também são utilizadas para determinadas transações ou entre número seleto de países.

O dólar não foi imposto a todos os demais países do mundo por alguma medida de força, ou de direito, dos EUA. Trata-se apenas do simples reconhecimento da importância econômica dos EUA, da confiança que os agentes econômicos e os próprios países têm na sua manutenção como instrumento confiável, que responde aos três critérios básicos de uma moeda.

Não custa nada lembrar quais são:

1) unidade de conta

2) instrumento de troca

3) reserva de valor

Ponto. Apenas isso. Claro, toda moeda é antes de mais nada uma questão de confiança: se você acredita que aquele papel pintado possui efetivamente poder de compra, que você poderá utilizá-lo de diferentes formas, para as mais variadas transações, ao longo do tempo, isto é, preservando o seu poder de compra, então você decide, em total liberdade, utilizar aquele papel pintado. Se você não confia, faz qualquer outra coisa, mas se desfaz desse papel pintado que não merece a sua confiança.

Pois bem: o mundo demorou anos, décadas, para construir um sistema multilateral de pagamentos e um regime de trocas que facilite as transações entre os países, com o mínimo de restrições possível. O multilateralismo monetário, por imperfeito que seja -- posto que as autoridades monetárias americanas podem decidir dar um calote no mundo, deixando de honrar seus compromissos externos, com os compradores de títulos do Tesouro, por exemplo -- é o melhor sistema possível, pois permite que a mesma moeda seja usada com os mais diferentes parceiros em todas as transações que eles desejem, sem se amarrar em um instrumento único, como ocorria ainda com o bilateralismo estrito dos anos 1930, baseado em compensações diretas entre os países.

À luz destas reflexões, eu não consigo compreender como se deseja recuar do multilateralismo -- ou seja, da liberdade cambial e monetária -- para o bilateralismo, no qual só poderemos utilizar a moeda de um parceiro com esse mesmo parceiro.
Me desculpem os mais bem informados, mas não consigo encontrar nenhuma explicação racional para esse tremendo equívoco conceitual, para esse imenso retrocesso econômico, para essa servidão voluntária, como já disse um filósofo.

Será que a inteligência econômica está recuando no mundo, ou em determinados países?

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STRATFOR: Reflections on an Unforgiving Day

Luto Um raro texto mais emocional e reflexivo do Stratfor feito a luz dos eventos trágicos em Gaza e na Ucrânia. Já escrevi algumas vezes que a cerebral atividade de análise das Relações Internacionais, em algumas ocasiões tem um peso emocional, via a empatia que é inevitável. E ontem realmente foi um dia de imagens doloridas e de perceber uma verdade que fazemos questão de esquecer de tempos em tempo, nosso destino não está sob nosso controle.

Mas, o que me faz transcrever esse texto é mostrar que é possível ter empatia quanto a tragédia humana e não analisar com o “fígado”, ou seja, não podemos abandonar a racionalidade, que afinal é nosso ganha pão.

“What ties Ukraine, Russia, Israel and Gaza together is that they are all fighting for their lives, or interests that are so fundamentally important to them that they cannot live without them. They are fighting for their nation and for that nation's safety in a world where unspeakable things happen and where the only ones who will defend you are your family, friends and countrymen, and where all the well-wishers and advice-givers will quietly take their leave if dangers arise. There is nothing easier and cheaper than advising others to get along. These conflicts are rooted in fear, and fear is always a legitimate emotion.”

O trecho acima é de um realismo (não no sentido teórico das RI) desconcertante que não podemos descartar e já mostra como o texto que selecionei pra hoje é impactante.

Reflections on an Unforgiving Day

We ate breakfast to the news that an airliner had crashed in Ukraine. We had lunch to the news that Israel had invaded Gaza. An airliner crashing is perhaps more impactful than an invasion. We have all wondered, when we hear of a crash, or even in quiet moments on board an aircraft ourselves, what living our final moments in a plane plunging to earth, knowing that we will die, would be like. An invasion is harder for some of us to empathize with. Most of us have never invaded a country nor been in a country while it was invaded. But it shares this much with a plane crash: Your life is in danger, and your fate is out of your hands.

We don't even know for certain what happened to the plane or how far the invasion will go. But no reasonable person looking at today could argue that we are the masters of our fates. At one point in the afternoon, it was announced that the White House had been placed on lockdown, which meant that a significant security threat had been found. It turned out someone's lost backpack caused the whole episode.

Our job is to find order in the apparent disorder, even if meaning is fleeting. There are two things we can point to. First -- tragedy aside for the moment -- the plane crash had to do with the struggle for Ukraine, between the right of Russia to be secure from the West, the right of the Ukrainians to determine their own fate, either as one country or two, and the right of Western powers to involve themselves in these affairs. Gaza is about the right of Israel to have a nation, the right of the Palestinians to have a nation and the right of Western countries to involve themselves in the matter.

Both issues are matters of competing national rights, not dissimilar from one and other. The Russians have historically experienced multiple invasions from the west, all of them devastating, some of them through Ukraine. Ukraine means "nation on the edge," or what we could call a borderland. Usually under Russian domination, it is now independent. But for Russia, it is the buffer between the kind of armies that invaded Russia in 1941 when the Nazis came. The names of many of the cities that are spoken of now are the names of the cities in which the Soviet army fought. For the Russians, this is the borderland that can't be given up. Yes, no one is planning to invade Russia now. But the Russians know how fast intentions and capabilities change, and they wonder why the Americans and others are so concerned with having a pro-Western government in Kiev.

For the Ukrainians, who have rarely experienced sovereignty, this is their opportunity to chart their own course. For them, the Russians' need for a buffer is another way of saying Russian oppression of Ukraine. Of course, not all living in Ukraine see this as oppressive. They see the Ukrainian government as oppressing them, by tearing them away from their Russian roots. For western Ukrainians, these Russophiles are thugs trying to destroy the country. For the Russophiles, it is hypocrisy that Ukraine demands that its right to self-determination be honored, but it has no honor for the right to self-determination of the Russophiles.

It is a question of national self-determination, which is one of the foundations of modern Euro-American civilization and always becomes complex when competing nations all claim that right. Does Russia have the right to assure that it will never again have to live through an invasion? Does it have the right to do that at the expense of Ukrainian self-determination? To the extent that the West has involved itself, can it be said that Ukraine is truly free to determine its future?

And so an airliner was shot down and some 300 people died. It is hard to draw the connection between the abstract discussion of national rights and the debris and lives strewn around, but there is a connection. The plane would not have crashed if the question of national interest and national self-determination was not so important to so many people.

The same issue caused four children to be killed on a Gaza beach and a man to be blown apart by a mortar round in Israel. The Israeli Jews claimed a homeland in today's Israel. They were occupiers, but there is not a single country in the world that wasn't, in some way, founded by occupiers. Almost everywhere, there was someone there who was displaced or absorbed to make way for the current occupants. Every nation that exists was born out of some injustice. Consider the United States and Native Americans and slavery. Both were fundamental to America's birth, but the right of the United States to remain intact is not questioned. Look at Europe and the way it was reshaped by armies. Perhaps that happened centuries ago, but is there an expiration date on injustice?

At the same time, there was someone there before Israel. They were not annihilated as in the case of some nations that disappeared with the arrival of newcomers. They are still there, in Israel, in the West Bank and certainly in Gaza. This is the borderland between Israel and the Arab world, and it is filled, particularly in Gaza, by people who are claiming their right to a state. Some who want the creation of that state to include the annihilation, expulsion or absorption of Israel.

There are others who want a two-state solution. They are not really as thoughtful and reasonable as they would like to believe. A state divided in half by Israel would be peculiar to say the least. Could Gaza, a small place packed with people, and a distant West Bank ever become economically viable? And could the Israelis ever trust the Palestinians not to open fire on Tel Aviv from the few miles that would separate it from a Palestinian state? The Arab state would be an economic impossibility. The Israeli state would be at risk. Westerners are filled with excellent advice as to what the Palestinians should do and what the Israelis should do. But as with Ukraine, the Westerners are playing with peripheral issues, things that don't affect them personally and existentially. U.S. Secretary of State John Kerry is attempting to do good. But if he fails, his children won't live with the consequences.

And therefore, an endless and pointless debate rages as to who is right and who started the war in an infinite regression that goes back to times before any living Jew or Palestinian. This is the same as in Ukraine. Ukraine's history had been shaped by its relation to Russia. A debate can be held as to whether this was just. It really doesn't matter. Russia is there and needs things, Ukraine is there and needs different things, and the West is there providing advice, which if it fails won't directly affect it.

What ties Ukraine, Russia, Israel and Gaza together is that they are all fighting for their lives, or interests that are so fundamentally important to them that they cannot live without them. They are fighting for their nation and for that nation's safety in a world where unspeakable things happen and where the only ones who will defend you are your family, friends and countrymen, and where all the well-wishers and advice-givers will quietly take their leave if dangers arise. There is nothing easier and cheaper than advising others to get along. These conflicts are rooted in fear, and fear is always a legitimate emotion.

Others would have approached today by saying that the Russians are evil or the Ukrainians really the oppressors, the Israelis killers or the Gazans monsters. We are sure we will hear from many condemning our moral equivalency, by which they will claim that the only truly moral position is theirs. But this is not a moral equivalency that argues that Ukrainians and Russians, Israelis and Palestinians should therefore sit down and recognize that they really haven't got anything to fight over. This is a moral equivalency that says these people have a great deal to fight over, but that it is their fight, and that -- as when the Romans began wiping out Europe's Celts -- it will be settled by steel and not by kindly advice or understanding. The problem between these people is not that they don't understand each other. The problem is that they do.

And therefore an airliner crashed and reportedly some Americans, our countrymen, may have died. And yes, we would grieve for our countrymen before others, much as Russians, Ukrainians, Israelis and Palestinians grieve for their own. We are no better. But we live in a stronger and safer country for which we are grateful. It allows us to give advice and means we don't have to experience our misjudgments, even on a long sad day.

Editor's Note: An earlier version of this analysis stated that 23 Americans had reportedly died in the plane crash, but conflicting information has since emerged.

"Reflections on an Unforgiving Day is republished with permission of Stratfor."
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Cúpula dos BRIC – III: Um novo banco

Brics VI Governança, governança, governança. É só no que pude pensar quando ouvi a primeira vez que se pretendia criar um banco de fomento multilateral entre os países do BRICS e um Acordo de Contigência. Afinal, falamos aqui do ‘rico dinheirinho’ dos pagadores de imposto dessas nações, que será empregado. E dinheiro privado convertido em público pela via coercitiva dos impostos tem que ser muito bem gerenciado, ou pelo menos deveria ser.

A negociação para criação efetiva do Novo Banco de Desenvolvimento – NBD não foi fácil e nem poderia ser em se tratando de um compromisso concreto entre países tão distintos em ambições e poder.

O governo brasileiro estava pressionado por uma necessidade de mostrar algum resultado em Política Externa, onde ataques veementes são feitos ao período Dilma. A Rússia precisava demonstrar que não está isolado pelas sanções (pífias) de EUA e EU, assim ficou aberto o caminho para que a sede do banco fosse para o núcleo dos BRICS que é a China e ainda com a conveniente desculpa de que Xangai é um centro financeiro, “par excellence”, o que de fato pode sim ajudar a recrutar pessoal técnico para compor o quadro de funcionários desse banco e para que a presidência do Banco fosse para a Índia, o Brasil ficou com a presidência do Conselho de Administração e a Rússia com a presidência do Conselho de Ministros.

Para ser efetivo e proteger o dinheiro dos pagadores de imposto o NBD precisará de regras claras e de procedimentos de devida diligência e corpo técnico capaz de avaliar os projetos e as condições de pagamento dos proponentes. O ideal é que isso se faça com máxima transparência e que os critérios façam sentido político, social, ambiental, econômico, etc. e o acordo fala, de fato, em transparência e acesso a informações, mas é claro, resta observar como será a prática. E, dado o histórico dos países membros e a opacidade e o alto grau de intervenção política em decisões técnicas que conhecemos dos sócios do NBD será preciso muita atenção ao desenho institucional dado a esse banco e para isso é importante observar além das versões oficiais vendidas a nós.

Quando ao Fundo de Contigência, reproduzo aqui trecho de reportagem de Maria Arraes, no Valor Econômico:

“Os montantes anunciados para o acordo contingente de reservas, US$ 100 bilhões (China com US$ 41 bilhões, Brasil, Índia e Rússia, com US$ 18 bilhões e África do Sul com 5 bilhões), são relevantes para a prevenção de crises de balanço de pagamentos nesses países? O acordo prevê que o acesso da China estaria limitado à metade do montante comprometido, e que Brasil, Índia e Rússia poderiam sacar até o montante total de seu compromisso, enquanto a África do Sul, o dobro. Os valores anunciados representam entre 3 e 4 vezes as respectivas quotas no FMI e no, caso brasileiro, menos de um quarto do déficit em conta corrente dos últimos doze meses.

A governança do Acordo Contingente Brics procura equilibrar as diferenças de tamanho e poder econômico dentro do grupo pois parte delas é por consenso. Se por um lado esse equilíbrio é positivo, por outro, pode levar a um engessamento do mecanismo em termos de sua evolução estratégica. Já a decisão sobre utilização dos recursos, por maioria simples do poder de voto dos países que estão fornecendo recursos, poderá resultar em assimetrias de poder dentro do grupo, principalmente a favor da China.”

É auto-evidente que o Banco e o Fundo existem como necessidade política de demonstrar a capacidade de ação e concertação do grupo BRICS e faz parte de uma política comum desse grupo, que é reformar as instituições de Bretton Woods para que reflitam o que esse grupo percebe como alteração estrutural na distribuição de poder no Sistema Internacional.

Mas, é um desenho oneroso para o Brasil que tem baixa poupança e capitaliza seu próprio banco de desenvolvimento (BNDES) com emissão de dívida, e isso deveria colocar a questão do Banco na ordem do dia da discussão política, contudo, a política externa é questão marginal no debate político, bem como assuntos técnicos, que são dragados ao maldito flaxflu do “petralha x tucano”.

Esse avanço institucional dos BRIC não pode mascarar que o grupo é nucleado pela China (70% do PIB do bloco) que tem laços fortes com todos os membros e os demais membros têm laços bilaterais bem frágeis e de perfil menor. E não há nenhuma iniciativa prática para dirimir isso, por exemplo, com medidas de livre comércio, aliás, isso explica o segundo plano que os empresários estão como bem demonstrou a postagem da Sophia Mesquita.

A boa gestão e a eficiência nos projetos de financiamento serão fundamentais para que os objetivos políticos do bloco sejam alcançados e para que o dinheiro dos pagadores de impostos seja preservado (uma vã esperança?). E esse desenho institucional e as regras de financiamento podem também demonstrar se há mesmo uma política eficaz de financiamento a projetos que seja tipicamente emergente ou se haverá uma adequação a modelos próximos dos praticados pelo Banco Mundial. Governança, governança, governança...

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Cúpula dos BRICS – II. Encontro Empresarial dos BRICS, por Sophia Mattos Mesquista

Brics-fortalezaI Abaixo o relato de uma competente internacionalista (e colega de geração na UCB) Sophia Mattos que opera no comércio exterior sobre o Encontro Empresarial dos BRICS. E dá a perspectiva de alijamento (e também o baixo engajamento) dos empreendedores e empresários do processo dos BRICS e em parte isso mostra o que costumo chamar em minhas palestras e textos de falta de “dentes” desse grupo, ou seja, falta de profundidade e integração das sociedades.

Muita conversa, pouca ação

por Sophia Mattos Mesquista*

Boa comida, muita conversa e pouca ação. Assim se resumiu o Encontro Empresarial dos BRICS, realizado ontem (14/07), em Fortaleza, por ocasião da VI Cúpula do grupo. Com um esquema de segurança impecável, um visual luxuoso e inúmeras presenças internacionais de peso, o encontro prometia.

A despeito da eloqüência dos expositores, as palestras do Fórum Empresarial mais pareciam uma tentativa de preencher agenda, do que discutir temas relevantes de interesse da classe empresária presente. Houve um atraso na programação, o que estendeu as palestras para além do intervalo do coffee-break. No entanto, isso não intimidou os participantes que, no momento em que foi servido o “lanche”, se retiraram da sala e não se preocuparam em deixar os próximos palestrantes falando para um salão quase vazio.

Findas as palestras, seguimos todos para o salão onde ocorreria o Business Networking, que seria o ponto alto do evento para aqueles que, como eu, esperavam sair dali com alguns negócios na manga. Há poucos meses a Federação das Indústrias do Estado de Ceará (FIEC) havia organizado um encontro de negócios com os países da União Européia que, apesar de discreto, proporcionou aos participantes boas parcerias. Portanto, apesar do marasmo das palestras, a expectativa de fazer negócios permanecia alta.

O Business Networking era composto por 10 ilhas setoriais, que eram os locais reservados para a realização de encontros de networking simultâneos entre empresários interessados em um mesmo setor. De acordo com as regras estabelecidas pela organização do evento, cada empresa poderia participar de, no máximo, 2 ilhas setoriais, nos horários indicados na agenda de encontros. Seriam realizados 3 ciclos de encontros com duração de 30 minutos cada.

No local, havia um salão maior, onde estava sendo servido um elegante coquetel, com comida e bebida da melhor qualidade. O clima de descontração se estendeu à sala do Business Networking. Havia pouquíssimos empresários nas ilhas e quase nenhuma discussão relevante. Parecia que a maioria estava ali reencontrando velhos conhecidos. Outras salas estavam reservadas para participantes de “crachá azul” e ali sim, parecia haver discussões de peso.

É inegável a força e a relevância dos BRICS no cenário internacional. Acredito que a classe empresária presente no evento de ontem, estava ali como mera expectadora, partícipe de uma fatia mínima do universo de grandes decisões que permeiam este grande encontro.

____________

* Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Brasília (UCB), pós-graduada em Logística Empresarial na Fundação Getúlio Vargas e atualmente cursando MBA em Gestão de Negócios pelo Ibmec. Com experiência de mais de 10 anos na área, esteve presente em negociações internacionais na China e na Europa. Atua no setor privado, na área de importação para o mercado da construção civil.

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Cúpula dos BRICS – I

DilmaPutin A Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 se foi, mas um novo convescote de proporções globais chegou ao nosso litoral (na linda Fortaleza), claro o título dessa postagem já entrega que trato da VI Cúpula dos Chefes de Estado dos BRICS.

Esse ajuntamento de países parece estar obstinado em realmente se tornar um bloco e com a tentativa de UE e EUA de isolar ou no mínimo constranger as ações de Putin, essa cúpula é uma bela demonstração da impossibilidade dessa estratégia. O Fundo de equalização e o Banco dos BRICS parecem iniciativas concretas e que se coadunam com as estratégias que o gigante chinês estar a usar na Ásia.

Mas, o desafio dos BRICS vai muito além da reforma da governança financeira global, os membros do bloco abrigam em suas fronteiras nada mais, nada menos que 60% das pessoas em condições análogas a escravidão no planeta. Abaixo vai um texto meu de fevereiro que trata desse assunto que não se iludam nos impacta a todos.

Escravidão moderna: Um grave problema humano

Em minha rotina de leitura de jornais e das redes sociais me deparei com um texto desses que quando você termina de ler, você se sente mal e com sérias dúvidas se as coisas evoluirão na humanidade. Falo da crônica de João Pereira Coutinho sobre o filme 12 anos de escravidão.

O tráfico seres humanos e escravidão moderna são problemas graves e que afrontam a dignidade coletiva da humanidade, tanto que há séculos existe um movimento continuo que nasce no movimento abolicionista e persiste até hoje no combate a escravidão.

João Pereira mostra em seu artigo que a causa abolicionista e anti-escravista acaba sendo vítima das divisões e paixões ideológicas que em parte resultam na percepção que Direitos Humanos seria uma causa eminentemente de esquerda, o que é claro é em si uma mistificação ideológica.

Não é que o tema seja ausente do debate internacional, afinal, existem diversas convenções tratando da questão, em especial, no combate ao tráfico internacional de mulheres com vistas a prostituição.

No artigo João Pereira nos informa acerca do Global Slavery Index produzido pela Walk Free Foundation. Ao navegar pelo Index conseguimos os seguintes números de escravos estimados, por país:

Existem em torno de 14.000.000 de escravos na Índia, 220.000 no Brasil, 540.000 na Rússia, 3.100.000 na China e 47.000 na África do Sul. O que significa que os BRICS possuem um total, estimado, de 17.907.000 de escravos, ou aproximadamente 60% dos escravos do planeta.

E o que é um escravo moderno no contexto desse índice?

Slavery is the possession and control of a person in such a way as to significantly deprive that person of his or her individual liberty, with the intent of exploiting that person through their use, management, profit, transfer or disposal. Usually this exercise will be achieved through means such as violence or threats of violence, deception and/or coercion.

Essa definição não é a encontrada nos tratados, mas parece capturar com exatidão essa prática, que ainda viceja no mundo dito moderno.

Essa não é uma questão de direita ou de esquerda ou de qualquer outra divisão política, essa é uma questão humana e talvez não seja a temática que os líderes procuram para dar unidade ao grupo, mas espero que num desses grupos de trabalho exista um que possa contribuir para a troca de experiências no combate a escravidão que leve a uma acelerada queda nesses números indecorosos, mas pode ser que eu esteja a esperar demais.

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Sobre EUA e Alemanha. Atenção a isto, por Francisco Seixas da Costa

Was2688148 Nesses tempos de crise na Eurásia e uma crescente sensação de ameaça russa no Leste Europeu, com denúncias de infiltração de Moscou nos partidos europeus e até mesmo nas decisões de Bruxelas, não espanta que a CIA ande querendo saber mais do que os europeus, mais precisamente os alemães pensam e planejam, mas o esquema mundial de espionagem no atacado denunciado pelo Snowden deixou conseqüências tamanhas que até mesmo a Alemanha, aliada dos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial (pelo menos sua parte ocidental, antes que venham me corrigir), não pode ignorar e retaliar secretamente essa tentativa de invasão de seus serviços de inteligência.

Francisco Seixas da Costa, o ex-embaixador português (a quem muito admiro e transcrevo) chama a atenção para esse estremecimento de relações que pode ter danoso aos interesses dos Estados envolvidos. É tema interessante para mantermos nossa atenção.

Atenção a isto!

Por Francisco Seixas da Costa

A Alemanha acaba de considerar "persona non grata" o chefe dos serviços de informação americano destacado no seu território. Esta notícia é verdadeiramente importante e pode ter consequências que importa seguir.

Tudo indica que poderemos estar no início de uma pequena crise para a resolução da qual vai ser necessária muita diplomacia e um ainda maior bom senso. Não é vulgar um gesto deste género entre países aliados, o que prova a seriedade das imputações que Berlim faz à ação da "intelligence" americana dentro do seu país.

Os serviços secretos alemães são de excelente qualidade e a sua boa ligação a Washington era proverbial. Curiosamente, o serviço de informações externas alemão, o BND, deve a sua formação aos americanos, que, em 1945, recrutaram para tal um colaborador destacado da Abwer (a espionagem militar nazi), Reinhard Gehlen, dado o seu conhecimento profundo do novo adversário dos aliados ocidentais, a União Soviética. Gehlen foi detido, enviado para os EUA, tendo regressado depois à RFA onde, a partir de 1968, se tornou no "patrão" dos serviços alemães de espionagem. Salvo pequenas dissidências no quadro da "Ostpolitik" de Willy Brand, fruto das suspeitas de infiltrações da Stasi (espionagem da Alemanha Oriental), o relacionamento do BND com a comunidade de informações americana foi sempre muito positivo (escrevo sem suporte bibliográfico, porque toda a minha "literatura" sobre esta matérias já está na Biblioteca Municipal de Vila Real).

A confirmar-se, a crise de hoje ficará como um momento histórico nas relações entre os EUA e a Alemanha. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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Brasil 2014: Torcedores atônitos

O que se passou ontem, no estádio do Mineirão, será dissecado pelos especialistas em futebol, em esporte. Detalhes dos bastidores virão a tona e com alguma dose de esperança os rumos serão corrigidos. Derrotas são normais, mas com o dilatado placar de ontem não é comum e normal.

Detesto politizar o esporte, mas os políticos, ah eles não resistem a ‘pegar carona’ quando sentem que as coisas vão bem, agora se sentem obrigados a tentar “descolar” da Copa. Mas, será difícil depois de tanta ênfase dada pelos líderes do governo e pela sua militância virtual.

A foto abaixo resume tudo, numa pose forçada.

Dilma-eh-tois

PS: Os comandantes do futebol brasileiro, conseguiram humilhar ainda mais a história do futebol brasileiro com a atitude de expulsar o capitão do Penta do vestiário da seleção.

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EUA, Alemanha, revistando um texto sobre espionagem internacional

Spyxspy A Alemanha está em crise diplomática com o EUA, por conta da prisão de um agente dos serviços de inteligência alemães que vendia segredos para os EUA. É claro, que um caso de espionagem que chega a público é complicado para os governos em questão, ainda mais, depois de todo o escândalo desencadeado por Edward Snowden.

Escrevi ano passado um texto sobre a espionagem americana ao Brasil que julgo ser apropriado ao caso atual entre Alemanha e EUA, principalmente a linha final (mas, tem que ler tudo, rs).

Espionagem internacional

“É isso aí, Dilma: num dia você é Palocci, no outro Francenildo.”

Flávio Morgenstern

Em novos desdobramentos do escândalo de vigilância massiva por parte da National Security Agency (Agência de Segurança Nacional, do EUA) – NSA foi revelado que os presidentes de Brasil e México e suas equipes de governo foram alvos de espionagem e que os agentes de inteligência estrangeiros tiveram acesso aos meios eletrônicos de comunicação dos dois governos.

A espionagem é parte integrante da vida das nações, desde muito antes do advento do Estado-Nação nos moldes Vestfalianos que hoje conhecemos, de fato o grande estrategista chinês Sun Tzu em sua celebrada obra a “A arte da guerra” dedica um capitulo inteiro sobre o uso desse recurso que ele classifica como “um dos tesouros do soberano” e vai além em seu elogio a prática da espionagem: “É engenhoso! Verdadeiramente engenhoso! Não há lugar que a espionagem não tenha sido aplicada”.

Muito embora, a prática da espionagem seja realidade do sistema internacional ser pego no ato, ainda mais de uma nação aliada é extremamente embaraçoso, por que explicita ao público em geral a realidade de que Estados são desconfiados quanto aos planos e motivações dos aliados, outra consequência é minar as estratégias de soft power ou smart power ao alienar as correntes de opinião pública favoráveis ao estado que espiona.

Ao se tornar público e notório que o Brasil foi espionado, retira-se do governo muito de sua margem de manobra, posto que uma política simpática aos EUA (mesmo que pautada em Interesse Nacional), ou de cooperação passará a ser vista como submissão, ou ainda como resultado de algum tipo de segredo escuso obtido pela vigilância. E no caso do partido que atualmente ocupa o Planalto, qualquer reação que não seja pública e percebida como dura corre o risco de alienar o apoio da base do partido, o que a pouco mais de um ano das eleições seria péssima notícia para presidente Dilma.

Nenhum país vai a guerra com a maior máquina militar jamais vista pela humanidade (não é invencível, mas é formidável) por que foi espionado. A resposta brasileira deve vir em forma de protecionismo (como fizeram os franceses, por exemplo) e com uma aura de superioridade moral. No campo público o governo brasileiro exigiu explicações oficiais por parte da Casa Branca e se aventa a suspensão de viagem que a presidente faria aos EUA.

Sun Tzu assevera na obra citada acima: “É fundamental desmascarar os agentes inimigos que te espiam”, recomendação que se torna cada vez mais difícil a medida que evoluem as técnicas de vigilância remota e de invasão de sistemas de computador.

Esse episódio pode ser uma oportunidade para reformar as práticas de segurança da informação do governo federal, por que restou provado que as medidas em uso são inócuas e a própria mandatária foi espionada, o que é inaceitável. E suscita a pergunta onde está a contra-inteligência brasileira?

Parafraseando Alexis de Tocqueville, os problemas da tecnologia se resolvem com mais tecnologia, isto é, se o governo pretende evitar que novas violações de suas comunicações ocorram será preciso além de instaurar uma verdadeira cultura de proteção de dados, também capacidade técnica para tentar coibir a ação de governos estrangeiros e outros grupos.

Nesse escândalo de espionagem fomos pegos de calças curtas, juntamente com os americanos.

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O terceiro reich: uma construção linguística, por Guilherme Carvalho

goebels Conheci Guilherme Carvalho quando fui à Goiânia para palestrar no II EACRI e chamou a minha atenção a paixão que ele falava sobre um artigo seu aprovado para apresentação, naturalmente pedi um resumo para compartilhar com vocês. Não é a linha de pensamento que eu sigo, mas esse é o “barato” da pluralidade de ideias. Leiam o excelente texto do Guilherme.

O terceiro reich: uma construção linguística

Por Guilherme Carvalho*

O terceiro reich, como uma das maiores catástrofes nos mais diversos âmbitos da sociedade contemporânea, surgiu através de uma série de fatores sociais, econômicos e filosóficos. Mas a adesão ao ideal do nacional socialismo, como ideologia, movimento social e estilo de vida, só conseguiu a adesão das massas, através de uma série de fatores exógenos expostos para a sociedade (bandeiras, uniformização e padronização de comportamento). Esses fatores exógenos por sua vez, são a materialização dos fatores endógenos (crenças, credos e ideologia). A transmissão das ideias, e sua consequente materialização acontece sob o prisma da linguagem falada.

Um importante fato a se destacar, é o discurso, como mobilizador da massa alemã. Segundo Ferreira (2008) A propaganda e o discurso são a principal arma para a “Servidão Voluntária”. Nesse sentido, compreende-se que a linguagem, seja ela escrita ou falada, teve o poder da mobilização e da completa entrega de uma determinada parte da sociedade, em prol de algo que acreditaram ser a salvação de todo um povo. Essa ideia de salvação, também foi criada por meio da fala, onde o ato de se dizer constitui uma realidade. A fala é obra da inteligência teórica, em seu verdadeiro sentido — é a sua expressão exterior. Sem a linguagem, os exercícios de memória e de imaginação são manifestações diretas (Hegel 2001, p. 113).

O domínio coercitivo realizado pelo nazismo em suas mais diversas esferas de atuação dentro da sociedade e do Estado alemão era transmitido pela fala. Fala essa que expressava corporalmente e sonoramente toda a coerção e a tensão que queriam passar para a sociedade. Para Klemperer (2009) o domínio absoluto que o nazismo exerceu sobre a normatização da linguagem se estendia ao âmbito da língua alemã, fazendo dela seu instrumento. Klemperer ainda ressalta que o estilo do ministro Goebbels não discernia a linguagem do discurso, para com a linguagem dos textos, por isso declamava, declamar significa literalmente falar alto sem prestar a atenção no que se diz.

Todo o ideal pregado pelo partido nazista se materializava na forma de Hitler e seus discursos como a “voz divina” que deveria ser ouvida pelo “povo escolhido”. O Fürher que por sua vez se pregava o salvador da Alemanha, e o construtor do Terceiro Reich, acabava sendo porta voz de uma verdade única, sem contestação. Nesse sentido, Chauí (1980) nos mostra que O discurso ideológico é coerente e racional porque entre suas “partes” ou entre suas “frases” há “brancos” responsáveis pela coerência. Assim, ela é coerente não apesar das lacunas, mas por causa ou graças às lacunas. Da mesma forma os discursos de Hitler se tornavam extremamente coerentes, justamente por haverem essas “lacunas” que tratavam de serem preenchidas pela imagem e a propaganda em torno de Hitler, sem contestações.

Para Wittgenstein (1921) para mostrar o que deve ser mostrado além do discurso, é preciso falar, ainda que a fala seja absurda. E no regime nazista, quem detinha o poder da fala, era apenas o partido, o partido que por sua vez controlava todos os meios de linguagem, escrita, impressa, visual, ou falada. Dessa forma, devido a falta de um discurso contrário, houve uma facilidade de manter a massa inerte em relação ao que acontecia dentro do Estado. Klemperer (2009), mostra que o nazismo, embrenhou na carne e no sangue da massa, por meio das palavras, expressões, que foram impostas e repetidas milhares de vezes, e foram aceitas conscientemente e mecanicamente.

Dessa forma é possível concluir que o nazismo usurpou o meio de transmissão dos fatores endógenos, para suas respectivas matérias exógenas. Controlando assim as mentes por uma falta de discursos opostos, e também pela proibição da exalação dos sentimentos e ideias contidas no mais íntimo das massas. Portanto, o nazismo foi um fenômeno criado por um determinado grupo, conduzido pela linguagem (além de privatizar a mesma) e se materializou levando o mundo ao maior horror do século XX.

Bibliografia

CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. Editora Brasiliense – coleção primeiros passos, Brasília – Df, 1980.

HEGEL, Friederich. A Razão na História Uma Introdução Geral à Filosofia da História. Centauro Editora, São Paulo – Sp, 2° edição, 2004.

KLEMPERER, VICTOR. Lti - A linguagem do terceiro reich. Editora Contraponto, Rio de Janeiro – Rj, 1° Edição, 2009. ISBN: 978-85-7866-016-1.

WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophieus. Companhia Editora Nacional - Editora da USP, São Paulo - Sp, Vol. 10, 1921.

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* Aluno de graduação em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Foi diretor de finanças do Centro Acadêmico Sérgio Vieira de Melo, Responsável pelas finanças da instituição, além de membro do corpo decisório. Co-fundador do Projeto Panorama, projeto esse que visa trazer o debate entre acadêmicos, políticos e empresários sobre os mais diversos assuntos. Atualmente engajado em um projeto de pesquisa na linha de:A identidade coletiva regional no sistema internacional contemporâneo: a América do Sul e os países árabes frente a nova ordem multipolar. Com foco da pesquisa voltado para: A participação da América do Sul na formação e reconhecimento do Estado Palestino.

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A “Branca”, por Francisco Seixas da Costa

cerebro Alguns amigos elogiam minha memória para detalhes de conversas passadas, e de outras minúcias que pelos mistérios (pelo menos pra mim) da anatomia e funcionalidade cerebral vão se fixando. A memória é fundamental nesse negócio cheio de vaidades pessoais que são as relações internacionais, mas é justamente no seu aspecto mais fundamental para o networking que é lembrar o nome e a fisionomia das pessoas que a bendita me trai. Abaixo trago uma divertida história do embaixador português Francisco Seixa da Costa, que improvisa para sair da saia-justa provocada pela falha da memória. Quantas vezes eu empreendi o mesmo esforço.

A "branca"

Por Francisco Seixas da Costa

Vi há dias uma fotografia do dr. Fernando Nogueira, presidente da fundação BCP. E recordei alguém que, depois de saído da liderança do PSD, vai para vinte anos, se remeteu a uma discreta vida profissional, abandonando por completo a vida política.

Conheci-o pessoalmente em Londres, no início dos anos 90, ao tempo em que desempenhava as funções de ministro da Defesa e era uma das figuras mais marcantes do universo social-democrata. Numa das suas passagens pela capital britânica, coube-me acompanhá-lo ao aeroporto, onde havíamos reservado, como era da praxe, uma sala na respetiva área VIP, destinada a passageiros ilustres. Lá chegados, e após termos ultrapassado as barreiras de segurança, sempre invocando o nome da embaixada, dirigimo-nos ao balcão de atendimento.

Com o ministro ao meu lado, informei quem eu era, indicando que estava a acompanhar o ministro português da Defesa. A funcionária inquiriu qual era o nome do ministro. Foi nesse instante que tive una "branca" e o nome de Fernando Nogueira se me varreu por completo da memória. Fosse o cansaço ou a noite mal dormida, a verdade é que o nome não me ocorria. O meu embaraço era total. O ministro já olhava para mim, intrigado, e a funcionária aguardava a minha resposta.

- Desculpe! A reserva da assistência foi feita pela embaixada de Portugal, já lhe disse que se trata do ministro da Defesa, por que diabo precisa também do nome?

A senhora mirava-me, surpreendida com a duvidosa racionalidade da minha reação. E o ministro também:

- Porque lhe não diz o meu nome?

Tentando ganhar tempo, avancei então com uma "criativa" justificação, completamente tonta e até pesporrente:

- Senhor ministro: esta gente tem de perceber que deve funcionar com base na informação que é essencial. Imagine que era um nome chinês! Que interesse é que ela tinha em ouvir uns sons estranhos numa língua ainda mais estranha? Basta-lhes a embaixada e o título da pessoa!

O peso deste meu imaginativo argumentário de ocasião estava a começar a esgotar-se. E, na crescente atrapalhação, fui-me inclinando sobre o balcão, tentando ler, ao contrário, a folha que a funcionária tinha diante de si, com todas as reservas dos compartimentos da zona VIP. Por sorte, consegui descortinar a palavra "Portugal" numa das linhas. Então, com grande "autoridade", estendi o indicador e apontei-lhe a linha:

- Look! It's there!

- Mr. "Nóguêra"?

- That's right!

Ao meu lado, o ministro Fernando Nogueira, um homem cordialíssimo e de sereno sorriso, devia estar intimamente a pensar como é bizarra essa espécie profissional que são os diplomatas.

Nunca tive oportunidade de lhe revelar este episódio. Quando isso acontecer, acho que vai achar graça.

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STRATFOR: The Sunni Ramadan Offensive and the Lessons of Tet

Mideast Iraq E quando você está preparando um texto, procurando elementos para substanciar uma “sacação” que você teve no banho: “Esse avanço do ISIS não lembra a ofensiva do Tet?”, você entre um trabalho e outro (e uma olhadela e outra na Copa do Mundo) abre seu e-mail e descobre que o Stratfor está divulgando uma análise com sua premissa?

Bom não resta solução além de transcrever o texto e o acrescentar como elemento de reflexão na busca de uma análise própria, por que a verdade é que esse negócio de compreender o mundo é um esforço colaborativo, mesmo sozinho no seu escritório.

O texto é replicado com permissão expressa dos autores, no seu original em língua inglesa.

The Sunni Ramadan Offensive and the Lessons of Tet

Por George Friedman

In February 1968, the North Vietnamese Army and the Viet Cong launched a general offensive in Vietnam during Tet, the Vietnamese New Year. From mid-1966 onward, the North Vietnamese had found themselves under increasing pressure from American and South Vietnamese forces. They were far from defeated, but they were weakening and the likelihood of their military victory was receding. The North Vietnamese decided to reverse the course of the war militarily and politically by marshaling available forces, retaining only limited reserves and going on the offensive throughout South Vietnam.

The attack had three strategic purposes. First, the North Vietnamese wanted to trigger a general uprising against the Americans and the South Vietnamese government. Second, they wanted to move the insurgency to the next stage by seizing and holding significant territory and resisting counterattack. And third, they wanted to destabilize their enemy psychologically by demonstrating that intelligence reports indicating their increasing weakness were wrong. They also wanted to impose casualties on the Americans at an unprecedented rate. The American metric in the war was the body count; increasing the body count dramatically would therefore create a crisis of confidence in the U.S. public and within the military and intelligence community.

General Offensives and Crises of Confidence

From a military standpoint, the offensive was a failure. The North Vietnamese military was crippled by its losses. While seizing Hue and other locations, the North Vietnamese were unable to hold them. But they succeeded psychologically and politically by raising doubts about U.S. intelligence and by creating a political crisis in the United States. In war, perception of the enemy's strength and will, and confidence in your own evaluation of those things, shifts the manner in which one fights. The U.S. intelligence estimate before Tet was more right than wrong, but by marshaling all forces for a general offensive, the North caused U.S. trust in that evaluation to collapse. Even though the North Vietnamese were militarily far weaker after the offensive, the military failure proved less relevant than this creation of a crisis of confidence.

The use of a general offensive to reverse military decline is not unique to Tet. The Germans did the same in their offensive in 1944 at the Battle of the Bulge. While the Germans also had a military intent, their psychological intent was as important. Before the battle, the Allies thought the Germans were finished. They were, and so the Germans had to show they still had power. They accordingly threw their reserves into a battle to break the Allies' nerve.

When launched at a time when it is assumed it could not be launched, the general offensive is a powerful weapon. Such an offensive is now underway in Iraq. When we step back, we see a broad offensive by Sunni jihadists underway in a range of countries. In Afghanistan, a massive summer offensive is underway in parts of the country once regarded as secure. To the south, the Pakistani Taliban launched a major offensive a few weeks ago that sparked a Pakistani counteroffensive, putting the Pakistani Taliban on the defensive. In Syria, while the Islamic State (formerly known as the Islamic State in Iraq and the Levant) has not surged, it also has not declined. Southern Jordan has meanwhile seen clashes between jihadists and government forces. In the Palestinian territories, Hamas has announced, though not launched, a third intifada. To the west, Egypt is experiencing terrorism, while in Libya jihadists have asserted themselves in various ways.

The Question of Coordination

Like the Vietnamese and Germans, the jihadists have, broadly speaking, been on the defensive in recent years, and in many cases they had been dismissed as broken. They differ from the Vietnamese and Germans in the sense that they do not constitute a single force. The question remains, however, whether there has been coordination between these offensives. Clearly, the Jordanian, Syrian and Iraqi offensives are linked. Not so clear is whether they are operationally linked to events in Afghanistan and Pakistan or North Africa. To the extent there was coordination, it would have come from Saudi Arabia. As one might imagine, Saudi actions are deliberately murky, so it is difficult to establish anything definitive here. But the Saudis are most threatened by the prospect of a U.S.-Iranian entente. The Saudis also find the jihadists useful for domestic political purposes and as a lever to maximize regional Saudi influence.

There are small hints here and there of coordination, such as this video. But mysteries always have small hints that one can pretend combine to prove something. So far, we see nothing definitive indicating overall coordination. But in a certain sense, it doesn't matter. These uprisings have occurred close enough to each other that they have had the same effect regardless of whether they were coordinated -- giving rise to a sense that the situation in the region is destabilizing dramatically and that jihadist strength has been underestimated.

In a sense, there was no need for coordination because in each theater jihadists were responding to the same three processes. First, there was the increasing evidence that the United States is drawing down its forces such that the door is open to broader jihadist military action. Second, American negotiations with Iran have created a fear among Sunnis, including in Saudi Arabia, that the entire political structure of the region is about to tilt massively against them. And third, Afghanistan, Iraq, Egypt and even Syria all saw recent elections intended to create lasting regimes unfriendly to the jihadists. Within the past few months, these factors combined to force action by the jihadists with or without overt coordination.

Redefining Politics

Jihadists in particular -- and many Sunni populations in mixed countries like Iraq -- either individually, regionally or in coordination launched an offensive designed to make their military power appear as large as possible and thereby redefine politics in areas where their political influence has declined in recent years. Iraq is the most obvious example of this.

The country is divided into three regions. The Shia, the largest group, control the Baghdad government and massive oil reserves in the south. In the north, the Kurds are well-organized and well-defended and also control oil supplies. The Sunnis have little access to oil, are smaller in numbers than the Shia and have become increasingly marginalized since the creation of the post-Saddam Iraqi government. Given that a new government was being formed after recent elections with the same structure as before, the Sunnis had to throw their reserves into the battle. If taken seriously, the threat of a Sunni military force that can seize the country gives the Sunnis a seat at the table, both politically and economically.

From news reports, it would appear that a massive Sunni army is marching in the country -- exactly the image the Islamic State wants to portray. The reality is more modest. This is less an invasion of Shiite or Kurdish territory than an uprising within the Sunni regions in favor of the Islamic State, which is limiting itself to consolidating power within the Sunni region. It is not clear how the group will cope if the Shia reorganize their military and strike north and west or if the Kurds were to attack. Still, the Sunni offensive has hit Iraqi Shiite self-confidence hard. Shiite self-confidence could shatter, or the Shia could draw together and counterattack. If the latter, the Islamic State might fight poorly or well against the Shia. The Islamic State hopes Shiite confidence collapses in the face of all this uncertainty.

This uncertainty has had the same effect on the Americans and Iranians that it has had on the Shia. Neither the United States nor Iran seems to have expected an attack of this magnitude. Both seemed to be operating on intelligence evaluations that made it appear that Iraq was stabilizing under a Shiite-dominated government and that the real issue was how to manage Kurdish oil sales. The Islamic State wants to make the United States and Iran wary of their respective intelligence estimates, and therefore wary of taking any political or military action in Iraq. So far, the Islamic State has succeeded in creating panic in Iraq and wariness in outside countries.

Gauging an Offensive's Success

We will soon start to learn if the general offensive has worked, destroying old assumptions and creating uncertainty. This will be measured differently in each country. Will the fighting in Jordan spread? Can the Afghan Taliban seize and hold territory as the United States draws down to limited forces? If the Pakistani military puts the Pakistani Taliban on the run but they survive, does their mere survival threaten the regime?

The general offensive from a position of weakness can work, but it takes a combination of fragmentation, indifference and misunderstanding. The Tet offensive is the classic success. The Bulge is the classic failure. The North Vietnamese made the American media vastly overestimate northern military strength. At the Battle of the Bulge, Patton was not impressed by the German offensive and urged that the Germans be allowed to roll on to Paris so as to burn up all their fuel. As with both earlier general offensives, first reports of jihadist military success should be taken with a grain of salt.

Evaluating the offensive will give us a better sense of Iraq as the Iraqi army tries to mount a counteroffensive. But we must not focus on Iraq: This is a broader general offensive from Pakistan to the Mediterranean, whether coordinated or not. Some theaters will see failure, others success as Tet did. And though Tet serves as an imperfect historical comparison, there is a powerful parallel: At a time when reasonable people thought that the fighting had been contained in Iraq and elsewhere in the region, they have discovered that there was no basis for that assumption. And that reminds us of Tet.

"The Sunni Ramadan Offensive and the Lessons of Tet is republished with permission of Stratfor."
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