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Confusão em Hormuz

Pelo menos desde 2009 que os meios especializados em geopolítica e analise estratégica militar apontam que a “real capacidade nuclear do Irã”* é sua capacidade de fechar o estreito de Hormuz.

Pelo estreito de Hormuz que separa o Golfo Pérsico do Mar da Arábia circulam 40% de todo o trafego de petroleiros do mundo, o que corresponde a algo como 90% do petróleo produzido no golfo.

Ao ler a primeira noticia sobre as ameaças iranianas de fechar o estreito caso uma nova rodada de sanções fosse aprovada contra esse país, no esteio de seus exercícios militares no referido acidente geográfico a primeira coisa que passou pela minha cabeça creio que foi a que a maioria dos que tem algum conhecimento de onde fica o estreito, ou seja, agora sim o preço do barril de petróleo chega nos 300 USD. Seria pensar nisso mesquinho?**

De fato são as conseqüências econômicas de um bloqueio nessa região o grande trunfo estratégico do Irã e por isso do uso da expressão “Real capacidade nuclear”, por que no atual contexto de crise grave na Europa, recuperação lenta nos EUA e desaceleração na China um aumento considerável no petróleo geraria conseqüências econômicas graves para todo o planeta e não tenham dúvidas os BRIC também seriam atingidos brutalmente, basta lembrarmos-nos do impacto dos choques do petróleo para que tenhamos um parâmetro das dificuldades a frente.

Há muito que um jogo geopolítico grave está desenhado no golfo pérsico um jogo que opõe duas potencias regionais aspirantes a potencia dominante nesse subsistema de poder, os dois atores que buscam essa supremacia são Irã e Arábia Saudita. Duas autocracias que derivam grande parte da sua sustentação dos setores religiosos mais conservadores e avessos a modernizações, que, contudo possuem interpretações religiosas conflitantes agravadas por afiliações sectárias e étnicas que acabam por concorrer para um estado de tensão permanente entre esses atores.

Essa rivalidade é uma das principais razões do peso estratégico que as monarquias autocráticas dão a aliança com os EUA e também explica –é claro, junto com todo o contexto de Guerra Fria – a aliança de um estado teocrático como o Irã com a extinta URSS.

O poderio que a superpotência restante mantém no Golfo é segundo analistas militares capaz de derrotar as forças navais do Irã, contudo isso seria a deflagração de um perigoso conflito numa região já bastante desestabilizada tanto por aventuras militares norte-americanas, como pelos ventos da chamada “Primavera Árabe”. Uma pergunta, então é inescapável por que o Irã sinalizou essa opção tão arriscada, que é o bloqueio do Estreito de Hormuz?

Consigo vislumbrar algumas possíveis respostas para essa pergunta. A mais óbvia é que o Irã está a demonstrar a melhoria de seus meios de combate, em especial de sua capacidade de operação de submarinos, afinal uma operação de bloqueio dependeria desses vetores e do emprego de mísseis. O teste de mísseis realizado hoje corrobora essa hipótese.

Em conjunto a operação serve ao público interno ao reforçar o caráter desafiador da revolução iraniana e ao demonstrar que esse espírito ainda alimenta a liderança política e militar. E pode servir para desviar atenção para os problemas internos, além dos aludidos problemas políticos e disputa de poder no seio do governo desta teocracia.

Terceira possibilidade que passa pela minha cabeça é uma saída a la Coréia do Norte, ou seja, vender um cenário de complicação e dificuldade para forçar uma negociação em termos mais vantajosos, ainda mais depois que a invasão da Embaixada Britânica, em Teerã. Essa estratégia ainda tem o beneficio adicional de excitar os “apoiadores” do Irã nas redes sociais que se regozijam com o suposto ato de desafio contra os “estadunidenses” (sic) e os sionistas.

É bem provável que os cálculos políticos do Irã misturem todos esse objetivos relatados acima e outros que ainda não vislumbrei. O que se pode afirmar com tranqüilidade é que sinalizar o bloqueio é um passo ousado por parte do Irã, de difícil implementação e que expões os ativos navais iranianos a grande risco.

E como sempre vou salientar que o calor dos acontecimentos não é bom conselheiro e versões oficiais não podem ser aceitas pelo valor de face. E, como sempre, também, busquem informação e formem sua opinião sobre o assunto.

Feliz Ano Novo a todos!

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*Termo de uso comum na publicação especializada STRTFOR, por exemplo.

**Longa, infrutífera e inútil discussão no Facebook.

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Uma mensagem de fim de ano

Mais um ano chega ao fim e isso enseja diversos rituais de passagem, talvez o mais delicado seja o balanço do ano que se encerra. Delicado por que essa avaliação pode ser contaminada pelos sentimentos desse período do ano, por exemplo, podemos nos deixar ser pessimistas demais quanto aos fatos do ano ou deixar o cansaço de um período puxado dar o tom da avaliação.

No que diz respeito a esse blog esse ano foi interessante, por um lado a audiência disparou por conta do interesse despertado pela chamada “Primavera Árabe” e pelos ataques de Oslo, bem como a morte de Osama Bin Laden. O fato é que entramos num patamar diferenciado de visitas, ainda que – para minha tristeza – não tenha isso se convertido em comentários. Mesmo assim esse ano a interatividade com os leitores aumentou em todos os meios tanto redes sociais como pelo velho e tradicional e-mail.

A série “Trabalhar com RI” extrapolou em muito o que previ de reação e confirma o que eu imaginava sobre a preocupação dos estudantes de RI com a empregabilidade.

Infelizmente esse ano uma série de dificuldades me fizeram produzir menos que a meta que havia estabelecido e não cheguei aos 300 textos. (não cheguei nem perto com pouco mais de 200).

No campo das relações internacionais creio que o ano foi marcado pelas dificuldades de coordenação diante de uma crise econômica generalizada, ainda que tenha razões distintas nas diversas regiões do mundo. Mas, fundamentalmente esse ano foi marcado pelo fenômeno das revoltas árabes e os fenômenos que tentam emular essa força como o tal movimento “occupy”.

Feito esse breve balanço do ano só me resta agora deixar meus votos de um feliz 2012 para todos nós.

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Série Especial: Trabalhar com Relações Internacionais: Trabalho nas Nações Unidas

O quarto texto da série “Trabalhar com Relações Internacionais” versa sobre uma opção de carreira que é muito ambicionado pelos que querem cursar RI e claro pelos graduandos e recém-graduados da área que é a oportunidade de trabalhar nas Nações Unidas.

A nossa autora convidada desta feita, a brilhante Vanessa Láuar, nos mostra de maneira didática os processos seletivos e como ela conseguiu esse emprego dos sonhos para muitos. Além disso, ela dissipa as crenças infundadas como “emprego na ONU só com indicação”.

Esse quarto texto nos mostra uma tendência clara e importante no mercado de trabalho, o valor da ética de trabalho, do compromisso. Sem mais delongas vamos ao texto que sei será muito útil a todos vocês.

O Trabalho nas Nações Unidas

Por Vanessa Láuar*

Nota explicativa: Há meses atrás o Mário (veterano querido e nobre dono deste blog)** havia me pedido um texto sobre o trabalho na ONU, especificamente no PNUD que é onde eu trabalho. Segundo ele, vários dos estudantes de RRII o procuram para conseguir essas informações. Por isso, eu o pedi que me enviasse as perguntas mais comuns para que eu pudesse fazer um texto mais direcionado aos leitores, conforme segue abaixo.

Desde que eu escolhi as Relações Internacionais como curso acadêmico (comecei em 2004 e conclui em 2008), sempre almejei um dia trabalhar nas Nações Unidas. Não foi fácil realizar o meu “sonho”, foram inúmeras entrevistas sem sucesso para finalmente receber um e-mail dizendo: “Prezado candidato, é com prazer que informamos que você foi selecionado para vaga supracitada...”.

E como eu consegui? Todas as vagas disponíveis no PNUD estão cadastradas no site www.pnud.org.br (Aba esquerda em Recrutamento), e, sabendo disso, eu o checava sempre para saber se havia alguma oportunidade condizente com a minha experiência profissional. E sempre aplicava para aquelas vagas em que eu me adequava. As outras agências também divulgam suas vagas em seus sites, para facilitar, os links seguem no final deste texto.

DICA: É importante ler atenciosamente o ToR (Termo de Referência, onde se encontram todas as especificações da vaga), para ver se o seu perfil se adéqua ao perfil solicitado, ou seja, se o ToR pede 3 anos de experiência e graduação concluída, e você tem 1 ano de experiência e ainda não é graduado, é muito difícil que passe pela primeira fase de seleção, a análise curricular. Se o seu perfil for compatível com a vaga, não se esqueça de preencher o Personal History Form (P11), disponível no site do PNUD, um currículo bem detalhado obrigatório para todos os postulantes. O não envio do P11 implica na desclassificação do candidato.

É importante esclarecer que, no Sistema ONU, as contratações não são feitas com base nas normas brasileiras (CLT), a carteira de trabalho não assinada, ou seja, não há 13º salário, 1/3 de férias ou FGTS. Temos vários tipos de contratos e cada um com sua peculiaridade, por exemplo:

Individual Contract (IC) – Geralmente usado para contratar consultorias. Baseia-se num contrato por tempo determinado e com objeto bem definido. Não há nenhum tipo de benefício ligado a este contrato.

Service Contract (SC) – Usado para contratar equipe de projeto. Também tem um tempo determinado, porém, o contratado tem o reembolso do pagamento de INSS e direito ao Plano de Saúde das NU.

Por fim, com um ano mais ou menos no PNUD, posso dizer que é uma experiência muito interessante e bem diferente de tudo o que eu já fiz! Mesmo trabalhando na área administrativa (agendamento de reuniões, preparação de correspondências, atas de reuniões, prestação de contas, arquivo, etc.), sempre tenho contato com os mais variados assuntos relacionados à atuação do PNUD. É uma experiência que tem valido muito a pena na minha vida profissional.

As vagas disponíveis no sistema ONU podem ser acessadas em: http://www.onu.org.br/tema/vagas/ ou então em cada agência/escritório individualmente:

PNUMA

UNESCO

UNFPA

UNICEF: Quem somos/Oportunidade de Trabalho

UNODC

ONUMulheres: (informações em notícias)

FAO

ACNUR

PNUD ou UNDP Jobs

UNITAR

OPAS

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*Pós-graduanda em Gestão de Projetos, graduada em Relações Relacionais, pela Universidade Católica de Brasília. Já foi professora de inglês, estagiária no Banco do Brasil e na Representação Brasileira do Parlamento do Mercosul; Assistente de Comércio Exterior, na Esag Assessoria; atualmente Assistente de Projetos no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

**NOTA DO BLOG: Tachado no original e não por um súbito ataque de modéstia desse autor. Sou forçado a dizer que morro de orgulho desses meus calouros.

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Série Especial: Trabalhar com Relações Internacionais: Defesa e segurança

Esse terceiro texto da “Série Especial: Trabalhar com Relações Internacionais” nos oferece uma visão um tanto distante da nossa realidade. E nos mostra uma dimensão de atuação para o profissional de RI muito interessante e como verão exige perícia e muita coragem.

É muito interessante a didática exposição dos serviços que nosso correspondente de hoje faz. Eu conheci o nosso convidado em acalorados debates sobre relações internacionais pela internet a fora.

Por motivos óbvios o nome desse autor TEM que ser omitido. Antevejo alguma celeuma por conta da contundência e das opções de vida feitas por ele, mas querem saber se há algo que eu admiro é alguém que “talk the talk and walk the walk”, ou seja, alguém que não seja hipócrita e esse é o caso do autor de hoje. As lições podem ser facilmente colocadas em nossas vidas. O nosso autor não sabe, mas em nossos embates acadêmicos em fóruns especializados eu reconheci um irmão “contrarianista”.

O texto é longo, mas muito proveitoso. (O título é meu, como a alcunha dramática que uso). Imagens meramente ilustrativas retiradas da internet com base no príncipio do “fair use”.

Lições de um caminho pouco trilhado

Por Guerreiro X.

Conto com o entendimento do leitor no que concerne minha identidade e detalhes. Certos aspectos de funções ambas exercidas e a exercer exigem sigilo quanto a meu nome e detalhes maiores ou mais aprofundados. Quando Mário sugeriu um op-ed sobre o assunto, fiquei abismado e lisonjeado, porém apreensivo, sobre como por sem expor, por assim dizer, no papel experiências bastante fora do comum em IR. Muitas destas são por demais específicas de minhas circunstâncias e fora da esfera da maioria dos leitores, porém creio algum insight pode ainda ser obtido, dando perspectiva de campos diferentes disponíveis (e necessários!) dentro de IR. O texto terá um, estilo um tanto jactante, escrevo como falo, e faz décadas que não escrevo formalmente em Português. Acredito o Mário em seus esforços para contribuir com certa edição de meus, às vezes crassos, deslizes. Muitos irão dar de ombros, outros irão se irritar, outros irão ficar entre curiosos e suspeitos. Espero poder ter alcançado minhas metas, de qualquer forma, e provocar questionamento. Caso Mário quiser voluntariar, eu voluntario responder perguntas roteadas por ele, relevantes, sem adereçar específicos de identidade ou violar OPSEC. Obrigado pela oportunidade, e seu interesse.

Inicialmente, eu gostaria de enfatizar quão importante é, para qualquer pessoa decidindo seguir Rel Intl, aprender línguas. Note o plural. Pelo menos um passável entender, não somente o comum de achar que, por que Português é "perto" de outras línguas latinas/romanas, chega "entender" Espanhol, ou ter ouvido o tal disco do Renato Russo e ter pescado meia dúzia de palavras. Isso é importante, pois corresponde o que há de mais importante em relacionamentos entre populações: PESSOAS. Documentos legais podem e deveriam ser traduzidos quando afetam ou implicam povos além fronteiras, mas entender pessoas é essencial. Avicena, creio, disse que o primeiro papel do acadêmico deveria ser estudar línguas.

Devo salientar, antes, que tenho uma percepção, confirmada por prática e observação, de que o que se chama "relações internacionais" no Brasil é meramente um sacode novo em "comércio internacional". Existe uma carência - ou existia uns dez a quinze anos atrás, porém eu não creio que tenha sido sequer percebida - absurda de ambos oferta e interesse em quaisquer outros assuntos que não sejam comércio, tarifas e outros teréns profundamente tediosos dada a natureza do jeitinho reinante. E para quem quiser posar de soberbo ou indignado e achar que isso é uma visão simplista, abra um jornal e faça uma vistoria de quaisquer negócios, grandes, pequenos, privados ou estatais sendo conduzidos. Aí conversamos. Voltando ao assunto, a deficiência em ambos oferta e interesse em cursos de assuntos outros que não comércio exterior segue a mentalidade do "tem que exportar" que assalta a gerência do país fazem décadas. Perdemos, dessa forma, duma inteira geração, a perspectiva HUMANA de relações internacionais.

Gosto de pensar que trabalho com segurança. No fim das contas, isso implica fazer malabarismo com percepções. Sim, se você não leu titios Guevara, Gyap, Marighella, Sun Tzu, van Creveld, e tantos outros (1) nem se preocupe em sequer pensar sobre isso antes. Creio poder opinar sobre o assunto, pois tomei passos que eu recomendo a todos que quiserem fazer qualquer coisa na vida: saia dos livros, pule de cabeça e arrisque, atreva-se. Após uns bons doze anos estudando RI, decidi por ação onde palavra somente existia, e fui ver o lado da lama, suor e sangue de segurança. Aos 32 anos, entrei para os serviços armados uniformizados Americanos, e fui parar no Iraq.

Permitam um desvio pessoal para explicar a perspectiva, já que creio muitos devem estar horrorizados com ambos estilo e como abordo o assunto.

Vivo, não somente "moro", nos Estados Unidos (U.S.), faz quase vinte anos. Uso nomenclatura não convencional para o Brasil. Prefiro deixar nomes de países o mais próximos possível do original, pois desprezo a mania Lusitana de entortar realidade para caber na visãozinha estreita deles. Por exemplo, "Iraq" é uma transliteração de como soletra-se, em Árabe, o nome do país, não IraqUE. Outros exemplos seguem mesma forma.

Cresci sob auspícios da "Salvadora", pegando o fim da infame ditadura estabelecida pelo Golpe, não "revolução", de 1964. Minha família foi alvo de perseguição bastante ativa pelos recursos de repressão política do governo de então. Tive uma experiência envolvida em movimento estudantil, tendo sido parte de AMES-RJ e UNE. Comecei faculdade no Brasil, UFRJ, idos de começo dos anos 90. Não foi RI, até porque nem se ofereciam, creio*, cursos. Par de anos após, fui arrastado, literalmente, pela família para ir morar nos U.S.. Em princípio, eu pensava serem todos gordos e burros demais lá, para eu sequer considerar mudar, o que havia sido confirmado por ir passar temporadas; família morava lá há um bom tempo, e fiquei no Br para estudar. A perspectiva de gordos e burros foi confirmada em sua maioria, porém não inerente à cultura, percebi isso depois. A malandragem do Gerson esquece que, quem vive bem, pois planeja, pensa e aplica, não deve ser ridicularizado por quem nem consegue sair da morrinha de República Banana em perpetuidade.

A grande diferença de morar "fora" é um abrir de horizontes. Diria que existe uma acomodação, mistura de inércia pura e covardia mesquinha, em todos, e isso só se quebra quando se sai da "casquinha" do ovo. Eu chamo de "síndrome de porteira". O mundo acaba ali na porteira da fazenda, uai. Basta pensar na ilusão que é raiz fundamental, essencial do Estado Nação: o Outro é Mal é o “somos melhores”. Demonizar é nos regozijar de quem achamos que somos. Se você, leitor e presumido estudante ou praticante de RI AINDA não percebeu isso, bem, eventualmente vai, ou a casquinha vence.

Fora as oportunidades óbvias, advindas dum mercado não atrofiado e uma cultura de responsabilidade fiscal e política (que vem, por sinal, declinando vertiginosa e alarmantemente, aqui nos U.S.), ousaria propor que as oportunidades de crescimento pessoal são as mais importantes em ter experiência em viver no exterior. Enquanto muitos gastam vida trabalhando e assistindo tv, dediquei a quebrar a casquinha do ovo, fazendo de gerenciamento de risco uma ferramenta para derrubar barreiras interiores de medo ou do desconhecer. Sou acrófobo, portanto fui subir montanhas e paredões, o que havia iniciado de forma tentativa e tímida quando no Brasil. Tenho horror a me afogar e um definitivo medo de profundidades, portanto virei mergulhador "técnico"(2). Partilho do horror atávico de estar fechado num buraco escuro, frio, onde posso me afogar, portanto acabei virando mergulhador de caverna, dadas localizações e conhecidos na área. Creio que chega de elaborar sobre minha filosofia pessoal de cair de cabeça no que se interessa, e principalmente no que nos assusta como forma de crescimento pessoal e de trocar de pele, saindo da apertada pele da acomodação.

Voltando ao cerne do texto, a mensagem é quem não está disposto a arriscar e buscar excelência, não deveria sequer considerar RI, fora de comércio exterior, como campo. Existe muito de HUMANO ali, que deve ser segurado pela crina, e abraçado como seu, de alma E corpo, para poder ser entendido. Se sua ambição máxima é buscar um salário num campo disponível, eu recomendo contabilidade. Sempre precisam, é confortável, sem desafios, e seu maior risco será errar uma entrada numa database. Porém, se você se dispõe a encarar os problemas que existem, sejam essenciais ou sistêmicos, em entender (e agir com) relações entre Nações (culturas) e Estados, bem-vindos ao grupo, irmãos e irmãs; o buraco é mais embaixo.

Gastei cerca de uma dúzia de anos estudando - livros, óbvio - segurança. Percebi o quão capenga esta visão era, e quão inevitavelmente inócua e ausente de impacto. Após terminar meu mestrado (3), aonde escolhi seguir o "track" de Identidade e Segurança, decidi num arroubo de frustração com academia, ir por mãos na massa, por assim dizer. Minha tese era, então, descritiva de guerra assimétrica, suas características determinantes, histórico e resultados de esforços de Estados neste plano, e a assim-chamada guerra de "Quarta Geração" (Fourth Generation Warfare, 4GW, vide Dr Lind's work). Fui treinado para lidar com guerra bio-química-radioativa (CBRNE), que é essencialmente lidar com resultados e consequências de uso das assim-chamadas WMDs (armas de efeito massivo, sejam bio-químicas, radioativas ou alto-explosivos). Acabei como reconhecimento blindado leve, no conflito do Iraq (OPERATION IRAQ FREEDOM, sub ONAGER STORM '07/'09 - vide nomenclatura militar). Isso proveu oportunidades de VER em primeira mão os ambientes ambos geográficos e humanos do que distantemente se refere em reports e livros. Vi o que quis e o que não queria ver, menos do que queria e bem mais do que esperava, ou precisava. Após um tour na "sandbox", entrei para uma unidade que lida com CT/COIN (Counter-Terrorism/Counter-Insurgency), especificamente reação imediata a uso de WMDs, busca e apreensão de material, pessoal e inteligência (vide nomenclatura militar) relacionadas a terrorismo.

HTS

Publiquei alguns textos e apanhados de minha tese em fora de segurança, infelizmente um deles é fechado a público, e o restante foi fechado (vide D-N-I.net). Pelo menos um dos fechados foi lamentável, pois proveu o campo fértil donde nasceu

Terminei meu tempo no serviço uniformizado armado, porém não considero satisfeita minha busca de contribuir no campo de segurança. Correntemente, procuro adentrar em serviços de Inteligência do governo Americano, porém eu tomaria o tempo e espaço para fazer leitores conscientes de programas como Human Terrain System (HTS - vide links abaixo), uma iniciativa civil e militar, aonde as forças armadas uniformizadas Americanas contratam ou terceirizam cargos de ‘liaison’ entre tropas aonde o conflito está comendo solto, e populações indígenas, para lubrificar - por assim dizer - relações, essencialmente alugando finesse de quem é um expert ou estudante de relações humanas (dica, dica, RI). Escolhi este programa, pois tive contato, e posso prover informação suficientemente detalhada para dar idéia de como funciona. Convenciona-se chamar circunstâncias sociais, não formais, em qualquer conflito de "terreno humano", em contraste ao geográfico ou definido por fronteiras reconhecidas, provisões governamentais, etc. A palavra chave é cultura.

O programa é aberto a pessoal qualificado, não somente em capacidade acadêmica, porém com experiência em pesquisa relacionada a antropologia, sociologia, línguas e linguística, e - óbvio - RI. É restrito a pessoas que possa obter uma "clearance" de segurança, portanto exige residência (o assim-chamado "green card") ou cidadania Americana. O motivo pelo qual ainda sigo descrevendo, dado que a maioria dos leitores não se encaixam, é que este programa é modelo bem sucedido e está sendo seguido por forças armadas e órgãos e agências de Segurança pelo mundo. Não me surpreenderia vendo um programa como este aparecendo no EB, tendo seus deveres relativos a UNPROFOR e tais. Agências não-Governamentais e internacionais, tais como UNSEC e outras oferecem programas similares, para observadores seguindo os capacetes azuis em zonas de conflito.

HTS é, em base, ter uma pesquisa ou tese relevante à área ou população, língua, cultura, etc, e usar este conhecimento e oportunidade para colaborar com tropas em esforços de COIN (Contra-Insurgência). Sejam como intérpretes, analistas, pesquisadores, interrogadores, ou coletores de inteligência humana ou de sinais, o Human terrain Analist/Specialist (HTA/S) é experiente na área de pesquisa humana, ou em serviço militar. Sua função básica é prover uma interface, conselho, insight ou uma certa lubrificação na interação entre comandantes de tropas fazendo o serviço real de COIN e elementos civis relevantes, sejam estes políticos locais, chefes de clãs, vilas ou tribos inteiras. É um trabalho perigoso, dado que o HTS opera onde a cobra fuma. É viver como um soldado, dormindo pouco e andando muito, sabendo que a qualquer momento um maluco pode tentar descarregar um rifle de assalto em sua direção. Em compensação, poucas pessoas no mundo podem se dizer tão bem protegidas, dada a sua escolta. É o mais próximo que qualquer civil pode chegar a ser um "comando" ou "operador" de Forças Especiais. Existem requerimentos de forma física mínimos, mas estes são adereçados durante treinamento.

Durante seu trabalho com as tropas, algum - se não muito - tempo é permitido para conduzir pesquisa relevante a seu campo acadêmico. Digamos alguém tem interesse na tribo dos Nuthsap, e suas peculiares tradições. Esta pessoa aplica para processo de seleção, durante seu PhD, pedindo licença para a universidade. Incidentalmente, muitas universidades concedem créditos por tal período, sendo aceito como pesquisa. Durante seu tour no Hotashellistan, você exerce seus deveres de auxílio e análise de interação, E estuda os Nuthsap em primeira mão, sem filtros, sendo pago por isto. É uma oportunidade deveras singular de combinar interesses acadêmicos, crescimento pessoal e pecuniário, sem similar ou equivalente fora do ambiente de COIN.

O processo de seleção é gerenciado pela BAE, terceirizado sob auspícios do Exército Americano (DoA/U.S. Army). Existem posições de gerente de pesquisa, analista, líder de times, intérpretes, cientista sociais, etc. O contrato é de um ano, do qual nove a dez meses são gastos em teatro de operações, dois meses em treino e um mês em "de-briefing". Pessoas com residência e outros requerimentos, qualificações e aptidões aplicam, são aceitos e ingressam na escola, localizada em Fort Leavenworth, Kansas, USA. O treino lá consiste de parte briefings sobre o que é esperado e exigido do especialista (HTS), condicionamento físico e aclimatização com zona de combate. Pense nisso como um Basic Combat Training, versão Diet/Light. Nada traumático, mas a melhor maneira de entrar em forma acessível a pessoal de RI. HTSs não andam mais armados, porém recebem treinamento em uso de armamento leve ("small arms", leia-se qualquer coisa abaixo de um lançador de granadas ou mísseis de ombro), e equipamento de proteção similar ao usado pelas tropas, porém com consideravelmente mais flexibilidade no uso e configuração destes.

O programa já ofereceu remuneração muito melhor, a BAE é conhecida por ser muquirana e gerenciar programas de forma espartana no que concerne "procurement" de recursos. No entanto, ainda é um retorno fiscal mais alto do que um trabalho típico de classe média Americana, e certamente mais alto do que qualquer emprego acadêmico, em qualquer lugar do mundo, em RI. Leve em consideração os riscos e exigências. Contratos podem ser renovados, mesmo processo de aplicação, menos a necessária "clearance", dada esta já existente. Muitos que participaram do programa, em diversas capacidades, renovaram e continuam renovando. Até onde sei, não existe um limite de renovação de contratos, fora sua capacidade de agüentar o puxado batente de um HTS.

Nem todos podem, talvez, procurar tal caminho - bizarro sob certo aspecto, e certamente peculiar. Porém muitos, mesmo com ausência de interesse de mercado e oferta de aulas, podem se beneficiar de oportunidades similares, e procurar variedade no que definimos como RI. É certamente relevante e disponível como mercado de trabalho. Ademais, se é que posso transmitir uma lição, é de que NUNCA deveriam seguir o rebanho. Atropele o rebanho, de direção inesperada a este, se quiser realmente causar um impacto - lição de guerrilha que se adéqua a academia, negócios ou mesmo relacionamentos familiares. Arrisque, pense diferente, saia do caminho fácil e simples, deixe de lado suas pré-concepções, evite pré-conceitos, mas desenvolva seus pós-conceitos. Somente assim deixa-se de lado a casquinha do ovo, e se abre a porteira da fazenda. Espero que vocês achem suas veredas interessantes, inesperadas sempre, e que estas produzam o efeito de estranhamento do familiar, para que possam crescer, realmente.

Fica a dica.

(1) recomendo pular, a não ser pelas declarações óbvias, o patético von Clausewitz (a/k/a Captain Obvious). Se você PRECISA ler von Clausewitz, é sinal de que não tem imaginação necessária paa comecar a pensar sobre segurança. Vide record dele no ambiente de segurança.

(2) uma nomenclatura infelizmente estabelecida, que chama qualquer um que use misturas diferentes de gases para diferentes profundidades e perfis de mergulho "técnico". As pessoas que fazem isso chamam de "o único jeito".

(3)Florida International university, pros curiosos, um programa surpreendentemente excelente dentro duma universidade de outra forma pouco impressionante. Dei sorte em estar, então, na área e de iniciarem um programa pioneiro, em termos de oferta de variedade de cursos e perspectivas. Estudei sob professores com nomes variados, que traem suas origens e perspectivas diferentes, tais como Dr Wolf, Dr Onuf, Dr Kowert, Dr Mesbahi, Dr Prugl, Dr Clark, Dr Debrix... para não mencionar outros menos permanentes que pipocavam ali volta e meia para um seminário, Dr Ruggie, Dr Waltz, entre outros. Sou grato e aprecio os insights que estes puderam compartilhar, e gostaria de deixar registrada aqui minha gratidão a todos estes.

LINKS

HTS HOME. Accessed December, 2011.

http://humanterrainsystem.army.mil/

Kipp et al. in Military Review, Sept-Oct 2006.

http://www.army.mil/professionalWriting/volumes/volume4/december_2006/12_06_2.html

Forte, Maximillian. in Zero Anthropology Net, Feb 2011.

http://zeroanthropology.net/2011/02/19/declaring-the-u-s-army%E2%80%99s-human-terrain-system-a-success-rereading-the-cna-report/

Sem citation, pelo valor de busca

http://www.indeed.com/q-Human-Terrain-System-l-Leavenworth,-KS-jobs.html

*NOTA DO BLOG: O primeiro curso de RI do Brasil data de 1974, em Brasília, na UnB.

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Série Especial: Trabalhar com Relações Internacionais: Consultoria em Negócios Internacionais

Dando prosseguimento a série “Trabalhar com Relações Internacionais” que visa oferecer insumos para os graduandos e interessados em Relações Internacionais possam planejar suas carreiras. Essa série se foca nas experiências profissionais em Relações Internacionais de um ponto de vista pessoal dos autores convidados.

Hoje quem nos escreve é um consultor em negócios internacionais, graduado em Relações Internacionais numa das melhores universidades do mundo. Esse brilhante profissional é um amigo meu e uma pessoa bastante reservada, muito mais por força dos ameaçados contratos de confidencialidade que como consultores assinamos do que pela proverbial reserva própria dos europeus. Por essa razão invocarei os meus privilégios constitucionais de sigilo de fonte e omitirei o nome do nosso convidado dessa semana.

O texto abaixo vai como me chegou apenas com as correções pedidas pelo autor devido a ter sido escrito em trânsito, logo em teclados sem os acentos da língua portuguesa. O interessante nesse relato é observar como a carreira pode exigir nas nossas vidas pessoais. Espero que aproveitem.

“Trabalhar com RI: Consultoria em Negócios Internacionais”

Por A.

Formado em RI desde 1998 e com a especialidade de economia e política, já havia iniciado um estágio profissional sem retribuição desde o principio desse ano. A oportunidade era genial: trabalhar de assessor na gestão de programas de co-financiamento europeu. Esse, revelou-se ser o trampolim para um trabalho mais directo com a Comissão Européia e com as equipas de um eurodiputado, afecto à pasta de economia e empresas.

Meses depois era indicado para alargar o âmbito e trabalhar, dessa feita, com outras equipes e com outros eurodiputados. Pastas como economia, empresa, indústria, serviços sociais, meio ambiente, novas adesões de países, pesca e agricultura. De 1999 a 2006 o relógio era o meu único amigo porque o tempo era o bem mais valioso.

Entretanto, RI complementou-se e aperfeiçoou-se com políticas públicas, com finanças, com governança, com mercados financeiros, com energias renováveis, com mais comercio exterior, com relações publicas e até com jornalismo. O efeito foi transcendente, mas patamares justos para chegar a dominar as disciplinas do desenvolvimento organizacional, a auditoria e a gestão para a qualidade, com a consultoria de nível sênior como apanágio!

A relação com consultoras de calibre mundial cedo se tornou o “aeiou” de qualquer conversa, contrato e acção. Eram tempos de muita liquidez, muita gente, muitos negócios e escassíssima saúde familiar ou ócio! McKinsey, Procter & Gamble, Ernst & Young, JP.Morgan, Citibank, Google, Navintia, um sem fim de ligações e mais de 200 pessoas em dependência directa. O mundo tornava-se local e as viagens uma rotina. Ainda hoje permanece, mas o nível tornou-se mais governamental e as minhas intervenções são consideradas em círculos mais restritos.

Moral da história: RI, complementos e aprendizagem activa, resiliência e muito sentido de risco criam as oportunidades de empreendedorismo positivo. Agora, o desafio é o puro “phasing out” de tudo isto... pois cada vez mais a idéia de um bar na praia e a família por perto convence-me que a vida são dois dias e eu já ganhei no primeiro para disfrutar no segundo!

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Um Off-topic se me permitirem

Corinthians do meu coração, tu és religião de janeiro a janeiro.

bandeiratimão

Eu abri esse processador e textos em que escrevo para terminar uma postagem sobre um tema quente das relações internacional da América Latina e Caribe, contudo não consegui vencer o intermitente cursor. A questão é que não consegui me concentrar nos meandros da política externa.

Quem me conhece mais de perto sabe bem o motivo da minha inquietação é que como diz a música “se é pra chorar, se é pra sorrir eu sou corintiano até morrer”. Sim, eu sou um membro do proverbial bando de loucos. E, sim como milhões arrisco dizer bilhões ao redor do mundo sou um seguidor entusiasmado do futebol.

E querem saber hoje minha cabeça só pensou a frase É CAMPEÃO!!!

timãoPoderia escrever uma ode ao título. Poderia escrever sobre a tristeza de perder o Dr. Sócrates, a quem eu sempre admirei por sua capacidade de viver além do jogo, mesmo discordando de muitas de suas opiniões e posições políticas. Não é preciso concordar para admirar. Por isso mesmo ergui meu punho cerrado, em silêncio. E vou confessar na minha doce irracionalidade de torcedor tive certeza da conquista quando vi os jogadores fazendo a pose característica de uma fase bem especifica desse grande jogador.

Estou extasiado, mas saibam tenho consciência que é apenas um esporte, mais saibam também é delicioso esse sofrer quase postiço (por que não podemos comprar o sofrer do futebol com o sofrer da injustiça, da perda, da fome das mazelas reais da vida humana) ainda mais por que é parte do ethos do torcedor corintiano aceitar que o sofrimento é indissociável dessa escolha (será uma escolha mesmo?).

Mas, hoje eu não penso em muito mais além de celebrar uma conquista dura, difícil e trabalhada bem ao estilo que gosto, posto que é uma metáfora da vida. Ou alguém aqui acha que o sucesso na vida vem sem esforço, dor e paixão?

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“Primavera Árabe”, eleições e nudez no Egito

Fui perguntado durante minha palestra no FOCO RI, em setembro, sobre a chamada “Primavera Árabe” e lá repeti o que sempre escrevo por aqui. Que o processo está em desenvolvimento o que requer calma e frieza ao analista, posto que é preciso separar as esperanças eventuais que tenhamos sobre um desfecho da onda de mudança de regimes e o que as evidências e a lógica nos permitem dizer com segurança. Além disso, lembrei que não gosto da denominação “Primavera” usada pela imprensa.

Essa objeção tem por fato uma superstição, logo irracional por definição, que nutro que é uma rejeição ao rótulo primavera, muito por conta do desfecho tão sombrio da “Primavera de Praga”.

Desde o primeiro texto que escrevi (ou seria cometi?) sobre o tema que insisto em lembrar que o resultado de cada uma das revoluções que ocorrem agora no mundo Árabe e no Norte da África dependeria de fatores locais e da importância estratégica de cada país. Seria inocência negar que há uma correlação entre a importância estratégica e o grau de engajamento das potências regionais e extra-regionais no conflito. Contudo, ainda creio que são as condições locais no solo mais determinantes nesse sentido.

O Egito é um caso exemplar das dificuldades de se prever um cenário “final” dessa chamada primavera. É impossível garantir que o processo por lá terminará na construção de uma democracia (de características locais, é claro), ou num regime de inspiração islamista, ou mesmo na pura e simples manutenção do regime militar, só que dessa vez não personalizado em figuras de proa poderosas como Nasser ou mesmo Mubarak.

Os resultados parciais do primeiro turno das eleições legislativas mostram vitória de grupos que usam o que se costuma chamar de Islã Político, ou seja, partidos que tendem a serem conservadores. O que em si não é problema se esses partidos tiverem o respeito aos princípios básicos de uma democracia entre seus valores. E sobre isso resta muita especulação.

Qualquer relato sobre a sociedade egípcia mostra que essa é uma sociedade complexa em que convivem diversas correntes de opinião muito além do tradicional corte entre cristãos minoritários e uma maioria de muçulmanos. Embora seja importante entender o papel dos cristãos cooptas que são aliados do regime militar em muito pela garantia de secularidade e proteção que esse regime garantia a esses grupos.

Mas, entre os muçulmanos como disse acima existem diversos grupos de opinião política e um episódio recente serve para ilustrar o grau de animosidade que há entre esses grupos.

Uma ativista dos Direitos da Mulher, de origem muçulmana, mas que se declara atéia, chamada Aliaa Elmahdy talvez cansada do notório assédio sexual que as mulheres sofrem no Egito, talvez em busca de visibilidade para sua causa por meio do choque, ou talvez inspirada artisticamente ou muito provavelmente por todos esses fatores e outros mais decidiu postar em blog da internet fotos suas nuas.

A foto é o que as “modelos e atrizes” que povoam os sites de celebridades diriam ser: “de muito bom gosto e artística”. Na verdade é um nu que ganha força pelo olhar compenetrado desafiador que em certa medida desvia atenção do corpo nu da jovem moça, é um olhar forte, generoso e corajoso (bom são impressões minhas sobre isso, mas não tenha a alma assim tão artística, vocês podem avaliar por vocês mesmo aqui).

Junto a foto vai uma declaração em árabe com sua tradução para o inglês:

“Put on trial the artists' models who posed nude for art schools until the early 70s, hide the art books and destroy the nude statues of antiquity, then undress and stand before a mirror and burn your bodies that you despise to forever rid yourselves of your sexual hangups before you direct your humiliation and chauvinism and dare to try to deny me my freedom of expression”

[“Levem aos tribunais os modelos que posaram nus para escolas de arte até o começo dos anos de 1970, escondam os livros de arte e destruam as estátuas desnudas da antiguidade e então se dispam e diante de um espelho queimem seus corpos que tanto desprezam e livrem-se para sempre de seus complexos sexuais antes de destinarem a mim suas ofensas e chauvinismo e atrevam-se a negar meu direito de expressão” ](tradução minha).

Claro, que um gesto de rebeldia sexual (fora o grande tabu da apostasia nas sociedades islâmicas) como esse daria inicio a um debate intenso num país que ainda vive sobre um regime fechado não muito acostumado a debater e lidar com as diferenças de opinião. Esse debate recheado de ameaças de morte mostra que o caminho da conciliação será longo para a sociedade egípcia e mais que vários setores interpretam os eventos libertários da Praça Tahrir de maneiras bem distintas.

Os resultados das eleições nos darão pistas para mapear as correntes de opinião do Egito, mas como mostra o caso da jovem Aliaa, ainda é muito cedo para decretar que o desfecho dessa revolução será um regime democrático. E é caso de nos lembrarmos de como são complicados os períodos de transição.

Claro que pode ser um alento para os que como eu acreditam na democracia o fato de o debate e das fotos de Aliaa estarem ocorrendo, mas falta muito pra acreditar que essa “Primavera” irá realmente vicejar.

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Evento: Lançamento do livro “Página Internacional”, São Paulo, 7/12

A atividade de manter um blog de Relações Internacionais (ou sobre qualquer coisa) é uma atividade que exige um grau de introspecção e isolamento, mas isso não quer dizer que o blogueiro se fecha em si mesmo. A melhor parte de blogar é interagir com os leitores e com outros autores e nesse caso a internet e a blogosfera me deu um presente que foi conhecer a equipe (de geometria variável) do blog “Pagina Internacional” notadamente o Álvaro e Giovanni que tive a oportunidade de conhecer e conversar ainda que rapidamente após minha palestra no III FoCO RI, em setembro, em Brasília.

Assim é um prazer muito grande divulgar o lançamento do livro, na capital paulista, que reúne os textos publicados nesse excelente blog. O evento ocorrerá dia 7 de dezembro, na Livraria Cultura do Shoping Villa-Lobos. A partir das 19h.

Abaixo o texto convite feito pelo Facebook pela equipe do Página Internacional.

A Página Internacional (www.paginainternacional.com.br) virou livro! E depois do lançamento oficial na Bienal do Livro do RJ em setembro, agora o livro será também lançado em São Paulo!

A Página Internacional venceu o concurso “BlogBooks 2010” na categoria Política, promovido pelo Portal Ediouro, que premiou os blogs mais conceituados do país com a possibilidade de editar um livro contendo as melhores postagens. E o dia do lançamento do nosso livro em terras paulistas finalmente chegou!

Agradecemos sempre a todos os leitores que, dia após dia, nos acompanham nesta aventura de desbravar a incompreensão do mundo e construir um espaço de reflexão e compartilhamento de idéias acessível a todos os interessados. Que possamos seguir com este projeto e ampliar cada vez mais seu alcance!

Aguardamos com muita expectativa a presença de todos os leitores, amigos, colegas e apoiadores que possam prestigiar esse lançamento em Sampa! Será um prazer para todos nós, colaboradores do blog, compartilhar esse momento com vocês!

Divulguem aos seus contatos, se possível! E curtam também nossa página aqui no Facebook:http://www.facebook.com/paginainternacional

Até lá!

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Série Especial – Trabalhar com Relações Internacionais: Emprego na OEA, nos EUA

Emprego em relações internacionais talvez seja a mais permanente das dúvidas e ansiedade tanto dos formandos como dos que desejam ingressar no curso. Por conta disso há muito tempo que ambiciono começar uma série de posts especiais feitos por autores convidados para retratarem as diversas possibilidades de empregabilidade em relações internacionais, mas de um ponto de vista prático compartilhando as histórias pessoais desses profissionais. E hoje tenho o orgulho de inaugurar essa Série Especial: “Trabalhar com Relações Internacionais”.

O texto de hoje é de Luisa Zuffo Govedise, que é bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Brasília, a mesma que eu me formei e de fato nos conhecemos em eventos do curso. Eu já era graduado, mas ainda assim tenho orgulho dos meus “calouros”.

Abaixo segue o texto da Luisa.

Trabalhar na Organização dos Estados Americanos

Por Luisa Zuffo Govedise

Quando recebi o convite para escrever para o Coisas Internacionais contando sobre minha experiência na Organização dos Estados Americanos, fiquei muito feliz e também muito pensativa. Não tinha muita certeza sobre o que eu escreveria, ou o que seria interessante que os leitores desse blog soubessem, e por fim, resolvi fazer um apanhado geral de informações e compartilhar por aqui.

Meu nome é Luisa e eu sou formada em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Brasília desde 2008. Depois que me formei tive a oportunidade de fazer uma Pós-Graduação na University of Guyana (onde residi por dois anos) em International Studies. Depois desta temporada interessante na Guyana, que está ao mesmo tempo tão próxima e tão distante do Brasil, eu me mudei para Washington. Quando eu cheguei aqui começaram as reflexões de que rumo seguir, se eu começaria a me dedicar a um mestrado ou se procuraria emprego. Enquanto eu decidia o que fazer da vida, comecei a me candidatar para as temporadas de Internships que acontecem várias vezes por ano nas principais Organizações Internacionais sediadas aqui, e que sempre ouvimos falar tanto durante a graduação. Eu me candidatei para os estágios no Banco Mundial, no BID e na OEA. Tanto o Banco Mundial quanto o BID tem como um dos pré-requisitos possuir uma graduação e estar matriculado num curso de Mestrado ou Doutorado. A OEA não tem esse pré-requisito e inclusive aceita inscrições de estudantes que ainda não são formados (desde que já estejam pelo menos no segundo ano da graduação). Fui selecionada para a sessão de estágios de Outono da OEA, junto com mais 80 estagiários de diversos países. Destes 80, somos 10 brasileiros, com muito orgulho.

Brevemente, a OEA é uma das Organizações Internacionais mais antigas do hemisfério e os pilares desta instituição consistem em promover a democracia defendendo os Direitos Humanos; garantir uma abordagem multidimensional para a Segurança; promovendo o Desenvolvimento Integral e a Prosperidade e apoio a Cooperação Jurídica Interamericana. Dentro da Organização existem diversas secretarias e departamentos especializados para atender as diferentes demandas dos temas. Um dos setores mais concorridos para os estágios e geralmente o que tem mais estagiários é a Comissão Inter-Americana de Direitos Humanos (IACHR sigla em Inglês) que durante o período do nosso estágio realizou várias sessões contando inclusive com a presença da brasileira Maria da Penha, contribuindo para o debate contra violência doméstica contra as mulheres. Eu sou vinculada ao Departamento de Recursos Humanos e já tive duas experiências bem interessantes de trabalho até agora. Meu estágio começou dia 8 de Setembro, e eu fazia parte da equipe de Modernização do Departamento trabalhando basicamente com novas ferramentas de recrutamento que a Organização vai passar a adotar e fazendo um comparado com Organizações irmãs como a Organização Pan-Americana da Saúde (PAHO) e o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (IDB). Num segundo momento do meu estágio, eu mudei de área dentro do mesmo departamento e fui incorporada pelo setor de Estágios durante o período de seleção dos candidatos para a próxima sessão de estágios.

O estágio na OEA não é remunerado, e o estagiário é responsável por todas as suas despesas enquanto em Washington. Os estagiários, quando selecionados, recebem um visto G4, vinculado a OEA para entrar nos Estados Unidos. O aprendizado proveniente de uma experiência no exterior é sempre muito valioso e as amizades que são construídas durante o período do estágio fazem com que essa oportunidade seja produtiva e satisfatória. Com certeza para muitos, são os três meses mais rápidos já vividos, e agora que estamos na reta final, tudo fica com cara de saudade antecipada.

Uma parte considerável do Staff da OEA é composto por ex-estagiários, que fizeram um bom trabalho e permaneceram na Organização. Sempre vale a pena dedicar-se ao máximo ao que estamos fazendo, porque nossas atitudes de hoje serão responsáveis por aquilo que colheremos no futuro. Embora todos estejam trabalhando de “graça”, o senso de responsabilidade e profissionalismo entre os estagiários é muito grande.

O ambiente de trabalho na Organização é muito agradável e o estágio inclui atividades variadas, como visitas de campo (visitamos o Banco Mundial, o Banco Inter-Americano, o Museu das Américas, o Edifício principal da OEA – a maioria do staff não trabalha no Edifício principal), palestras (inclusive com o Secretário Geral), treinamentos, eventos e muitos momentos divertidos.

Para candidatar-se a um estágio na OEA o interessado tem que apresentar duas cartas de recomendação, uma preferivelmente de um professor, suas notas acadêmicas, e falar pelo menos duas das quatro línguas oficiais. A maior parte da interação interna na organização é feita em Espanhol. Dentro do estágio também acontece uma simulação do Conselho Permanente da OEA. O MOAS (Model of the Permanent Council) foi realizado pela 11th vez nesse outono e o tema foi: “Hemispheric strategies to consolidade democracy through equitable economic growth and inclusion”. Eu e outra estagiária da Guatemala representamos Saint Vincent and Grenadines.

Washington é uma cidade muito agradável, cheia de charme, e com milhões de opções de atividades. Se você ficou interessado e gostaria de fazer um estágio na OEA também, as sessões são: Winter/Spring; Summer e Fall. As inscrições para a sessão de verão começam dia 12 de Janeiro e vão até o dia 14 de março e o estágio acontece do dia 2 de Junho ao dia 12 de Agosto. É uma oportunidade interessante e muito válida que não é muito divulgada no Brasil (pelo menos na minha época, não era).

NOTA DO BLOG. A Luisa foi selecionada e contratada e agora faz parte do staff da OEA. Nesse sentido vale pesar bem o que a Luisa a ética de trabalho que Luisa se refere ao longo do texto.

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Evento: Debate-lançamento de livros. Brasília. 1/12

O professor e diplomata Paulo Roberto de Almeida (a quem me atrevo a chamar de amigo) lança em conjunto com suas editoras (é claro) seus mais recentes livros. O evento de lançamento será feito com um debate intitulado: “Inserção internacional do Brasil: agendas e desafios” que contará José Roberto Novaes de Almeida (Eco-UnB), Amado Luiz Cervo (UnB, apos.) e a moderação do jornalista Cristiano Romero (Valor Econômico).

Esse evento é uma oportunidade rara de participar de um evento gratuito com as melhores mentes das Relações Internacionais no Brasil. Os livros que serão lançados são:

Globalizando: ensaios sobre a globalização e a antiglobalização (Rio de Janeiro: Lumen Juris Editora, 2011, xx+272 p.; Inclui bibliografia; ISBN: 978-85-375-0875-6; link: http://www.pralmeida.org/01Livros/2FramesBooks/107Globalizando.html). 

Relações Internacionais e Política Externa do Brasil: a diplomacia brasileira no contexto da globalização (Rio de Janeiro: LTC, 2012, xx+308 p.; ISBN: 978-85-216-2001-3; link: http://www.pralmeida.org/301Livros/2FramesBooks/RelaIntPExt2011.html)

O lançamento ocorrerá na Livraria Cultura, do Shoping Casa Park, de Brasília, dia 1º de dezembro às 19h30.

PS: Post baseado (quase que copiado) no convite feio por Paulo Roberto de Almeida, em seu excelente blog Diplomatizzando.

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Aniversário da queda do Muro de Berlim

Não vou aqui me alongar sobre a história do Muro e as condicionantes que levaram a sua construção e sua derrubada. Não que isso não seja interessantíssimo a quantidade de publicações a respeito mostra quão relevante são os episódios em torno dessa infame estrutura de engenharia e de política internacional. O que quero com esse texto é marcar esse que é um momento histórico da mais elevada grandeza.

A queda do muro – que tem no 9 de novembro de 1989 uma de suas datas principais – simboliza a queda do maior e mais trágico experimento de engenharia social até hoje visto na história humana, o socialismo real. Por sinal, o fato de o regime soviético ser chamado de socialismo real em oposição a um socialismo utópico mostra o quanto essa doutrina ainda é influente nas academias.

Nesse glorioso dia de novembro eu tinha apenas 8 anos, contudo lembro com perfeição do que senti. Eu fui acometido de uma enorme curiosidade infantil para saber o que era aquela festa toda num lugar tão distante? E, hoje sou capaz de perceber que foi essa busca pelo porquê que me empurrava a assistir telejornais com raro afinco na minha faixa etária e sem dúvida é em muito por conta dessa busca por resposta que hoje eu faço o que eu faço.

Para celebrar um dia festivo trago dois vídeos que marcam muito bem o zeitgeist da construção e da derrubado do muro. Os dois vídeos estão em língua inglesa.

O primeiro momento é o um discurso que visa marcar as diferenças entre o então chamado mundo livre e o bloco comunista. E é uma peça típica do embate por corações e mentes da Guerra Fria e é focado na oposição entre liberdade e opressão. A essa altura todo mundo já adivinhou que falo do famoso discurso de JFK “Ich Bin Ein Berliner”, proferido em 26 de junho de 1963, dois anos depois do inicio da construção do muro.

Nesse pequeno clipe do discurso é possível ver todo o carisma e a força da oratória de John Kennedy. A meu ver o ponto alto é quando ele diz: “Todos os homens livres, não importa onde vivam, são cidadãos de Berlim, por isso tenho orgulho em dizer “Ich Bin Ein Berliner””

O segundo momento que trago é um discurso mais triunfalista e desafiador que reflete bem o momento histórico em que foi proferido. Esse discurso é mais incisivo contra os líderes do regime soviético e trata da questão do desarmamento entre as duas superpotências. Esse discurso foi feito em 12 de junho de 1987, em frente ao  Portão de Brandemburgo, é o famoso discurso de Ronald Reagan “Mr. Gorbachev, tear down this wall!”.

Tal qual Kennedy, Reagan era um orador muito capaz e carismático e o ponto alto de seu discurso é o trecho em que diz “Secretário Geral Gorbachev, se você procura a paz, se você procura prosperidade para a União Soviética e a Europa Oriental, se você procurar a liberalização, venha aqui para este portão. Sr. Gorbachev, abra o portão. Sr. Gorbachev, derrube esse muro!”

 

E vocês têm algo a dizer sobre esse momento importante da história mundial?

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Uma bela iniciativa: “Educação contra a exploração sexual infantil: Cooperação com Nepalese Home”

Por conta da organização das festividades que marcam os 15 anos de existência do Curso de Graduação em Relações Internacionais da Universidade Católica de Brasília acabei por ter contato com o atual corpo dissente do curso. E foi com muito prazer que constatei que os rapazes e moças que atualmente carregam a tocha da UCB são formidáveis.

Uma coisa que eu particularmente valorizo são pessoas que não só falam mas agem. Afinal, como diz o adágio da língua inglesa “talk is cheap”. E nesse particular recebi uma mensagem muito interessante de uma das estudantes que conheci nessa volta ao campus da UCB que dava conta de um projeto muito nobre desenvolvido nas aulas de Cooperação Internacional.

O projeto de autoria das alunas Ryani Caetano, Camila Fernandes e Gisllane Campos é simples, factível e importante. E nos mostra que não é preciso ser grande para ser grandioso. O projeto intitulado “Educação contra a exploração sexual infantil: Cooperação com Nepalese Home” visa no campo prático arrecadar fundos para o trabalho que pretende prevenir a venda de meninas nepalesas para o comércio de seres-humanos e também chamar atenção para uma questão que infelizmente assola o Brasil e um dos mais aviltantes dos crimes transnacionais.

O projeto visa arrecadar fundo dentro do campus da UCB, mas por ser facilmente replicável e por ser um exemplo de engajamento que combina habilidades profissionais dos alunos de RI com o natural desejo de mudar o mundo da juventude. Abaixo transcrevo o projeto dessas alunas.

Projeto – “Educação contra a exploração sexual infantil: Cooperação com Nepalese Home”

1. Identificação do projeto

1. - Título do projeto

“Educação contra a exploração sexual infantil: Cooperação com Nepalese Home”

2. - Duração prevista: 1 mês

3. - Fonte interna :  Universidade Católica de Brasília

4. - Custo estimado: 1200 reais

2. Justificativa

O caso do tráfico de pessoas com fins de exploração sexual é um problema esquecido por grande parte dos governos e da sociedade civil, sendo necessário que algo seja feito para conter o crescimento e prevenir futuros casos. O projeto “Educação contra a exploração sexual infantil: Cooperação com Nepalese Home” terá como foco o levantamento de recursos para concessão de bolsas. Atualmente existem 1300 bolsas, o projeto prospecta arrecadar o dinheiro necessário para 1000 bolsas.

1. - Diagnóstico da situação:

Estimativas apontam que o tráfico de pessoas movimenta cerca de US$ 9 bilhões por ano. Grande parte das vitimas são mulheres entre 18 e 21 anos com baixo nível de escolaridade.

Acredita-se que sejam traficadas entre 6 a 7 mil garotas nepalesas a cada ano. Até 1997, o governo oficializava que havia entre 70 a 100 mil mulheres nepalesas na prostituição em bordéis indianos. O preço das negociações varia entre 643 dólares até 900 dólares (pequena fortuna se comparado a renda per capita do Nepal de 220 dólares), porém há casos em que meninas foram vendidas por cerca de 12 dólares.  As meninas não têm acesso a comida suficiente e recebem entre 3 a 40 cliente por dia. A média geral é de 14 clientes ao dia.

O UNICEF estima que haja mais de um milhão de crianças na prostituição na Ásia: sendo que 52% das garotas são traficadas por pessoas de fora da família (com variadas justificativas); 24% são garotas vendidas, negociadas por pessoas da própria família; 4,50% são garotas que são levadas com a promessa de trabalho com bom salário em fábricas ou casas de família e 13,40% são meninas traficadas, que são envolvidas em supostos “casamentos”.

2. - Situação esperada ao término do projeto:

O projeto “Educação contra a exploração sexual infantil: Cooperação com Nepalese Home” visa em seu término arrecadar o dinheiro necessário para 2000 bolsas de estudo das crianças nepalesas. Espera-se que as doações sejam angariadas durante a exposição do Stand nas repartições da Universidade Católica de Brasília e em algumas entidades estudantis e empresariais, em que se fará também a conscientização quanto à problemática da exploração sexual e o fator educação como o maior método preventivo e duradouro no caso do Nepal.

3. - Descrição do projeto

O projeto visa dar auxílio nos estudo das crianças nepalesas como forma de prevenção ao tráfico de pessoas para fim de explosão sexual. O projeto consiste na “adoção” de uma ou mais crianças através do envio de uma quantia em dinheiro para o material escolar.

As bolsas são utilizadas como método de prevenção, sendo composta de uniforme, mochila, taxa escolar, sapatos (dois pares/ano), meias, canetas, cinto, gravata e cadernos. A pessoa que se interessar desembolsará R$ 15,00 por mês para cada criança que “adotar”. O pagamento poderá ser feito através de depósito bancário ou boleto bancário. O preço baixo é justificado pelo apoio que o Social Welfare Council do Nepal oferece ao projeto “Nepalese Home”.  

Para arrecadar o dinheiro, será realizada a exposição do Stand nas repartições da Universidade Católica de Brasília e em algumas entidades estudantis e empresariais.

3. Objetivos e Resultados

3.1 - Objetivo de desenvolvimento: Contribuir para a prevenção do tráfico de pessoas, especificamente o tráfico de crianças nepalesas.

3.2 - Objetivo específico: Arrecadar 1000 bolsas de estudo para crianças nepalesas.

3.3 - Resultados:

Transferência dos recursos para a Nepalese Home.

4. Plano de trabalho

O plano de trabalho é divido em três partes, sendo:

1. Divulgação:

Redes Sociais;

Divulgação via GOL;

Cartazes nos locais de exposição do Stand.

2. Semana de arrecadação:

Exposição do Stand nas repartições da Universidade Católica de Brasília e em algumas entidades estudantis e empresariais.

3. Mostra de resultados:

Feedback via e-mail para os colaboradores;

Evento no auditório que terá como objetivo mostrar resultados a Nepalese Home representada no Brasil e agradecer os envolvidos no projeto. Contaremos com a participação do Nepalese Home no Brasil e com uma menina brasileira que foi resgatada pelo projeto.

4.3 - Cronograma de execução:

PLANO DE TRABALHO COLOCADO EM DATAS

De 24 a 29 de Outubro – Elaboração e acesso ao material de divulgação.

De 31 de Outubro a 05 de Novembro – Divulgação via redes sociais, Graduação on-line e Cartazes.

De 07 a 12 de Novembro – Arrecadação através do Stand nos períodos Matutino, Vespertino e Noturno.

(Alguma data entre os dias 16 a 18 de Novembro) – Mostra de resultados no auditório.

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Crise no Curso de RI da UTP. Uma história que importa a todos nós

Tenho um enorme carinho pelo curso de Relações Internacionais da Universidade Tuiuti do Paraná – UTP. Alguns grandes amigos que fiz graças aos congressos e eventos de RI pelo mundo são graduados por essa instituição que mantinha um curso sério e estruturado.

Contudo, tomei conhecimento pelas redes sociais da situação precária que se encontra o curso, que parece inclusive estar em processo de fechamento o que é traumático para os que ainda estão nessa graduação e muito ruim para quem cursou com afinco e dedicação e depositou confiança numa instituição.

Não estou a par dos motivos do fechamento, mas não é difícil pensar que passam necessariamente por má-gestão e dá mostras de problemas maiores na instituição como o todo. Ao que tudo indica para amenizar a transição a universidade ofertou a possibilidade de bi-titulação Relações Internacionais e Economia, formula adotada com sucesso em outras instituições, notadamente a FACAMP.

A crise da UTP pode ser um “cautionary tale” nesse rescaldo da expansão imponderada de graduações em Relações Internacionais. Temo que não seja o primeiro curso a cair.

Abaixo transcrevo duras críticas de um egresso desse curso. O texto abaixo reflete a opinião pessoal do autor Cicero Augusto Faria de Oliveira.

Esse blog está aberto a ouvir outros interessados na questão, principalmente estamos abertos para uma eventual resposta da UTP.

CURSO DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS DA UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ NA BERLINDA.

Por Cicero Augusto Faria de Oliveira

Fontes da mais alta credibilidade me informaram do absurdo que a coordenação de RI da UTP está fazendo com o curso. Tudo leva a crer que querem acabar com o curso.

Em primeiro lugar, a coordenação resolveu que junto ao curso de RI, os alunos estudariam economia, desta forma: três anos e meio o aluno se forma em RI e com mais um ano recebe seu diploma de economista. Passei um bom tempo pensando, como que alguém estudando apenas um ano de economia poderia receber um diploma de economista? Como MEC havia autorizado essa loucura? Depois de um tempo sem resposta, minhas fontes explicaram isso hoje. É o seguinte: Na verdade quem entra no curso de RI na verdade está estudando COMEX e economia e não RI, me afirmaram também que as disciplinas do curso nos primeiros semestres que estão com a grade “nova”, pouco tem a ver com RI. Mas RI não é Comércio Exterior e muito menos Economia, apesar de que tínhamos estas cadeiras, pois é importante na profissão.

Há quem diga que isso é bom, pois a UTP tirou nota boa no ENADE, é a número 1 no Paraná e a 3ª no sul do país. Mês também é importante dizer que os alunos que fizeram o último ENADE foram escolhidos a dedo pela coordenação e também a maioria já se formou ou está no final do curso, alunos que ainda não faziam parte da grade “nova”, RI com Economia.

Porque a coordenação do curso de RI está substituindo o curso de RI por outro, e aos poucos, só falta no próximo ano mudar o nome, ou seja, acabar de vez com o curso, pois este é o caminho que estão seguindo. Pergunta sem resposta. Porque dificultar mais ainda a formação de profissionais que tem um futuro promissor pala frente? Mais uma pergunta sem resposta.

Estou triste, pois é a minha profissão, meu curso e como Presidente da Academia Brasileira de Relações Internacionais, não posso me calar e fazer de conta que está tudo bem, isto acontece. Nós da ACBRI estamos numa luta para abrir o caminho das Relações Internacionais no Paraná e nos Estados vizinhos e a coordenação do curso da UTP está indo na contra mão deste processo, mas tenho certeza que chegaremos lá.

Peço apenas que não mintam para nossos colegas e que sejam honestos, digam a verdade, vocês estão estudando Comércio Exterior e Economia e não Relações Internacionais e não entreguem um diploma para os alunos que não estudaram RI, não façam deles falsos profissionais, entreguem apenas o diploma de Economista e Comex, pois é o que eles serão.

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Evento: Tolerância Religiosa e Cidadania - A vivência da fé: Islamismo. Volta Redonda – RJ

Minha querida amiga e competente professora Josycler Arana, professora assistente da Escola de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal Fluminense, campus Volta Redonda e coordenadora do interessante projeto “Tolerância religiosa e cidadania” me enviou um convite para a palestra: “Tolerância Religiosa e Cidadania - A vivência da fé: Islamismo”. Infelizmente esse é mais um evento que perderei.

Não preciso dizer a importância de tolerância religiosa na vida das sociedades e a palestra é especialmente oportuna por tratar de um tema quente na agenda internacional que é a Sharia, o sistêmico islâmico de direito.

Abaixo um pequeno texto de divulgação que veio junto com o convite

Tolerância Religiosa e Cidadania - A vivência da fé: Islamismo

O link para inscrição é http://www.puvr.uff.br/tolerancia/index.html

Termos como palestrantes o Sheik Ahmad Osman Mazloun de São Paulo e Sami Armed Isbeli da Sociedade Beneficente Muçulmana do Rio de Janeiro (lei religiosa islâmica. É a estrutura legal dentro do qual os aspectos públicos e privados da vida do adepto do islamismo são regulados.)

A sharia é, atualmente, a lei religiosa mais utilizada, e um dos três sistemas legais mais comuns do planeta, juntamente com a common Law anglo-saxônica e o sistema romano-germânico. Mais de 20% da população mundial encontram-se sob sua influência.

Cartaz Islamismo

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Isso aqui é um pouquinho de Brasil

Pelo título eu sei que os leitores já esperam que eu faça minhas costumeiras críticas a política externa brasileira ou que eu faça alguma crítica ácida até aos novos escândalos que ameaçam mais um ministro do governo Dilma. Mas, dessa vez o texto tem um caráter diferente. Acabo de assistir um documentário que por motivos que não compreendo perfeitamente fiquei tocado, emocionado mesmo.

O documentário se chama “Guerreiros Caiapós” e foi exibido no canal pago Discovery HD e retrata os desafios mentais e físicos de dois jovens Caiapós em sua jornada para se tornarem guerreiros. Não foi bem a prova de coragem do ritual de enfrentar vespas venenosas e por meio da dor que suportam, se fortalecerem e espiritualmente absorverem os poderes desse inseto que me emocionou, mas os motivos pessoais dos dois jovens.

Seu desejo era muito parecido com o de qualquer homem, isto é, defender o estilo de vida de seus ancestrais, honrar seu pai, ser um exemplo para seus filhos e ter admiração de sua esposa. Nesse nosso mundo moderno em que a noção de ser homem tem se erodido e tantos acreditam numa noção hedonista que ser homem é ser um mero ‘reprodutor’ sempre em busca de fêmeas e incapaz de fazer conexões profundas e mais ainda nesses dias em que a responsabilidade assusta foi verdadeiramente emocionante ver jovens comprometidos na essência de ser um homem, pelo menos a meu ver.

Não estou defendendo um retorno a uma suposta pureza ancestral, mas sim apontando o óbvio vivemos dias difíceis para formar uma identidade masculina saudável, que não seja misógina, ou seja, mantendo a noção de responsabilidade pelo bem estar da família das gerações passadas sem o autoritarismo do modelo patriarcal de família.

Claro que não era esse debate que os produtores do documentário pretendiam lançar o plano de fundo do documentário é a construção da Usina de Belo Monte, por sinal é o leilão da usina que gera nos anciões da tribo acompanhada a necessidade de preparar guerreiros para combater a instalação da usina.

Devo confessar que minhas restrições a usina são mais baseadas na forma como o leilão se deu e nas suspeitas que tenho sobre o processo e seu custo para o tesouro, do que na devastação, não que eu seja contrário a preservação da floresta, mas por que não tenho certeza dos números apresentados tanto pelos que defendem quanto pelos que discordam.

É sempre interessante aquele modelo em que os vários Brasis se chocam num só país, pode ser quando se repara nos moleques indígenas jogando bola como os moleques na porta da minha casa, ou quando um dos anciões daquela tribo assiste ao mesmo noticiário em que eu vi as noticias sobre a usina. E, por mais clichê que isso possa parecer nesses momentos é impossível não sentir que apesar de tudo que nos separa há algo que no unifica, algo que nos faz brasileiros.

Poderoso é sentimento de unidade e de nação, tão poderoso que é usado em todo tipo de causa e provoca uma perigosa catarata política que nos obstrui a visão, ou mesmo nos cega completamente. E por isso mesmo faço tantas advertências contra o nacionalismo.

Imagino que a essa altura quem resistiu a esse tortuoso texto se pergunta o que eu quero com ele, e o que tudo isso tem a ver com relações internacionais? Bom, meus caros talvez a pergunta mais difícil de responder quando se estar a formular, ou analisar uma política externa é justamente saber qual é o interesse nacional. E não há escapatória definir um interesse nacional é arbitrar entre interesses tão difusos quanto os dos habitantes da floresta ou de uma cidade pequena do sudeste. E muitos outros mais poderosos, mais populares, etc.

E no final das contas os guerreiros Caiapós e um blogueiro cheio de dúvidas são um pouquinho de Brasil

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99%?

Nesse sábado passado, dia 15 de outubro, o movimento Occupy Wall Street recebeu solidariedade global de vários grupos que embora não filiados formalmente comungam do mesmo ideário anticapitalista dos ocupantes nova-iorquinos.

Do ponto de vista da teoria das relações internacionais o evento foi mais um exemplo de como grupos de opinião pública se organizam de maneira trasnfronteiriça para influenciar temas da agenda internacional. E, mais uma vez corroboram a importância crescente dos atores não-estatais na formulação da agenda internacional e dos regimes internacionais.

É claro que esses grupos não desenvolvem uma política externa própria, não possuem o aparato formal e nem as bases de poder para isso, mas se concentram em influenciar os tomadores de decisão, tanto pela via tradicional nas democracias que é o voto, como pela pressão da opinião pública, de certo modo parece ser uma evolução da tática normal desses grupos de concentrarem suas ações quando ocorre algum tipo de reunião de cúpula. Claro, depois de Seattle qualquer cidade que realiza um encontro desses prepara um esquema de segurança que torna difícil que as pressões das manifestações influenciem os rumos do debate.

Não é novidade para meu leitor assíduo que sou adepto de uma esquemática de análise das relações internacionais que tenta determinar o grau de influência de qualquer ator do sistema internacional a partir dos elos e laços que ele possui e da sua capacidade de influir no comportamento dos demais atores. Nesse sentido ainda é cedo para saber o grau exato de influência da agenda dos ocupantes no cenário internacional, mesmo por que é preciso dizer grande parte dessa agenda é difusa (algumas demandas chegam a ser caricatas) e, além disso, já encontra voz nos lideres de linhagem mais esquerdista.

Será interessante observar se os ocupantes terão capacidade de empurrar os governos diversos a fecharem acordos internacionais que sejam agradáveis as idéias de controle de capital financeiro que estão no cerne dos protestos. Contudo, a priori não vejo essas manifestações como sendo capazes de influenciar dessa maneira a agenda dos líderes políticos.

Deixando um pouco de lado as elucubrações sobre impactos internacionais desses movimentos vou me ater a um ponto que tem chamando muito minha atenção nesses manifestantes. Eles têm se arrogado como representantes da maioria contra o que vêem como privilégios da minoria de 1% dos mais ricos.

A argumentação é muito sedutora nesse sentido, afinal é fato que existe uma concentração de renda elevada, é fato que é injusto que a classe média seja taxada pesadamente e investidores financeiros recebam alíquotas generosas de imposto.

Mas, as soluções propostas por esses indivíduos estão longe de representar um consenso da maioria e não gosto especialmente do maniqueísmo presente em algumas manifestações que li de que discordar deles é fazer parte ou querer proteger a minoria de 1% de multimilionários.

O grupo se vale da poderosa mística de que são perseguidos pela mídia que controlada pelos poderosos quer abafar o evento. É uma tática poderosa para ganhar simpatia da opinião pública esse tipo de argumento e é usado em todos os campos, posso citar aqui, por exemplo, dois treinadores de futebol que são mestres em motivar seus jogadores criando a idéia de que são perseguidos pela mídia.

Essa tática é eficaz não só por motivar os militantes da causa, a audiência interna , ela é efetiva para pautar a própria imprensa que passa a cobrir o evento com grande atenção e simpatia a causa para provar que não está perseguindo o grupo, além de que caso a imprensa ressalte aspectos negativos desses movimentos eles podem apenas reforçar a assertiva inicial de perseguição. Claro, há limites nessa estratégia, contudo, ela funciona muito bem, ainda mais por que a audiência desse tipo de causa é por natureza desconfiada da imprensa.

Chamo aqui atenção do meu leitor para que analise a questão com muito cuidado, a maior parte dos especialistas universitários chamados é pessoalmente muito simpática ao movimento quando não estão engajados em atividades similares isso torna muitas análises parciais – e quero crer que não seja por má-fé – e pouco rigorosas.

Rigor, que por sinal, nunca faltou ao avaliar outro movimento grassroots que também acredita que os mecanismos de governança estão exauridos, que também se revoltou com o uso maciço de dinheiro público no resgate de grandes bancos, movimento que também reage ao desemprego, perdas de casas, etc, um grupo que também foi às ruas de forma pacifica protestar, que, contudo não consegue obter de grande parte da imprensa americana e internacional a mesma simpatia com que vêem os ocupantes, falo é claro do Tea Party. E claro que há meios de comunicação que lhes são favoráveis, em menor numero do que os antagonistas.

A grande diferença dos dois grupos além da óbvia distinção ideológica está na práxis o Tea Party buscou a influência pela via eleitoral e se organizou rapidamente para conseguir doações de campanha e eleger seus representantes, se tornaram muito rapidamente uma força a ser lidada no cenário político-eleitoral. É claro que esse movimento republicano conservador animado pela sua expansão de influencia e por vitórias sucessivas é bastante intransigente, mas é preciso se lembrar seus membros foram eleitos prometendo justamente isso.

Creio ser ilusório acreditar que o Occupy Wall Street representa uma inovação na forma de fazer política que surge para incluir a maioria alijada do processo decisório que foi cooptado por multimilionários sem face. Esse é um movimento político que como todo movimento dessa natureza terá que cedo ou tarde ser testado nas urnas, tanto é que figuras importantes do partido democrata têm se aproximado do movimento sejam políticos e filiados seja aqueles que são ligados por laços de preferência como o cineasta Michael Moore. Não se trata de instrumentalizar os manifestantes e transformar o movimento num movimento partidário como o Tea Party é muito uma estratégia que visa reforçar para os ocupantes que só entre os democratas eles encontram quem os reconheça, os ouça, não é a toa que os especialistas dizem que o grande objetivo do movimento é ser visto, reconhecido e aceito.

Claro que os anticapitalistas e altermundistas mais radicais serão refratários a isso, mas esse grupo não obstante o barulho que faz é minoritário e só se satisfaz com medidas antisistemicas.

O Occupy Wall Street, como os indignados europeus representam uma parcela considerável sim da opinião pública e tem o direito democrático de se expressarem, de se juntarem em assembléias pacificas e de peticionarem o poder público, mas tem também que aceitar algo inexorável eles não representam a totalidade dos 99%.

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Evento: I Conferência sobre Integração Latinoamericana, 18-20 de outubro, Franca

Copio abaixo o convite para a “I Conferência Conjunta História- Relações Internacionais sobre Integração Latinoamericana” publicado por Raphael Lima no blog “Página Internacional”. O evento será na UNESP em Franca.

Durante minha palestra no III FoCO RI falei sobre a necessidade de um analista se expor a pontos de vista distintos não só para que não se isole em idéias estanques, mas também para conhecer o que pensam diversos atores e correntes de opinião pública. Bom, esse é o caso desse evento – que infelizmente não poderei ir – os principais palestrantes possuem uma cosmovisão muito distinta da que vocês encontram aqui nesse site e por isso mesmo eu divulgo o evento.

Abaixo o texto do Raphael, com seus devidos links. (Original, aqui)

I Conferência Conjunta História- Relações Internacionais sobre Integração Latinoamericana

“Os povos que não se conhecem devem ter pressa em se conhecer, como aqueles que vão lutar juntos. Os que se enfrentam como irmãos ciumentos, (…) devem dar as mãos para que sejam um só. (…) as árvores devem formar fileiras, para que não passe o gigante das sete léguas! É a hora da avaliação e da marcha unida, e deveremos marchar bem unidos, como a prata nas raízes dos Andes.” (José Martí, Nuestra América, 1891).

Caríssimos leitores,

Gostaríamos de convidar a todos para participar da primeira conferência conjunta de História e Relações Internacionais da UNESP - Franca sobre a temática da integração regional. Contaremos com ilustres presenças de palestrantes especialistas na temática da UNESP e de outras grandes universidades.

Segue, abaixo, mais detalhes sobre o evento:

Data: 18, 19 e 20 de Outubro

Local: Faculdade de Ciências Humanas e Sociais - UNESP Av Eufrásia Monteiro Petráglia, 900 - Franca/SPInscrições: 10,00 (conferência + mini-curso) 15,00 (apresentação de trabalho) http://integracaolatinoamericana.wordpress.com/

Programação:

MESAS-REDONDAS (19h00)

Anfiteatro II

18/10 - A América Latina enquanto bloco cultural e político

Prof Drª Regina Laisner (UNESP- Franca)

Prof Dr Renato Braz Oliveira de Seixas (USP)

Prof Dr José Luis Beired (UNESP- Assis)

19/10 - Imperialismos e dependência – a união latinoamericana como estratégia de superação

Prof Dr Alberto Aggio (UNESP- Franca)

Maria Silvia Portela de Castro (Secretaria de RI da CUT/ Mestre pela USP)

Prof Dr Pio Penna Filho (UnB)

20/10 -Tentativas e Perspectivas da Integração Latinoamericana

Prof Dr Augusto Zanetti (UNESP- Franca)

* Esperando confirmação de Marco Aurélio Garcia (Assessor Especial da Presidência para Assuntos Internacionais) e de Joaquim Pinheiro (Coletivo de Relações Internacionais do MST).

MINI-CURSOS (9h00 - 12h00)

Salas de aula

1) Movimentos Sociais na América Latina – Gonzalo Berrón (Secretaria de RI da CUT/ doutor em Ciência Política pela USP)

2) As questões ambientais na integração latino-americana: das disputas por recursos naturais à cooperação ambiental – Fernanda Mello Sant’Anna (Doutoranda em Geografia pela USP)

3) O Plano Colômbia na relação Colombo-Equatoriana: Estados e fronteiras – Laura Gonzalez (Antropóloga, Mestranda pelo Progama Santiago Dantas)

MOSTRA DE CINEMA LATINOAMERICANO (14h00 -17h00)

Anfiteatro da biblioteca

SESSÃO DE COMUNICAÇÕES (14h00 - 17h00)

Salas de aula

(As inscrições de trabalhos estão abertas. Veja informações emhttp://integracaolatinoamericana.wordpress.com/)

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A vida é Newtoniana, o mundo é Newtoniano. Ou um texto doloroso

Esse não é um texto sobre RI. É um desabafo que preciso fazer.

Vez ou outra algo mais filosófico atravessa nossa vida cotidiana atribulada e um tanto fechada no imediatismo dos resultados e metas e somos forçados a confrontar a realidade que é sabida, mas passa a ser sentida.

Explico com um exemplo, todos sabemos que a pobreza extrema é algo terrível, não precisa ser um bleding heart para sentir empatia com alguém que sobrevive com menos que o mínimo. Mas, é outra coisa ser confrontado com um individuo nessa situação é outra coisa conhecer seu nome, sua história e perceber a total falta de opções reais. É claro que o primeiro impulso é ajudar e ser solidário. Mas, o problema não se resolve só com caridade pura e simples.

Fui confrontado esses dias com uma história assim que reforçou em mim a convicção de como o vicio em álcool e drogas conjugado ao rompimento da rede de amparo familiar acaba por gerar uma situação de dependência da assistência oficial, que é vergonhosamente ineficiente.

A realidade da vida é muito dura e implacável cada má escolha é punida invariavelmente é punida. Nesse caso que chamou minha atenção é possível ver como fatores gerais como baixa escolaridade aliadas a escolhas pessoais temerárias têm conseqüências graves.

Já disse várias vezes isso e há diversas correntes religiosas que pensam assim também o mundo parece regido pelas leis de Newton não só na matéria, mas nas relações sociais e naquilo que por falta de termo melhor chamo de destino.

Newton estipulou: “Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi.” Em termos mais diretos toda ação provoca uma reação.

É claro que isso é óbvio, mas ainda assim por vezes os seres humanos parecem incapazes de lembrarem-se disso. Sem entrar em detalhes que firam a privacidade dos envolvidos a história que me motivou envolve uma senhora que agora em idade avançada e doente se vê sem casa própria, vivendo num quarto de aluguel num terreno que só posso descrever como sendo uma “cabeça de porco” ou mesmo uma boca de fumo.

Essa senhora já teve casa própria, pobre, mas com tudo que faz uma construção ser um lar, inclusive memórias. Mas, vou voltar um pouco no tempo. Essa senhora já foi casada algumas vezes, teve o azar de enterrar alguns maridos e deixou filhos pra trás na guarda de outros familiares.

Alguns anos atrás ela perdeu seu marido, companheiro de algumas décadas, um senhor simples que lembro tinha um aguçado senso para analisar políticos e uma habilidade de prognóstico que me fazia pensar que com alguns anos de estudo formal ele poderia facilmente ser um desses professores que tanto admiramos. Com a morte desse homem gentil, trabalhado e que passava em sua pose um senso de orgulho e dignidade impecáveis a senhora ficou com a filha dela mais nova.

Essa moça que também não tem escolaridade formal mergulhou no escapismo possível das bebidas alcoólicas e mais recentemente do crack, suspeito eu. E acabou engravidando algumas vezes o primeiro menino de pai desconhecido, acabou sendo adotado por uma família caridosa e se desenvolve bem e o segundo filho vive com o pai biológico e sua esposa. Os outros nem tiveram a chance de nascer, alguns consideram essa alternativa a melhor eu não.

A senhora e sua filha se envolveram numa espécie de triângulo amoroso que é insondável para mim. Prefiro realmente ignorar os detalhes. Que teve como conseqüência agressões físicas por parte do sujeito que se diz homem e as duas deixaram a cidade por um tempo tendo que vender a casinha pelo valor de BRL 5.000,00. Sim, módicos cinco mil reais. E tentaram se estabelecer numa capital vivendo com uma das filhas que a senhora deixou pra trás.

A filha que ficou para trás acabou perpetuando o ciclo de abandono e não quis cuidar da mãe e da problemática meia-irmã, o mesmo se passou com o filho, devo notar que me dói pensar em alguém que faça isso, ainda mais com o carinho que senhora falava desse rapaz que possui nobre formação superior e bom emprego.

Hoje essa senhora vive na casa que falei doente e com depressão, gasta o salário mínimo que recebe como pensão no aluguel do quarto e no fornecimento de alimentos, que não preciso dizer não são os apropriados para sua idade e seu quadro clínico. Que é piorado pelo uso regular de álcool feito por ela e por ver sua filha com apenas 32 anos não trabalhar e definhar entregue ao vício e aos prazeres imediatistas.

O natural seria acolher essa senhora aqui em casa, mas quem já lidou com pessoas viciadas – como a filha dela – sabe o quanto isso exige de compromisso emocional e o risco real que essa medida incorre, não só de danos ao patrimônio, mas físico mesmo.

Diante dessa história, que admito me rouba o sono, não pude deixar de lembrar as palavras da III Lei de Newton: “A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em direções opostas”.

A história está longe do fim, mas fica o dramático exemplo que me levam a ter ainda mais certeza que é preciso viver a vida de maneira responsável e ponderar bastante cada decisão que tomamos. E mais é preciso sempre estar disposto a ajudar ao próximo – afinal é para isso que vivemos em sociedades e famílias – mas é preciso que o próximo se ajude também.

Multipliquem por milhares ou milhões esse drama e vocês verão por que as drogas e o vício são as grandes ameaças a estabilidade e segurança da região, a meu ver, pelo menos.

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Evento: Seminário Internacional: O Estado brasileiro, Brasília, 07/10

Copiado do blog Diplomatizzando do diplomata e professor Paulo Roberto de Almeida. O evento conta com vários palestrantes de alto nível como o Ricardo Caldas, David Fleisher, Paulo Kramer e João Paulo Peixoto (que por sinal é pai de uma grande amiga minha).

Como sempre coloco nessas situações se alguém for e quiser compartilhar suas impressões fico feliz em publicar.

Seminário Internacional

UnB/IREL e Bildner Center

O ESTADO BRASILEIRO

Debate e Agenda

Lançamento do livro The Brazilian State: debate and agenda, editado por Mau­ricio Font e Laura Randall com a assistência de Janaína Saad, contendo capítu­los de professores da UnB e de outras universidades brasileiras e norte-americanas.

Local: FA – sala A1-04 (1º andar)

Data: 07 de Outubro de 2011

Horário: 08h30 – 12h30

O Estado Brasileiro desde Vargas

João Paulo M. Peixoto, UnB

Além das Crises: respostas e perspectivas

Eiiti Sato, Diretor do IREL

O Estado Brasileiro: debate e agenda

Maurício Font, Diretor do Bildner Center – CUNY

Ricardo Caldas, Diretor do CEAM/UnB

Estado e Trajetória no Desenvolvimento Capitalista Brasileiro

Renato Boschi, IESP/UERJ/IUPERJ

Feminismo, o Estado, e Igualdade de Gênero

Lia Zanotta, UnB

Reforma Política: uma história sem fim

David Fleischer, UnB

Financeirização, Estado e Crise: uma nova “mania” no Brasil?

Elaine da Silveira Leite, Ufscar

Reforma da Previdência no Brasil: Construindo um Pacto Social

José Roberto Ferreira Savoia, USP

O Sistema Financeiro

Fernando Sotelino, Columbia University

Comentários finais

Paulo Kramer, Senado Federal

OUTROS

Para maiores informações, favor contactar o Instituto de Relações Internacionais da UnB tel: 3107-0761

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E o Brasil recebeu duras críticas do Financial Times

O Blog “BeyondBrics” do renomado jornal britânico “The Financial Times” é dedicado como sugere o nome a analisar e reportar sobre os BRICS. Hoje uma entrada desse blog tem chamado atenção e mereceu um quase “chilique” de uma comentarista no jornal “Em Pauta” da Globo News. A entrada em questão trás críticas duras e ácidas as propostas da presidente Dilma e do ministro Mantega e tem o título: “Dilma: agony aunt to the EU”, escrita pela jornalista Samantha Pearson.

Há uma tendência entre observadores e comentaristas de assuntos internacionais no Brasil de sinalizar qualquer crítica feita ao Brasil como sendo algo como “arrogância do colonizador”. A jornalista comentou a matéria como se fosse uma grave ofensa a pessoa da presidente e ao Brasil.

Eliane Cantanhêde (aliás, se você quiser ouvir a versão oficial do Itamaraty leia os comentários dela. Sempre trás certinho a visão que o MRE quer passar) comentou que o texto não repercutiu em Brasília e que não deveria haver resposta da presidente. Mas, disse que o texto foi fora de tom.

Devo confessar que havia lido o texto mais cedo, mas não tinha lhe dado tanto peso, mesmo por que eu já havia tecido nas redes sociais e aqui comentários muito parecidos, contudo tive que reler para saber o que estava assim tão fora do tom. E convido vocês a lerem também.

De fato o texto é como já disse acima irônico e deixa claro logo no título brincando com o ar severo e “moralista” da presidente. E não ameniza no primeiro parágrafo em que faz troça dos conselhos de Dilma quanto ao sistema tributário europeu lembrando a caos e o peso do sistema tributário brasileiro.

O texto toca num ponto que reiteradamente escrevo aqui que é o problema de superdimensionar o poder quando se formula uma política externa. Ao se arrogar o papel de liderar o mundo no tema crise financeira o Brasil se expõe a uma análise mais pormenorizada de nossas credenciais e das políticas usadas internamente. E nem sempre essa pretensão resiste a tal análise. A jornalista vai direto ao ponto quando diz que as recomendações do Brasil além de irreais são um tanto hipócritas como condenar o protecionismo dias depois de elevar impostos para veículos importados.

Esse artigo do “Financial Times” deve gerar alguma gritaria dos setores mais próximos ao governo e que compartilham sua linha ideológica, continuarão a dizer que foi arrogância de colonizador, empáfia européia e outras platitudes do mesmo quilate. Não sei se terá algum impacto geral nos esforços de Soft Power do governo brasileiro. No final das contas será apenas mais uma reportagem. O que me motivou a escrever foi muito mais o verdadeiro chilique da repórter num tom de “como assim vão falar desse jeito do Brasil” e a frase da Eliane que qualificou como “fora de tom”.

No fim das contas é apenas uma crítica um tanto ácida, mas pertinente. E vocês o que acham?

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