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Raul Castro na Granja do Torto: Um Itamaraty humilhado?

Granja A diplomacia brasileira sempre gozou de muito prestígio, aliás, com chanceleres de carreira, ou seja, sem respaldo de votos e partidos é importante que tenha prestígio para se fazerem ouvir na esplanada, assim é o sistema brasileiro, precisamos ter em mente.

Patriota caiu por que nunca soube controlar a máquina e principalmente nunca conseguiu gozar de prestigio palaciano, há relatos – sem confirmação oficial – de que era ademoestado, em público, com a veemência (grosseria) habitual da presidente. Um desprestigio pessoal que também pesava sobre a pasta.

Aliás, foi o caso do senador boliviano confinado a nossa embaixada em La Paz, que deu cabo a um processo nunca antes vistos no MRE, uma comissão de sindicância, presidida por pessoa alheia ao Serviço Exterior Brasileiro, não recordo nem no período de truculência militar um processo semelhante.

O Itamaraty enfrentou, também, processos grevistas inéditos – e a meu ver justos – na luta contra o anacrônico assédio moral e por melhores salários para funcionários locais.

Vários países do mundo possuem assessores especiais em assuntos externos, mas nesses países os chanceleres são políticos com tração social, então a chancelaria não se vê em desprestígio, por exemplo, o caso do State Department que não detém o monopólio da política externa americana, mas é altamente relevante em sua execução e construção. O modelo brasileiro tem a vantagem de supostamente descolar a política externa de interesses de curtíssimo prazo da política partidária, ele resguarda o patrimônio construído pelas gerações e dá a Política Brasileira a bem vista previsibilidade e senso de interesse de Estado com ampla continuidade temporal.

Há muito que qualquer observador atento percebe que mais e mais decisões de política externa são decididas exclusivamente no Planalto. Marco Aurélio Garcia é homem poderoso, coordenador de campanhas presidenciais e articulador da Política Externa para América do Sul e Latina e apesar de todos os circunlóquios fica clara que eleições afetivas e ideológicas pesam sobremaneira nessas decisões, ou como explicar hospedar o ditador cubano na Residência Oficial da Granja do Torto?

Já escrevi isso várias vezes, pode-se fazer uma política externa cosmopolita, sul-sul, anti-hegemonica, ou qualquer adjetivo que se queira, sem ter que ir na “extra-mile”, em um vocabulário mais corrente é possível ter relações independentes com qualquer país sem ter que “puxar saco”. É claro, que nos assuntos internacionais se aperta a mão e se posa pra fotos com pessoas não recomendadas para o consumo humano, mas abrir sua casa para elas, é um tanto demais.

Quais os ganhos que hospedar com tamanha deferência o líder cubano trarão para o Brasil? E por que tratar a hospedagem como “Segredo de Estado”?

Força diplomatas, sempre tão avessos a intervenção dos “amadores” na Política Externa, não há humilhação que seja pra sempre. E pensando bem, imagino o porquê do silêncio. A subserviência é sempre constrangedora

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Cúpula dos BRICS IV: O comércio em moeda local, por Paulo Roberto de Almeida

cambio Um aspecto da retórica que emanou da cúpula dos BRICS recém terminada foi a eterna discussão de comércio bilateral em moeda local, sempre defendida para acabar com hegemonia do dólar, ou como dizem os entusiastas desse arranjo financeiro, para acabar com a hegemonia comercial estadunidense (minha aversão a esse termo é melhor explicada aqui).

Quase sempre os entusiastas dessa solução deixam de lado ou subestimam a questão da liquidez e do processamento dessas operações de comércio exterior, que é um sistema bem azeitado e construído pela necessidade prática dos países e dos exportadores.

Paulo Roberto de Almeida que é diplomata e alguém que me arrogo (com alguma vaidade) chamar de amigo manifestou sua visão, sempre embasada pelos anos de leitura sistemática e pela produção acadêmica profícua algumas inconsistências nessa visão, mais ideológica que prática. Abaixo um texto veemente e com pitadas de humor tão peculiares ao professor.

Contra a hegemonia do dolar: uso de moedas nacionais - o que pensar dessa coisa? Paulo Roberto de Almeida

Alguém aí falou em dispensar o dólar -- uma moeda certamente arrogante, que dispõe de um "privilégio exorbitante", como diria um francês -- e passar a usar moedas nacionais para as mais diferentes transações e investimentos, enfim, como um ativo como outro qualquer?

Ah, parece que foi num recente encontro em algum lugar deste nosso planetinha redondo...

Quando eu ouço certas coisas, vocês me desculpem, mas me dá um comichão, desses que ficam coçando no cérebro, eu me pergunto onde foi mesmo que eu ouvi a mesma coisa antes?

Ah, me lembrei: foi aqui mesmo, neste cantinho irrelevante de inteligência, neste quilombo de resistência intelectual contra certas ideias, as ruins e as más, as desajeitas e as feias...

Em 2009, vejam vocês, algum desses gênios da Unicamp deve ter falado novamente em comércio em moedas locais.

Eu logo saquei do meu coldre o meu Moleskine e uma caneta e anotei a sugestão; chegando em casa perpetrei essa peça de desatino que segue abaixo, e que por acaso encontrei hoje, no pré-cambriano deste blog (OK, foi um pouco mais tarde, foi no Ordoviciano, não importa).

Transcrevo novamente agora, sem sequer ler o que escrevi antes. Não devo ter mudado muito de ideias. Os outros é que continuam repetindo bobagens...

Paulo Roberto de Almeida

O grande retrocesso Monetário e cambial: comércio em moedas locais

Paulo Roberto de Almeida

18.06.2009

Existem coisas que escapam à compreensão de economistas, ou até de pessoas normais.

Refiro-me, por exemplo, à febre ou frenesi em torno do comércio internacional feito em moedas locais, ou seja, dispensando o dólar, que desde a Segunda Guerra Mundial converteu-se no padrão de referência e veículo efetivo da maior parte das transações monetárias, financeiras, cambiais e, sobretudo, comerciais no mundo.

Isso não impede, obviamente, que outras moedas sejam usadas, como é o caso do euro nos países membros da UE e entre esta e uma multiplicidade de parceiros. O iene, a libra e algumas outras moedas também são utilizadas para determinadas transações ou entre número seleto de países.

O dólar não foi imposto a todos os demais países do mundo por alguma medida de força, ou de direito, dos EUA. Trata-se apenas do simples reconhecimento da importância econômica dos EUA, da confiança que os agentes econômicos e os próprios países têm na sua manutenção como instrumento confiável, que responde aos três critérios básicos de uma moeda.

Não custa nada lembrar quais são:

1) unidade de conta

2) instrumento de troca

3) reserva de valor

Ponto. Apenas isso. Claro, toda moeda é antes de mais nada uma questão de confiança: se você acredita que aquele papel pintado possui efetivamente poder de compra, que você poderá utilizá-lo de diferentes formas, para as mais variadas transações, ao longo do tempo, isto é, preservando o seu poder de compra, então você decide, em total liberdade, utilizar aquele papel pintado. Se você não confia, faz qualquer outra coisa, mas se desfaz desse papel pintado que não merece a sua confiança.

Pois bem: o mundo demorou anos, décadas, para construir um sistema multilateral de pagamentos e um regime de trocas que facilite as transações entre os países, com o mínimo de restrições possível. O multilateralismo monetário, por imperfeito que seja -- posto que as autoridades monetárias americanas podem decidir dar um calote no mundo, deixando de honrar seus compromissos externos, com os compradores de títulos do Tesouro, por exemplo -- é o melhor sistema possível, pois permite que a mesma moeda seja usada com os mais diferentes parceiros em todas as transações que eles desejem, sem se amarrar em um instrumento único, como ocorria ainda com o bilateralismo estrito dos anos 1930, baseado em compensações diretas entre os países.

À luz destas reflexões, eu não consigo compreender como se deseja recuar do multilateralismo -- ou seja, da liberdade cambial e monetária -- para o bilateralismo, no qual só poderemos utilizar a moeda de um parceiro com esse mesmo parceiro.
Me desculpem os mais bem informados, mas não consigo encontrar nenhuma explicação racional para esse tremendo equívoco conceitual, para esse imenso retrocesso econômico, para essa servidão voluntária, como já disse um filósofo.

Será que a inteligência econômica está recuando no mundo, ou em determinados países?

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STRATFOR: Reflections on an Unforgiving Day

Luto Um raro texto mais emocional e reflexivo do Stratfor feito a luz dos eventos trágicos em Gaza e na Ucrânia. Já escrevi algumas vezes que a cerebral atividade de análise das Relações Internacionais, em algumas ocasiões tem um peso emocional, via a empatia que é inevitável. E ontem realmente foi um dia de imagens doloridas e de perceber uma verdade que fazemos questão de esquecer de tempos em tempo, nosso destino não está sob nosso controle.

Mas, o que me faz transcrever esse texto é mostrar que é possível ter empatia quanto a tragédia humana e não analisar com o “fígado”, ou seja, não podemos abandonar a racionalidade, que afinal é nosso ganha pão.

“What ties Ukraine, Russia, Israel and Gaza together is that they are all fighting for their lives, or interests that are so fundamentally important to them that they cannot live without them. They are fighting for their nation and for that nation's safety in a world where unspeakable things happen and where the only ones who will defend you are your family, friends and countrymen, and where all the well-wishers and advice-givers will quietly take their leave if dangers arise. There is nothing easier and cheaper than advising others to get along. These conflicts are rooted in fear, and fear is always a legitimate emotion.”

O trecho acima é de um realismo (não no sentido teórico das RI) desconcertante que não podemos descartar e já mostra como o texto que selecionei pra hoje é impactante.

Reflections on an Unforgiving Day

We ate breakfast to the news that an airliner had crashed in Ukraine. We had lunch to the news that Israel had invaded Gaza. An airliner crashing is perhaps more impactful than an invasion. We have all wondered, when we hear of a crash, or even in quiet moments on board an aircraft ourselves, what living our final moments in a plane plunging to earth, knowing that we will die, would be like. An invasion is harder for some of us to empathize with. Most of us have never invaded a country nor been in a country while it was invaded. But it shares this much with a plane crash: Your life is in danger, and your fate is out of your hands.

We don't even know for certain what happened to the plane or how far the invasion will go. But no reasonable person looking at today could argue that we are the masters of our fates. At one point in the afternoon, it was announced that the White House had been placed on lockdown, which meant that a significant security threat had been found. It turned out someone's lost backpack caused the whole episode.

Our job is to find order in the apparent disorder, even if meaning is fleeting. There are two things we can point to. First -- tragedy aside for the moment -- the plane crash had to do with the struggle for Ukraine, between the right of Russia to be secure from the West, the right of the Ukrainians to determine their own fate, either as one country or two, and the right of Western powers to involve themselves in these affairs. Gaza is about the right of Israel to have a nation, the right of the Palestinians to have a nation and the right of Western countries to involve themselves in the matter.

Both issues are matters of competing national rights, not dissimilar from one and other. The Russians have historically experienced multiple invasions from the west, all of them devastating, some of them through Ukraine. Ukraine means "nation on the edge," or what we could call a borderland. Usually under Russian domination, it is now independent. But for Russia, it is the buffer between the kind of armies that invaded Russia in 1941 when the Nazis came. The names of many of the cities that are spoken of now are the names of the cities in which the Soviet army fought. For the Russians, this is the borderland that can't be given up. Yes, no one is planning to invade Russia now. But the Russians know how fast intentions and capabilities change, and they wonder why the Americans and others are so concerned with having a pro-Western government in Kiev.

For the Ukrainians, who have rarely experienced sovereignty, this is their opportunity to chart their own course. For them, the Russians' need for a buffer is another way of saying Russian oppression of Ukraine. Of course, not all living in Ukraine see this as oppressive. They see the Ukrainian government as oppressing them, by tearing them away from their Russian roots. For western Ukrainians, these Russophiles are thugs trying to destroy the country. For the Russophiles, it is hypocrisy that Ukraine demands that its right to self-determination be honored, but it has no honor for the right to self-determination of the Russophiles.

It is a question of national self-determination, which is one of the foundations of modern Euro-American civilization and always becomes complex when competing nations all claim that right. Does Russia have the right to assure that it will never again have to live through an invasion? Does it have the right to do that at the expense of Ukrainian self-determination? To the extent that the West has involved itself, can it be said that Ukraine is truly free to determine its future?

And so an airliner was shot down and some 300 people died. It is hard to draw the connection between the abstract discussion of national rights and the debris and lives strewn around, but there is a connection. The plane would not have crashed if the question of national interest and national self-determination was not so important to so many people.

The same issue caused four children to be killed on a Gaza beach and a man to be blown apart by a mortar round in Israel. The Israeli Jews claimed a homeland in today's Israel. They were occupiers, but there is not a single country in the world that wasn't, in some way, founded by occupiers. Almost everywhere, there was someone there who was displaced or absorbed to make way for the current occupants. Every nation that exists was born out of some injustice. Consider the United States and Native Americans and slavery. Both were fundamental to America's birth, but the right of the United States to remain intact is not questioned. Look at Europe and the way it was reshaped by armies. Perhaps that happened centuries ago, but is there an expiration date on injustice?

At the same time, there was someone there before Israel. They were not annihilated as in the case of some nations that disappeared with the arrival of newcomers. They are still there, in Israel, in the West Bank and certainly in Gaza. This is the borderland between Israel and the Arab world, and it is filled, particularly in Gaza, by people who are claiming their right to a state. Some who want the creation of that state to include the annihilation, expulsion or absorption of Israel.

There are others who want a two-state solution. They are not really as thoughtful and reasonable as they would like to believe. A state divided in half by Israel would be peculiar to say the least. Could Gaza, a small place packed with people, and a distant West Bank ever become economically viable? And could the Israelis ever trust the Palestinians not to open fire on Tel Aviv from the few miles that would separate it from a Palestinian state? The Arab state would be an economic impossibility. The Israeli state would be at risk. Westerners are filled with excellent advice as to what the Palestinians should do and what the Israelis should do. But as with Ukraine, the Westerners are playing with peripheral issues, things that don't affect them personally and existentially. U.S. Secretary of State John Kerry is attempting to do good. But if he fails, his children won't live with the consequences.

And therefore, an endless and pointless debate rages as to who is right and who started the war in an infinite regression that goes back to times before any living Jew or Palestinian. This is the same as in Ukraine. Ukraine's history had been shaped by its relation to Russia. A debate can be held as to whether this was just. It really doesn't matter. Russia is there and needs things, Ukraine is there and needs different things, and the West is there providing advice, which if it fails won't directly affect it.

What ties Ukraine, Russia, Israel and Gaza together is that they are all fighting for their lives, or interests that are so fundamentally important to them that they cannot live without them. They are fighting for their nation and for that nation's safety in a world where unspeakable things happen and where the only ones who will defend you are your family, friends and countrymen, and where all the well-wishers and advice-givers will quietly take their leave if dangers arise. There is nothing easier and cheaper than advising others to get along. These conflicts are rooted in fear, and fear is always a legitimate emotion.

Others would have approached today by saying that the Russians are evil or the Ukrainians really the oppressors, the Israelis killers or the Gazans monsters. We are sure we will hear from many condemning our moral equivalency, by which they will claim that the only truly moral position is theirs. But this is not a moral equivalency that argues that Ukrainians and Russians, Israelis and Palestinians should therefore sit down and recognize that they really haven't got anything to fight over. This is a moral equivalency that says these people have a great deal to fight over, but that it is their fight, and that -- as when the Romans began wiping out Europe's Celts -- it will be settled by steel and not by kindly advice or understanding. The problem between these people is not that they don't understand each other. The problem is that they do.

And therefore an airliner crashed and reportedly some Americans, our countrymen, may have died. And yes, we would grieve for our countrymen before others, much as Russians, Ukrainians, Israelis and Palestinians grieve for their own. We are no better. But we live in a stronger and safer country for which we are grateful. It allows us to give advice and means we don't have to experience our misjudgments, even on a long sad day.

Editor's Note: An earlier version of this analysis stated that 23 Americans had reportedly died in the plane crash, but conflicting information has since emerged.

"Reflections on an Unforgiving Day is republished with permission of Stratfor."
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Cúpula dos BRIC – III: Um novo banco

Brics VI Governança, governança, governança. É só no que pude pensar quando ouvi a primeira vez que se pretendia criar um banco de fomento multilateral entre os países do BRICS e um Acordo de Contigência. Afinal, falamos aqui do ‘rico dinheirinho’ dos pagadores de imposto dessas nações, que será empregado. E dinheiro privado convertido em público pela via coercitiva dos impostos tem que ser muito bem gerenciado, ou pelo menos deveria ser.

A negociação para criação efetiva do Novo Banco de Desenvolvimento – NBD não foi fácil e nem poderia ser em se tratando de um compromisso concreto entre países tão distintos em ambições e poder.

O governo brasileiro estava pressionado por uma necessidade de mostrar algum resultado em Política Externa, onde ataques veementes são feitos ao período Dilma. A Rússia precisava demonstrar que não está isolado pelas sanções (pífias) de EUA e EU, assim ficou aberto o caminho para que a sede do banco fosse para o núcleo dos BRICS que é a China e ainda com a conveniente desculpa de que Xangai é um centro financeiro, “par excellence”, o que de fato pode sim ajudar a recrutar pessoal técnico para compor o quadro de funcionários desse banco e para que a presidência do Banco fosse para a Índia, o Brasil ficou com a presidência do Conselho de Administração e a Rússia com a presidência do Conselho de Ministros.

Para ser efetivo e proteger o dinheiro dos pagadores de imposto o NBD precisará de regras claras e de procedimentos de devida diligência e corpo técnico capaz de avaliar os projetos e as condições de pagamento dos proponentes. O ideal é que isso se faça com máxima transparência e que os critérios façam sentido político, social, ambiental, econômico, etc. e o acordo fala, de fato, em transparência e acesso a informações, mas é claro, resta observar como será a prática. E, dado o histórico dos países membros e a opacidade e o alto grau de intervenção política em decisões técnicas que conhecemos dos sócios do NBD será preciso muita atenção ao desenho institucional dado a esse banco e para isso é importante observar além das versões oficiais vendidas a nós.

Quando ao Fundo de Contigência, reproduzo aqui trecho de reportagem de Maria Arraes, no Valor Econômico:

“Os montantes anunciados para o acordo contingente de reservas, US$ 100 bilhões (China com US$ 41 bilhões, Brasil, Índia e Rússia, com US$ 18 bilhões e África do Sul com 5 bilhões), são relevantes para a prevenção de crises de balanço de pagamentos nesses países? O acordo prevê que o acesso da China estaria limitado à metade do montante comprometido, e que Brasil, Índia e Rússia poderiam sacar até o montante total de seu compromisso, enquanto a África do Sul, o dobro. Os valores anunciados representam entre 3 e 4 vezes as respectivas quotas no FMI e no, caso brasileiro, menos de um quarto do déficit em conta corrente dos últimos doze meses.

A governança do Acordo Contingente Brics procura equilibrar as diferenças de tamanho e poder econômico dentro do grupo pois parte delas é por consenso. Se por um lado esse equilíbrio é positivo, por outro, pode levar a um engessamento do mecanismo em termos de sua evolução estratégica. Já a decisão sobre utilização dos recursos, por maioria simples do poder de voto dos países que estão fornecendo recursos, poderá resultar em assimetrias de poder dentro do grupo, principalmente a favor da China.”

É auto-evidente que o Banco e o Fundo existem como necessidade política de demonstrar a capacidade de ação e concertação do grupo BRICS e faz parte de uma política comum desse grupo, que é reformar as instituições de Bretton Woods para que reflitam o que esse grupo percebe como alteração estrutural na distribuição de poder no Sistema Internacional.

Mas, é um desenho oneroso para o Brasil que tem baixa poupança e capitaliza seu próprio banco de desenvolvimento (BNDES) com emissão de dívida, e isso deveria colocar a questão do Banco na ordem do dia da discussão política, contudo, a política externa é questão marginal no debate político, bem como assuntos técnicos, que são dragados ao maldito flaxflu do “petralha x tucano”.

Esse avanço institucional dos BRIC não pode mascarar que o grupo é nucleado pela China (70% do PIB do bloco) que tem laços fortes com todos os membros e os demais membros têm laços bilaterais bem frágeis e de perfil menor. E não há nenhuma iniciativa prática para dirimir isso, por exemplo, com medidas de livre comércio, aliás, isso explica o segundo plano que os empresários estão como bem demonstrou a postagem da Sophia Mesquita.

A boa gestão e a eficiência nos projetos de financiamento serão fundamentais para que os objetivos políticos do bloco sejam alcançados e para que o dinheiro dos pagadores de impostos seja preservado (uma vã esperança?). E esse desenho institucional e as regras de financiamento podem também demonstrar se há mesmo uma política eficaz de financiamento a projetos que seja tipicamente emergente ou se haverá uma adequação a modelos próximos dos praticados pelo Banco Mundial. Governança, governança, governança...

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Cúpula dos BRICS – II. Encontro Empresarial dos BRICS, por Sophia Mattos Mesquista

Brics-fortalezaI Abaixo o relato de uma competente internacionalista (e colega de geração na UCB) Sophia Mattos que opera no comércio exterior sobre o Encontro Empresarial dos BRICS. E dá a perspectiva de alijamento (e também o baixo engajamento) dos empreendedores e empresários do processo dos BRICS e em parte isso mostra o que costumo chamar em minhas palestras e textos de falta de “dentes” desse grupo, ou seja, falta de profundidade e integração das sociedades.

Muita conversa, pouca ação

por Sophia Mattos Mesquista*

Boa comida, muita conversa e pouca ação. Assim se resumiu o Encontro Empresarial dos BRICS, realizado ontem (14/07), em Fortaleza, por ocasião da VI Cúpula do grupo. Com um esquema de segurança impecável, um visual luxuoso e inúmeras presenças internacionais de peso, o encontro prometia.

A despeito da eloqüência dos expositores, as palestras do Fórum Empresarial mais pareciam uma tentativa de preencher agenda, do que discutir temas relevantes de interesse da classe empresária presente. Houve um atraso na programação, o que estendeu as palestras para além do intervalo do coffee-break. No entanto, isso não intimidou os participantes que, no momento em que foi servido o “lanche”, se retiraram da sala e não se preocuparam em deixar os próximos palestrantes falando para um salão quase vazio.

Findas as palestras, seguimos todos para o salão onde ocorreria o Business Networking, que seria o ponto alto do evento para aqueles que, como eu, esperavam sair dali com alguns negócios na manga. Há poucos meses a Federação das Indústrias do Estado de Ceará (FIEC) havia organizado um encontro de negócios com os países da União Européia que, apesar de discreto, proporcionou aos participantes boas parcerias. Portanto, apesar do marasmo das palestras, a expectativa de fazer negócios permanecia alta.

O Business Networking era composto por 10 ilhas setoriais, que eram os locais reservados para a realização de encontros de networking simultâneos entre empresários interessados em um mesmo setor. De acordo com as regras estabelecidas pela organização do evento, cada empresa poderia participar de, no máximo, 2 ilhas setoriais, nos horários indicados na agenda de encontros. Seriam realizados 3 ciclos de encontros com duração de 30 minutos cada.

No local, havia um salão maior, onde estava sendo servido um elegante coquetel, com comida e bebida da melhor qualidade. O clima de descontração se estendeu à sala do Business Networking. Havia pouquíssimos empresários nas ilhas e quase nenhuma discussão relevante. Parecia que a maioria estava ali reencontrando velhos conhecidos. Outras salas estavam reservadas para participantes de “crachá azul” e ali sim, parecia haver discussões de peso.

É inegável a força e a relevância dos BRICS no cenário internacional. Acredito que a classe empresária presente no evento de ontem, estava ali como mera expectadora, partícipe de uma fatia mínima do universo de grandes decisões que permeiam este grande encontro.

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* Graduada em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Brasília (UCB), pós-graduada em Logística Empresarial na Fundação Getúlio Vargas e atualmente cursando MBA em Gestão de Negócios pelo Ibmec. Com experiência de mais de 10 anos na área, esteve presente em negociações internacionais na China e na Europa. Atua no setor privado, na área de importação para o mercado da construção civil.

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Cúpula dos BRICS – I

DilmaPutin A Copa do Mundo FIFA Brasil 2014 se foi, mas um novo convescote de proporções globais chegou ao nosso litoral (na linda Fortaleza), claro o título dessa postagem já entrega que trato da VI Cúpula dos Chefes de Estado dos BRICS.

Esse ajuntamento de países parece estar obstinado em realmente se tornar um bloco e com a tentativa de UE e EUA de isolar ou no mínimo constranger as ações de Putin, essa cúpula é uma bela demonstração da impossibilidade dessa estratégia. O Fundo de equalização e o Banco dos BRICS parecem iniciativas concretas e que se coadunam com as estratégias que o gigante chinês estar a usar na Ásia.

Mas, o desafio dos BRICS vai muito além da reforma da governança financeira global, os membros do bloco abrigam em suas fronteiras nada mais, nada menos que 60% das pessoas em condições análogas a escravidão no planeta. Abaixo vai um texto meu de fevereiro que trata desse assunto que não se iludam nos impacta a todos.

Escravidão moderna: Um grave problema humano

Em minha rotina de leitura de jornais e das redes sociais me deparei com um texto desses que quando você termina de ler, você se sente mal e com sérias dúvidas se as coisas evoluirão na humanidade. Falo da crônica de João Pereira Coutinho sobre o filme 12 anos de escravidão.

O tráfico seres humanos e escravidão moderna são problemas graves e que afrontam a dignidade coletiva da humanidade, tanto que há séculos existe um movimento continuo que nasce no movimento abolicionista e persiste até hoje no combate a escravidão.

João Pereira mostra em seu artigo que a causa abolicionista e anti-escravista acaba sendo vítima das divisões e paixões ideológicas que em parte resultam na percepção que Direitos Humanos seria uma causa eminentemente de esquerda, o que é claro é em si uma mistificação ideológica.

Não é que o tema seja ausente do debate internacional, afinal, existem diversas convenções tratando da questão, em especial, no combate ao tráfico internacional de mulheres com vistas a prostituição.

No artigo João Pereira nos informa acerca do Global Slavery Index produzido pela Walk Free Foundation. Ao navegar pelo Index conseguimos os seguintes números de escravos estimados, por país:

Existem em torno de 14.000.000 de escravos na Índia, 220.000 no Brasil, 540.000 na Rússia, 3.100.000 na China e 47.000 na África do Sul. O que significa que os BRICS possuem um total, estimado, de 17.907.000 de escravos, ou aproximadamente 60% dos escravos do planeta.

E o que é um escravo moderno no contexto desse índice?

Slavery is the possession and control of a person in such a way as to significantly deprive that person of his or her individual liberty, with the intent of exploiting that person through their use, management, profit, transfer or disposal. Usually this exercise will be achieved through means such as violence or threats of violence, deception and/or coercion.

Essa definição não é a encontrada nos tratados, mas parece capturar com exatidão essa prática, que ainda viceja no mundo dito moderno.

Essa não é uma questão de direita ou de esquerda ou de qualquer outra divisão política, essa é uma questão humana e talvez não seja a temática que os líderes procuram para dar unidade ao grupo, mas espero que num desses grupos de trabalho exista um que possa contribuir para a troca de experiências no combate a escravidão que leve a uma acelerada queda nesses números indecorosos, mas pode ser que eu esteja a esperar demais.

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Sobre EUA e Alemanha. Atenção a isto, por Francisco Seixas da Costa

Was2688148 Nesses tempos de crise na Eurásia e uma crescente sensação de ameaça russa no Leste Europeu, com denúncias de infiltração de Moscou nos partidos europeus e até mesmo nas decisões de Bruxelas, não espanta que a CIA ande querendo saber mais do que os europeus, mais precisamente os alemães pensam e planejam, mas o esquema mundial de espionagem no atacado denunciado pelo Snowden deixou conseqüências tamanhas que até mesmo a Alemanha, aliada dos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial (pelo menos sua parte ocidental, antes que venham me corrigir), não pode ignorar e retaliar secretamente essa tentativa de invasão de seus serviços de inteligência.

Francisco Seixas da Costa, o ex-embaixador português (a quem muito admiro e transcrevo) chama a atenção para esse estremecimento de relações que pode ter danoso aos interesses dos Estados envolvidos. É tema interessante para mantermos nossa atenção.

Atenção a isto!

Por Francisco Seixas da Costa

A Alemanha acaba de considerar "persona non grata" o chefe dos serviços de informação americano destacado no seu território. Esta notícia é verdadeiramente importante e pode ter consequências que importa seguir.

Tudo indica que poderemos estar no início de uma pequena crise para a resolução da qual vai ser necessária muita diplomacia e um ainda maior bom senso. Não é vulgar um gesto deste género entre países aliados, o que prova a seriedade das imputações que Berlim faz à ação da "intelligence" americana dentro do seu país.

Os serviços secretos alemães são de excelente qualidade e a sua boa ligação a Washington era proverbial. Curiosamente, o serviço de informações externas alemão, o BND, deve a sua formação aos americanos, que, em 1945, recrutaram para tal um colaborador destacado da Abwer (a espionagem militar nazi), Reinhard Gehlen, dado o seu conhecimento profundo do novo adversário dos aliados ocidentais, a União Soviética. Gehlen foi detido, enviado para os EUA, tendo regressado depois à RFA onde, a partir de 1968, se tornou no "patrão" dos serviços alemães de espionagem. Salvo pequenas dissidências no quadro da "Ostpolitik" de Willy Brand, fruto das suspeitas de infiltrações da Stasi (espionagem da Alemanha Oriental), o relacionamento do BND com a comunidade de informações americana foi sempre muito positivo (escrevo sem suporte bibliográfico, porque toda a minha "literatura" sobre esta matérias já está na Biblioteca Municipal de Vila Real).

A confirmar-se, a crise de hoje ficará como um momento histórico nas relações entre os EUA e a Alemanha. Aguardemos as cenas dos próximos capítulos.

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Brasil 2014: Torcedores atônitos

O que se passou ontem, no estádio do Mineirão, será dissecado pelos especialistas em futebol, em esporte. Detalhes dos bastidores virão a tona e com alguma dose de esperança os rumos serão corrigidos. Derrotas são normais, mas com o dilatado placar de ontem não é comum e normal.

Detesto politizar o esporte, mas os políticos, ah eles não resistem a ‘pegar carona’ quando sentem que as coisas vão bem, agora se sentem obrigados a tentar “descolar” da Copa. Mas, será difícil depois de tanta ênfase dada pelos líderes do governo e pela sua militância virtual.

A foto abaixo resume tudo, numa pose forçada.

Dilma-eh-tois

PS: Os comandantes do futebol brasileiro, conseguiram humilhar ainda mais a história do futebol brasileiro com a atitude de expulsar o capitão do Penta do vestiário da seleção.

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EUA, Alemanha, revistando um texto sobre espionagem internacional

Spyxspy A Alemanha está em crise diplomática com o EUA, por conta da prisão de um agente dos serviços de inteligência alemães que vendia segredos para os EUA. É claro, que um caso de espionagem que chega a público é complicado para os governos em questão, ainda mais, depois de todo o escândalo desencadeado por Edward Snowden.

Escrevi ano passado um texto sobre a espionagem americana ao Brasil que julgo ser apropriado ao caso atual entre Alemanha e EUA, principalmente a linha final (mas, tem que ler tudo, rs).

Espionagem internacional

“É isso aí, Dilma: num dia você é Palocci, no outro Francenildo.”

Flávio Morgenstern

Em novos desdobramentos do escândalo de vigilância massiva por parte da National Security Agency (Agência de Segurança Nacional, do EUA) – NSA foi revelado que os presidentes de Brasil e México e suas equipes de governo foram alvos de espionagem e que os agentes de inteligência estrangeiros tiveram acesso aos meios eletrônicos de comunicação dos dois governos.

A espionagem é parte integrante da vida das nações, desde muito antes do advento do Estado-Nação nos moldes Vestfalianos que hoje conhecemos, de fato o grande estrategista chinês Sun Tzu em sua celebrada obra a “A arte da guerra” dedica um capitulo inteiro sobre o uso desse recurso que ele classifica como “um dos tesouros do soberano” e vai além em seu elogio a prática da espionagem: “É engenhoso! Verdadeiramente engenhoso! Não há lugar que a espionagem não tenha sido aplicada”.

Muito embora, a prática da espionagem seja realidade do sistema internacional ser pego no ato, ainda mais de uma nação aliada é extremamente embaraçoso, por que explicita ao público em geral a realidade de que Estados são desconfiados quanto aos planos e motivações dos aliados, outra consequência é minar as estratégias de soft power ou smart power ao alienar as correntes de opinião pública favoráveis ao estado que espiona.

Ao se tornar público e notório que o Brasil foi espionado, retira-se do governo muito de sua margem de manobra, posto que uma política simpática aos EUA (mesmo que pautada em Interesse Nacional), ou de cooperação passará a ser vista como submissão, ou ainda como resultado de algum tipo de segredo escuso obtido pela vigilância. E no caso do partido que atualmente ocupa o Planalto, qualquer reação que não seja pública e percebida como dura corre o risco de alienar o apoio da base do partido, o que a pouco mais de um ano das eleições seria péssima notícia para presidente Dilma.

Nenhum país vai a guerra com a maior máquina militar jamais vista pela humanidade (não é invencível, mas é formidável) por que foi espionado. A resposta brasileira deve vir em forma de protecionismo (como fizeram os franceses, por exemplo) e com uma aura de superioridade moral. No campo público o governo brasileiro exigiu explicações oficiais por parte da Casa Branca e se aventa a suspensão de viagem que a presidente faria aos EUA.

Sun Tzu assevera na obra citada acima: “É fundamental desmascarar os agentes inimigos que te espiam”, recomendação que se torna cada vez mais difícil a medida que evoluem as técnicas de vigilância remota e de invasão de sistemas de computador.

Esse episódio pode ser uma oportunidade para reformar as práticas de segurança da informação do governo federal, por que restou provado que as medidas em uso são inócuas e a própria mandatária foi espionada, o que é inaceitável. E suscita a pergunta onde está a contra-inteligência brasileira?

Parafraseando Alexis de Tocqueville, os problemas da tecnologia se resolvem com mais tecnologia, isto é, se o governo pretende evitar que novas violações de suas comunicações ocorram será preciso além de instaurar uma verdadeira cultura de proteção de dados, também capacidade técnica para tentar coibir a ação de governos estrangeiros e outros grupos.

Nesse escândalo de espionagem fomos pegos de calças curtas, juntamente com os americanos.

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O terceiro reich: uma construção linguística, por Guilherme Carvalho

goebels Conheci Guilherme Carvalho quando fui à Goiânia para palestrar no II EACRI e chamou a minha atenção a paixão que ele falava sobre um artigo seu aprovado para apresentação, naturalmente pedi um resumo para compartilhar com vocês. Não é a linha de pensamento que eu sigo, mas esse é o “barato” da pluralidade de ideias. Leiam o excelente texto do Guilherme.

O terceiro reich: uma construção linguística

Por Guilherme Carvalho*

O terceiro reich, como uma das maiores catástrofes nos mais diversos âmbitos da sociedade contemporânea, surgiu através de uma série de fatores sociais, econômicos e filosóficos. Mas a adesão ao ideal do nacional socialismo, como ideologia, movimento social e estilo de vida, só conseguiu a adesão das massas, através de uma série de fatores exógenos expostos para a sociedade (bandeiras, uniformização e padronização de comportamento). Esses fatores exógenos por sua vez, são a materialização dos fatores endógenos (crenças, credos e ideologia). A transmissão das ideias, e sua consequente materialização acontece sob o prisma da linguagem falada.

Um importante fato a se destacar, é o discurso, como mobilizador da massa alemã. Segundo Ferreira (2008) A propaganda e o discurso são a principal arma para a “Servidão Voluntária”. Nesse sentido, compreende-se que a linguagem, seja ela escrita ou falada, teve o poder da mobilização e da completa entrega de uma determinada parte da sociedade, em prol de algo que acreditaram ser a salvação de todo um povo. Essa ideia de salvação, também foi criada por meio da fala, onde o ato de se dizer constitui uma realidade. A fala é obra da inteligência teórica, em seu verdadeiro sentido — é a sua expressão exterior. Sem a linguagem, os exercícios de memória e de imaginação são manifestações diretas (Hegel 2001, p. 113).

O domínio coercitivo realizado pelo nazismo em suas mais diversas esferas de atuação dentro da sociedade e do Estado alemão era transmitido pela fala. Fala essa que expressava corporalmente e sonoramente toda a coerção e a tensão que queriam passar para a sociedade. Para Klemperer (2009) o domínio absoluto que o nazismo exerceu sobre a normatização da linguagem se estendia ao âmbito da língua alemã, fazendo dela seu instrumento. Klemperer ainda ressalta que o estilo do ministro Goebbels não discernia a linguagem do discurso, para com a linguagem dos textos, por isso declamava, declamar significa literalmente falar alto sem prestar a atenção no que se diz.

Todo o ideal pregado pelo partido nazista se materializava na forma de Hitler e seus discursos como a “voz divina” que deveria ser ouvida pelo “povo escolhido”. O Fürher que por sua vez se pregava o salvador da Alemanha, e o construtor do Terceiro Reich, acabava sendo porta voz de uma verdade única, sem contestação. Nesse sentido, Chauí (1980) nos mostra que O discurso ideológico é coerente e racional porque entre suas “partes” ou entre suas “frases” há “brancos” responsáveis pela coerência. Assim, ela é coerente não apesar das lacunas, mas por causa ou graças às lacunas. Da mesma forma os discursos de Hitler se tornavam extremamente coerentes, justamente por haverem essas “lacunas” que tratavam de serem preenchidas pela imagem e a propaganda em torno de Hitler, sem contestações.

Para Wittgenstein (1921) para mostrar o que deve ser mostrado além do discurso, é preciso falar, ainda que a fala seja absurda. E no regime nazista, quem detinha o poder da fala, era apenas o partido, o partido que por sua vez controlava todos os meios de linguagem, escrita, impressa, visual, ou falada. Dessa forma, devido a falta de um discurso contrário, houve uma facilidade de manter a massa inerte em relação ao que acontecia dentro do Estado. Klemperer (2009), mostra que o nazismo, embrenhou na carne e no sangue da massa, por meio das palavras, expressões, que foram impostas e repetidas milhares de vezes, e foram aceitas conscientemente e mecanicamente.

Dessa forma é possível concluir que o nazismo usurpou o meio de transmissão dos fatores endógenos, para suas respectivas matérias exógenas. Controlando assim as mentes por uma falta de discursos opostos, e também pela proibição da exalação dos sentimentos e ideias contidas no mais íntimo das massas. Portanto, o nazismo foi um fenômeno criado por um determinado grupo, conduzido pela linguagem (além de privatizar a mesma) e se materializou levando o mundo ao maior horror do século XX.

Bibliografia

CHAUÍ, Marilena. O que é ideologia. Editora Brasiliense – coleção primeiros passos, Brasília – Df, 1980.

HEGEL, Friederich. A Razão na História Uma Introdução Geral à Filosofia da História. Centauro Editora, São Paulo – Sp, 2° edição, 2004.

KLEMPERER, VICTOR. Lti - A linguagem do terceiro reich. Editora Contraponto, Rio de Janeiro – Rj, 1° Edição, 2009. ISBN: 978-85-7866-016-1.

WITTGENSTEIN, Ludwig. Tractatus Logico-Philosophieus. Companhia Editora Nacional - Editora da USP, São Paulo - Sp, Vol. 10, 1921.

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* Aluno de graduação em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Foi diretor de finanças do Centro Acadêmico Sérgio Vieira de Melo, Responsável pelas finanças da instituição, além de membro do corpo decisório. Co-fundador do Projeto Panorama, projeto esse que visa trazer o debate entre acadêmicos, políticos e empresários sobre os mais diversos assuntos. Atualmente engajado em um projeto de pesquisa na linha de:A identidade coletiva regional no sistema internacional contemporâneo: a América do Sul e os países árabes frente a nova ordem multipolar. Com foco da pesquisa voltado para: A participação da América do Sul na formação e reconhecimento do Estado Palestino.

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A “Branca”, por Francisco Seixas da Costa

cerebro Alguns amigos elogiam minha memória para detalhes de conversas passadas, e de outras minúcias que pelos mistérios (pelo menos pra mim) da anatomia e funcionalidade cerebral vão se fixando. A memória é fundamental nesse negócio cheio de vaidades pessoais que são as relações internacionais, mas é justamente no seu aspecto mais fundamental para o networking que é lembrar o nome e a fisionomia das pessoas que a bendita me trai. Abaixo trago uma divertida história do embaixador português Francisco Seixa da Costa, que improvisa para sair da saia-justa provocada pela falha da memória. Quantas vezes eu empreendi o mesmo esforço.

A "branca"

Por Francisco Seixas da Costa

Vi há dias uma fotografia do dr. Fernando Nogueira, presidente da fundação BCP. E recordei alguém que, depois de saído da liderança do PSD, vai para vinte anos, se remeteu a uma discreta vida profissional, abandonando por completo a vida política.

Conheci-o pessoalmente em Londres, no início dos anos 90, ao tempo em que desempenhava as funções de ministro da Defesa e era uma das figuras mais marcantes do universo social-democrata. Numa das suas passagens pela capital britânica, coube-me acompanhá-lo ao aeroporto, onde havíamos reservado, como era da praxe, uma sala na respetiva área VIP, destinada a passageiros ilustres. Lá chegados, e após termos ultrapassado as barreiras de segurança, sempre invocando o nome da embaixada, dirigimo-nos ao balcão de atendimento.

Com o ministro ao meu lado, informei quem eu era, indicando que estava a acompanhar o ministro português da Defesa. A funcionária inquiriu qual era o nome do ministro. Foi nesse instante que tive una "branca" e o nome de Fernando Nogueira se me varreu por completo da memória. Fosse o cansaço ou a noite mal dormida, a verdade é que o nome não me ocorria. O meu embaraço era total. O ministro já olhava para mim, intrigado, e a funcionária aguardava a minha resposta.

- Desculpe! A reserva da assistência foi feita pela embaixada de Portugal, já lhe disse que se trata do ministro da Defesa, por que diabo precisa também do nome?

A senhora mirava-me, surpreendida com a duvidosa racionalidade da minha reação. E o ministro também:

- Porque lhe não diz o meu nome?

Tentando ganhar tempo, avancei então com uma "criativa" justificação, completamente tonta e até pesporrente:

- Senhor ministro: esta gente tem de perceber que deve funcionar com base na informação que é essencial. Imagine que era um nome chinês! Que interesse é que ela tinha em ouvir uns sons estranhos numa língua ainda mais estranha? Basta-lhes a embaixada e o título da pessoa!

O peso deste meu imaginativo argumentário de ocasião estava a começar a esgotar-se. E, na crescente atrapalhação, fui-me inclinando sobre o balcão, tentando ler, ao contrário, a folha que a funcionária tinha diante de si, com todas as reservas dos compartimentos da zona VIP. Por sorte, consegui descortinar a palavra "Portugal" numa das linhas. Então, com grande "autoridade", estendi o indicador e apontei-lhe a linha:

- Look! It's there!

- Mr. "Nóguêra"?

- That's right!

Ao meu lado, o ministro Fernando Nogueira, um homem cordialíssimo e de sereno sorriso, devia estar intimamente a pensar como é bizarra essa espécie profissional que são os diplomatas.

Nunca tive oportunidade de lhe revelar este episódio. Quando isso acontecer, acho que vai achar graça.

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STRATFOR: The Sunni Ramadan Offensive and the Lessons of Tet

Mideast Iraq E quando você está preparando um texto, procurando elementos para substanciar uma “sacação” que você teve no banho: “Esse avanço do ISIS não lembra a ofensiva do Tet?”, você entre um trabalho e outro (e uma olhadela e outra na Copa do Mundo) abre seu e-mail e descobre que o Stratfor está divulgando uma análise com sua premissa?

Bom não resta solução além de transcrever o texto e o acrescentar como elemento de reflexão na busca de uma análise própria, por que a verdade é que esse negócio de compreender o mundo é um esforço colaborativo, mesmo sozinho no seu escritório.

O texto é replicado com permissão expressa dos autores, no seu original em língua inglesa.

The Sunni Ramadan Offensive and the Lessons of Tet

Por George Friedman

In February 1968, the North Vietnamese Army and the Viet Cong launched a general offensive in Vietnam during Tet, the Vietnamese New Year. From mid-1966 onward, the North Vietnamese had found themselves under increasing pressure from American and South Vietnamese forces. They were far from defeated, but they were weakening and the likelihood of their military victory was receding. The North Vietnamese decided to reverse the course of the war militarily and politically by marshaling available forces, retaining only limited reserves and going on the offensive throughout South Vietnam.

The attack had three strategic purposes. First, the North Vietnamese wanted to trigger a general uprising against the Americans and the South Vietnamese government. Second, they wanted to move the insurgency to the next stage by seizing and holding significant territory and resisting counterattack. And third, they wanted to destabilize their enemy psychologically by demonstrating that intelligence reports indicating their increasing weakness were wrong. They also wanted to impose casualties on the Americans at an unprecedented rate. The American metric in the war was the body count; increasing the body count dramatically would therefore create a crisis of confidence in the U.S. public and within the military and intelligence community.

General Offensives and Crises of Confidence

From a military standpoint, the offensive was a failure. The North Vietnamese military was crippled by its losses. While seizing Hue and other locations, the North Vietnamese were unable to hold them. But they succeeded psychologically and politically by raising doubts about U.S. intelligence and by creating a political crisis in the United States. In war, perception of the enemy's strength and will, and confidence in your own evaluation of those things, shifts the manner in which one fights. The U.S. intelligence estimate before Tet was more right than wrong, but by marshaling all forces for a general offensive, the North caused U.S. trust in that evaluation to collapse. Even though the North Vietnamese were militarily far weaker after the offensive, the military failure proved less relevant than this creation of a crisis of confidence.

The use of a general offensive to reverse military decline is not unique to Tet. The Germans did the same in their offensive in 1944 at the Battle of the Bulge. While the Germans also had a military intent, their psychological intent was as important. Before the battle, the Allies thought the Germans were finished. They were, and so the Germans had to show they still had power. They accordingly threw their reserves into a battle to break the Allies' nerve.

When launched at a time when it is assumed it could not be launched, the general offensive is a powerful weapon. Such an offensive is now underway in Iraq. When we step back, we see a broad offensive by Sunni jihadists underway in a range of countries. In Afghanistan, a massive summer offensive is underway in parts of the country once regarded as secure. To the south, the Pakistani Taliban launched a major offensive a few weeks ago that sparked a Pakistani counteroffensive, putting the Pakistani Taliban on the defensive. In Syria, while the Islamic State (formerly known as the Islamic State in Iraq and the Levant) has not surged, it also has not declined. Southern Jordan has meanwhile seen clashes between jihadists and government forces. In the Palestinian territories, Hamas has announced, though not launched, a third intifada. To the west, Egypt is experiencing terrorism, while in Libya jihadists have asserted themselves in various ways.

The Question of Coordination

Like the Vietnamese and Germans, the jihadists have, broadly speaking, been on the defensive in recent years, and in many cases they had been dismissed as broken. They differ from the Vietnamese and Germans in the sense that they do not constitute a single force. The question remains, however, whether there has been coordination between these offensives. Clearly, the Jordanian, Syrian and Iraqi offensives are linked. Not so clear is whether they are operationally linked to events in Afghanistan and Pakistan or North Africa. To the extent there was coordination, it would have come from Saudi Arabia. As one might imagine, Saudi actions are deliberately murky, so it is difficult to establish anything definitive here. But the Saudis are most threatened by the prospect of a U.S.-Iranian entente. The Saudis also find the jihadists useful for domestic political purposes and as a lever to maximize regional Saudi influence.

There are small hints here and there of coordination, such as this video. But mysteries always have small hints that one can pretend combine to prove something. So far, we see nothing definitive indicating overall coordination. But in a certain sense, it doesn't matter. These uprisings have occurred close enough to each other that they have had the same effect regardless of whether they were coordinated -- giving rise to a sense that the situation in the region is destabilizing dramatically and that jihadist strength has been underestimated.

In a sense, there was no need for coordination because in each theater jihadists were responding to the same three processes. First, there was the increasing evidence that the United States is drawing down its forces such that the door is open to broader jihadist military action. Second, American negotiations with Iran have created a fear among Sunnis, including in Saudi Arabia, that the entire political structure of the region is about to tilt massively against them. And third, Afghanistan, Iraq, Egypt and even Syria all saw recent elections intended to create lasting regimes unfriendly to the jihadists. Within the past few months, these factors combined to force action by the jihadists with or without overt coordination.

Redefining Politics

Jihadists in particular -- and many Sunni populations in mixed countries like Iraq -- either individually, regionally or in coordination launched an offensive designed to make their military power appear as large as possible and thereby redefine politics in areas where their political influence has declined in recent years. Iraq is the most obvious example of this.

The country is divided into three regions. The Shia, the largest group, control the Baghdad government and massive oil reserves in the south. In the north, the Kurds are well-organized and well-defended and also control oil supplies. The Sunnis have little access to oil, are smaller in numbers than the Shia and have become increasingly marginalized since the creation of the post-Saddam Iraqi government. Given that a new government was being formed after recent elections with the same structure as before, the Sunnis had to throw their reserves into the battle. If taken seriously, the threat of a Sunni military force that can seize the country gives the Sunnis a seat at the table, both politically and economically.

From news reports, it would appear that a massive Sunni army is marching in the country -- exactly the image the Islamic State wants to portray. The reality is more modest. This is less an invasion of Shiite or Kurdish territory than an uprising within the Sunni regions in favor of the Islamic State, which is limiting itself to consolidating power within the Sunni region. It is not clear how the group will cope if the Shia reorganize their military and strike north and west or if the Kurds were to attack. Still, the Sunni offensive has hit Iraqi Shiite self-confidence hard. Shiite self-confidence could shatter, or the Shia could draw together and counterattack. If the latter, the Islamic State might fight poorly or well against the Shia. The Islamic State hopes Shiite confidence collapses in the face of all this uncertainty.

This uncertainty has had the same effect on the Americans and Iranians that it has had on the Shia. Neither the United States nor Iran seems to have expected an attack of this magnitude. Both seemed to be operating on intelligence evaluations that made it appear that Iraq was stabilizing under a Shiite-dominated government and that the real issue was how to manage Kurdish oil sales. The Islamic State wants to make the United States and Iran wary of their respective intelligence estimates, and therefore wary of taking any political or military action in Iraq. So far, the Islamic State has succeeded in creating panic in Iraq and wariness in outside countries.

Gauging an Offensive's Success

We will soon start to learn if the general offensive has worked, destroying old assumptions and creating uncertainty. This will be measured differently in each country. Will the fighting in Jordan spread? Can the Afghan Taliban seize and hold territory as the United States draws down to limited forces? If the Pakistani military puts the Pakistani Taliban on the run but they survive, does their mere survival threaten the regime?

The general offensive from a position of weakness can work, but it takes a combination of fragmentation, indifference and misunderstanding. The Tet offensive is the classic success. The Bulge is the classic failure. The North Vietnamese made the American media vastly overestimate northern military strength. At the Battle of the Bulge, Patton was not impressed by the German offensive and urged that the Germans be allowed to roll on to Paris so as to burn up all their fuel. As with both earlier general offensives, first reports of jihadist military success should be taken with a grain of salt.

Evaluating the offensive will give us a better sense of Iraq as the Iraqi army tries to mount a counteroffensive. But we must not focus on Iraq: This is a broader general offensive from Pakistan to the Mediterranean, whether coordinated or not. Some theaters will see failure, others success as Tet did. And though Tet serves as an imperfect historical comparison, there is a powerful parallel: At a time when reasonable people thought that the fighting had been contained in Iraq and elsewhere in the region, they have discovered that there was no basis for that assumption. And that reminds us of Tet.

"The Sunni Ramadan Offensive and the Lessons of Tet is republished with permission of Stratfor."
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Os sérvios e os Hapsburg

franz Hoje é a data que marca primeiro centenário do início da Grande Guerra, a guerra que acabaria com todas as guerras. A hoje chamada Primeira Guerra Mundial foi trágica, morte em escala industrial e inovações macabras em guerra química e biológica. Os nefastos nacionalismos continuam até hoje a se manifestar. Abaixo transcrevo – me valendo do fair use – reportagem histórica, em que informou e analisou o assassinato do Arquiduque Franz Ferdinand, que não era roqueiro, é claro.

The Serbs and the Hapsburgs

On July 4th 1914 The Economist published this article in response to the assassination on June 28th of Archduke Franz Ferdinand

ON TUESDAY afternoon the Prime Minister moved: "That an humble Address be presented to his Majesty to express the indignation and deep concern with which this House has learned of the assassination of his Imperial and Royal Highness the Archduke Francis Ferdinand and of his Consort, and to pray his Majesty that he will he graciously pleased to express to his Imperial and Royal Majesty the Emperor of Austria and King of Hungary on the part of this House, his faithful Commons, their abhorrence of the crime and their profound sympathy with the Imperial and Royal Family and with the Governments and peoples of the Dual Monarchy." To the tribute of indignation and sympathy expressed in eloquent terms by Mr Asquith and Mr Bonar Law there was universal assent in the House of Commons. It is a dastard act, and any society which applauds it deserves to perish.

We live in an age when the very foundations of society are threatened in almost all countries by a secret conspiracy of crime, when arson and murder are employed as political weapons by the miserable and half-witted instruments of organisations which arrogate to themselves high-sounding names, and persuade youthful enthusiasts that the end justifies the means, and that the most cowardly and bloodthirsty murders are heroic exploits, worthy to be sung with the deeds of Harmodius or Brutus. Poison, the dagger, the revolver, the bomb, all these are employed with impartial ferocity against those who by birth or election are fated to preside over the destinies of nations. Sometimes no doubt these foul acts represent a frenzied protest against a statecraft which subjects whole nations to the tyrannical rule of soldiers and police. But foul play is always foul, and there is no sign of discriminating justice in this form of criminal disease. Lincoln in 1865, Garfield and Czar Alexander III in 1881, President Carnot in 1894, King Humbert of Italy in 1900, President McKinley in 1901, King Carlos of Portugal in 1908, King George of Greece at Salonica in March 1913, and now the heir to the throne of the Habsburgs are but a small selection from a long list of atrocities in which only a morbid mind can trace the vindications of liberty.

It was on Sunday at Sarajevo after a visit to the Bosnian manoeuvres that the Archduke Francis Ferdinand, heir to the Austro-Hungarian crown, and his wife, the Duchess of Hohenberg, were shot dead by an assassin. Well might the venerable Emperor Francis Joseph say, "I am spared nothing." This crime comes as a climax to the long series of terrible incidents which make up the tragic history of his house. The story is plain enough. Despite warnings of dangers the Archduke determined to attend the Bosnian military manoeuvres, and arrived in Sarajevo with his wife on Wednesday of last week. He spent two days in the mountains inspecting the troops; the Duchess meantime was fêted in the capital. On Sunday morning the Archducal pair drove through the crowded streets of Sarajevo to receive an address at the Town Hall. Before they reached it a bomb was thrown at their automobile. The Archduke warded it off with his arm; it rebounded on the road and exploded violently, injuring the four members of his suite in the second car, one of them severely, as well as some 20 persons in the crowd. The man who threw the bomb, a Servian printer named Cabrinovitch, was seized by the police, who with some difficulty saved him from the fury of the crowd. Half an hour was spent in the Town Hall, and the Royal party then drove away in the direction of the hospital to inquire after the injured aide-de-camp. On their way, at the junction of the Franz Joseph and Rudolf streets, a series of pistol shots were fired from behind a house. Two of them instantly took fatal effect; the Archduke was mortally wounded in the cheek, and the Archduchess, who had endeavoured to shield him, was shot in the body and sank unconscious in his arms. By the time the car reached the hospital both were dead.

The assassin, a Servian student or 19 years of age, Gavro Prinzip by name, denied having any accomplices, but a few yards from the scene of his crime a second unexploded bomb was found; and evidence is accumulating that a plot, deep laid, with many accomplices, had been formed to murder the Archduke. On being interrogated, Prinzip declared that as a Servian Nationalist he had long intended to kill some eminent person, while Cabrinovitch, a compositor, 21 years of age, said he had received the bomb from anarchists in Belgrade. Thus the cause of Nationalism in the Balkans has added another to the long list of horrid atrocities which have marked the struggle for Macedonia.

At first sight the political motive is hard to fathom, for the Archduke's sympathies with the Slavs, especially with the Catholic Croats, were so notorious that his accession to the throne was thought to herald a conflict with the Magyars; and such a conflict might easily have broken up the Dual Monarchy, whose present basis is found in a pact between Germans and Magyars supported by the Poles, and constantly threatened by agitation and discontent among the Czechs in the North, the Ruthenians, the Roumanians, the Southern Slavs, and the Italian Irredentists. But the idea which the Archduke Francis Ferdinand is supposed to have represented, drawn no doubt partly from the Jesuits and partly from military quarters, was the erection of a Catholic South Slav kingdom, taken mainly from Hungary, and including Croatia, Dalmatia, and Bosnia, which would have converted the dual into a "trial " monarchy. To such a solution the Servians, belonging by religion to the Greek Church, and using the Greek alphabet, are bitterly opposed. Their co-religionists are numerous in Southern Hungary, and form above one-third of the population of Bosnia. They speak the same language as the Bosnian Mussulman and Catholic Croat, and their aim is a greater Servia, which will stretch from the Adriatic littoral to the Mediterranean coast. All those fair lands of the Austrian Crown where various dialects of this language are spoken are destined, in their eyes, to form one kingdom, an orthodox Servia, ruled from Belgrade. It is this notion, no doubt, revolving in the mad brain of a criminal, which explains the tragedy of Sarajevo.

Though we would not forget that death, and especially a death like this, is a natural bar to anything like bitter criticism, it would be false and foolish to pretend that the political character of the late Archduke was one which commanded confidence or promised internal and external peace to the Habsburg monarchy. On the contrary, one of the main reasons for dreading the decease of the old Emperor was anxiety as to what might happen when the reins of power fell into the hands of his successor. It may be remembered that when the Italians were at war in Tripoli the late Archduke held menacing manoeuvres on the frontier, and was credited with the design, from which he was withheld by Count Aehrenthal and the Emperor, of marching into Italy to crush the secular monarchy and restore the Papal authority. We have already referred to the hatred and suspicion with which his clerical and Slav sympathies were regarded by Magyar statesmen. And it is to his deplorable influence that the naval and military expansion under which the financial solvency of the Dual Monarchy is rapidly disappearing must mainly be ascribed. He was no doubt in his private character brave and likeable; but those who knew him well were alarmed by an irrational obstinacy and self-will strangely streaked with weak and vacillating purposes. The sense of responsibility, drawn from long and painful experience, so marked in the venerable Emperor of Austria was absent in his heir, and it may well be that the new succession is more likely to hold together the composite and discordant elements of the Hapsburg realm.

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O Socialismo do Século XXI explicado em uma imagem

relógio ao contrário O governo boliviano no uso de sua soberania inquestionável decidiu mudar o sentido horário, por decreto. Imagino que o governo Morales deve ter solucionado os problemas da nação, já que tem tempo livre para deliberar e legislar sobre a direção dos relógios, além de gastar com as reformas necessárias, para implementar essa decisão.

O simbolismo é perfeito, o socialismo do Século XXI se quer como futuro da humanidade, mas é reedição do passado e um relógio girando ao contrário é perfeito pra mostrar isso, além de contra-intuitivo.

O chanceler boliviano diz que:

“Estamos en el sur y, como estamos en tiempos de recuperar nuestra identidad, el Gobierno boliviano está recuperando nuestro sarawi, que significa camino (en aimara). De acuerdo a nuestro sarawi, de acuerdo a nuestro Nan (en quechua), nuestros relojes deberían girar a la izquierda”.

A ideologia tem esse poder de fazer uma tolice como essa ser expressa com ar professoral e de descoberta, seria inverter os relógios um ato de rebeldia anti-colonial? Mesmo que isso ignore o fato físico de que a terra gira em sentido horário, e que é um fato cultural universal adotar esse sentido para os relógios?

No final é só uma excentricidade governamental, que gera custos e que pode até ter um charme exótico para os turistas e só.

Mas, como simbolismo é perfeito. Tão perfeito que tive que compartilhar com vocês.

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Perspectivas de crescimento: medíocres por Mansueto de Almeida

Mansueto escreve muito bem e didaticamente guia o leitor por temas complexos, em ano eleitoral em que a desinformação será a norma é bom se proteger com conhecimento. Estudem, se informem e cheguem a suas próprias conclusões e como sempre cuidado com as versões oficiais.

Perspectivas de crescimento: medíocres

Por Mansueto de Almeida

Há cerca de três anos muitos pensavam que o Brasil cresceria por volta de 4% ao ano. Na ANPEC, em 2011, tive a chance de escutar colegas economistas da academia e do setor financeiro falar dessa expectativa otimista. Em 11 de dezembro de 2011 escrevi aqui neste blog (clique aqui):

“Todas as noites, na ANPEC, há uma mesa especial de debate de conjuntura e, para a minha surpresa, notei que economistas tradicionalmente alinhados com escolas mais liberais do pensamento econômico estavam otimistas e, por outro lado, economistas mais alinhados com a ala heterodoxa me pareceriam mais cautelosos. Para os mais liberais, o Brasil vai muito bem e há chance concreta de termos um crescimento (real) de 3% a 4% ao ano ao longo dos próximos dez anos.

Todos os problemas relativos ao excesso de crescimento de gastos (mesmo que sejam transferências para famílias), a necessidade de aumentar o investimento público, novos gastos com saúde e educação, o controle da inflação etc. serão adequadamente resolvidos quase que por necessidade, ou seja, “o governo sabe que tem que ser responsável na solução desses problemas” senão ele será punido pelo eleitor.”

Bom, os problemas não foram resolvidos e o governo de fato está sendo punido pelo eleitor. De acordo com a última pesquisa CNI/Ibope, pela primeira vez desde o inicio do seu mandato, em 2011, a avaliação do governo ruim/péssimo (33%) ultrapassou a avaliação ótimo/bom (31%). Apenas a título de comparação, quando a nossa presidenta foi eleita, em 2010, a taxa de avaliação do governo como ruim/péssimo era de apenas 4%!

Taxa de avaliação do governo federal – março/2011-junho/2014 – % de respostas

cni_ibope

Fonte: CNI/IBOPE

A situação pintada pela última pesquisa do CNI/IBOPE é que 50% dos entrevistados desaprovam o governo e 52% não confiam no governo. Isso mesmo, mais da metade dos entrevistados não confiam no governo. Qual a tendência dos indicadores acima? Ninguém sabe, mas a tendência preocupa o governo.

Adicionalmente, no meio desse crescimento da desaprovação do governo, as noticias de crescimento do PIB são cada vez piores. As projeções de crescimento do PIB estão sendo revisadas para baixo e, agora, crescimento de 1,5% este ano, passou a ser otimista. As projeções do mercado já apontam para crescimento do PIB de apenas 1,16% este ano e de 1,60%, em 2015. E tem gente no mercado que acredita que essas expectativas ainda são otimistas.

O banco Santander já aposta em crescimento de 0,9% este ano e de 1,5%, em 2015. O economista Affonso Celso Pastore e sua equipe apostam em crescimento de 1% este ano e de 0,8% no próximo.

Em resumo, no início de 2011, o atual governo apostava em crescimento real do PIB de 5% ao ano e muitos economistas apostavam em 4% ao ano. Estamos terminando o mandato com a perspectiva de crescimento real entre 1% e 1,5% ao ano e, se você for MUITO otimista, é possível acreditar em crescimento real de 2% para 2015 que é a expectativa do banco Bradesco. E apesar do crescimento raquítico, a inflação insiste em ameaçar o teto da meta de 6,5%.

Adicionalmente, com a economia crescendo em termos reais por volta de 1% ao ano, esse baixo crescimento cria uma pressão muito grande do lado fiscal e uma tendência inequívoca de queda adicional do resultado primário pelo forte crescimento da despesa primária (% do PIB). E o que mais impressionante é que tem gente do governo que acha que a “Nova Matriz Econômica” foi um sucesso e se criou no Brasil as condições para o crescimento sustentável. Acredite, se quiser!

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Uma ausência temporária

Pirrapora JIMI 2014 1 FASE Nos próximos dias estarei a participar da Etapa Regional dos Jogos de Minas, que será sediada na cidade de Montes Claros, a princesa do norte de Minas Gerais. Sim, eu sou atleta amador de basquete mesmo estando visivelmente muito acima do peso, imagino como eu estaria se não fosse o esforço pra jogar basquete.

Não devo escrever nos próximos dias, até segunda-feira imagino, mas manterei contato pela fanpage do blog, afinal o mundo está cheio de acontecimentos. Desejem-me sorte (estou voltando de uma lesão grave) e até logo.

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Stratfor: Worsening Violence in Iraq Threatens Regional Security

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Summary

Battles continue to rage across northern Iraq, pitting jihadist group the Islamic State in Iraq and the Levant against Iraqi security forces and their allies. The growing reach of the Islamic State in Iraq and the Levant has escalated an already brutal campaign in Iraq. Alarmingly quick advances by the militants across an important region of the Middle East could draw in regional powers as well as the United States.

Analysis

Using hit-and-run tactics, the Islamic State in Iraq and the Levant, also known as ISIL, has sought to keep Iraqi security forces dispersed and under pressure. ISIL has achieved this by striking at areas where security forces are weak and withdrawing from areas where Baghdad has concentrated its combat power. The jihadists have been working hard to improve their tradecraft by developing skill sets ranging from staging complex ambushes to using Iraqi army equipment effectively in surprise raids. ISIL has also sought to better develop its ties with local Sunni communities.

As far back as the days of al Qaeda in Iraq and its predecessor, Jamaat al-Tawhid and Jihad, founded by Abu Musab al-Zarqawi, militancy has had a presence in Anbar province -- and indeed in Mosul. During the Iraq War, the U.S. military considered Mosul one of the key gateways for foreign al Qaeda in Iraq fighters to enter the country. ISIL operations in Mosul and the wider Nineveh province are unsurprising. What is surprising is the degree of success that ISIL has managed to achieve in its latest offensive in the region.

This success undoubtedly has much to do with local forces and tribes who have either facilitated ISIL or elected not to fight the group's incursion into Mosul. In a city of almost 2 million, had ISIL received no local sympathy, it would have been unable to rout the Iraqi forces in the area with only 1,000 to 2,000 fighters. Social media contains several reports of local Sunnis welcoming ISIL forces, and even of local fighters supporting ISIL in attacks against government positions.

Furthermore, Iraqi security forces reportedly had around 10,000 personnel in and around Mosul. Despite the ferociousness of the ISIL attack, the fact that a significant portion of these forces fled -- abandoning their uniforms, equipment and vehicles -- indicates serious structural and morale issues within the force, which could attributed in part to a high number of Sunni soldiers in the ranks who are unwilling to stand up to ISIL for Iraqi Prime Minister Nouri al-Maliki.

Having succeeded in its Mosul operations, ISIL will continue to take advantage of its momentum and push its gains at a time when the Iraqi government is scrambling to recover from significant losses. As well as taking large portions of the city, ISIL militants seized many weapons and military vehicles as well as the contents of Mosul's central bank. They also freed several thousand prisoners from a local prison, potentially adding more fighters to their cause.

Stretching from the north of Mosul through Tikrit to the south and toward Baghdad along the Tigris River Valley, ISIL is striving to maintain a continuous line of pressure running through what is practically the northern spine of populated Iraq. The Tigris River Valley contains a number of key strategic energy areas, including the oil refinery near Baiji. Although the refinery is still under state control at this time, the areas where ISIL is operating largely match areas where al Qaeda in Iraq was active during the height of the Sunni insurrection in Iraq from 2004-2006. As opposed to a first-time assault or new offensive, ISIL's actions speak more of a resurgence into historical areas of operations.

As well as continuing to push forward, the Islamic State in Iraq and the Levant will largely seek to avoid stand-up fights against well-equipped and determined Iraqi army units, though they have held their ground against such forces in Al Fallujah and Ar Ramadi. The wide-ranging, mobile and rapidly dispersed ISIL forces have a key advantage when it comes to maneuvering in battle over the slower, mechanized units of the Iraqi army. While ISIL maximizes its impact against a disorganized Baghdad, the jihadist group seeks to consolidate its control over territory in heavily Sunni areas, where it has already made significant inroads with the local population. Ambitiously, these areas of control could include large portions of the north as well as Anbar Province. More realistically, it would mean greater ISIL presence in the longer term and, in some cases, direct control in Anbar and possibly other provinces such as Nineveh and Salah ad Din. Working toward this goal, the Islamic State in Iraq and the Levant will continue to focus on its revitalized effort to dismantle the Awakening movement, a coalition of tribal elements that was instrumental in pushing al Qaeda in Iraq out of Anbar the first time, drawing Sunni tribes back into its fold in the process.

The Iraqi army is attempting to contain the ISIL threat that is rapidly spreading into Salah ad Din and Kirkuk provinces. Iraqi forces, supported by allied tribal elements, have reportedly struck back against ISIL outside As Samarra and in Tikrit. A number of Iraqi army units are also supposedly withdrawing from Anbar province, which will further reduce pressure on ISIL-held cities there. These forces are reportedly focusing on the northern approaches to Baghdad, while the Iraqi government is attempting to pull together all reserve units capable of quickly moving to the fight. For all intents and purposes the Iraqi army is overstretched, the geographic dispersion of threats outmatching its resources. This means that Baghdad must prioritize its goals in the fight against ISIL.

Protect the Core

The most important priority for Baghdad right now is to secure its capital and oil infrastructure and begin pushing north to meet ISIL units approaching from Mosul down the Tigris River Valley. This does not mean that the Islamic State in Iraq and the Levant can be eradicated from these areas: Small ISIL cells will continue to operate across the region, and indeed in Baghdad itself. It does mean, however, that the Iraqi army will try to disrupt large mobile ISIL columns seeking to raid and to establish control over towns and cities. By concentrating its forces, the Iraqi army campaign in Anbar, especially around Ar Ramadi and Al Fallujah, will inevitably be at a disadvantage as it falls to a level of secondary importance. The campaign to rid Iraq of ISIL, which was never realistic so long as the jihadists held a virtual sanctuary in eastern Syria, becomes even more tenuous over the long term.

In the fight against the Islamic State in Iraq and the Levant, Baghdad holds a potential advantage, but one which the al-Maliki government has been loath to use so far. This advantage is a greater reliance and cooperation with the Peshmerga (Kurdish security forces) in a combined fight against the jihadists. For political reasons ranging from disputes over territory to energy resources distribution, the central government in Baghdad had sought to maximize its direct control over the north, while minimizing the Kurdish security presence beyond Kurdistan Regional Government-administered areas. With ISIL making alarming gains in the north, it is now far more possible that the central government in Iraq would seek to cooperate with the Peshmerga in a combined push on ISIL in Kirkuk and Mosul. To that end, the Iraqi parliamentary speaker reportedly mentioned the possibility of coordinating with Kurdistan Regional Government President Massoud Barzani. Kurdish Peshmerga forces are reportedly mobilizing in preparation for defensive as well as offensive operations against ISIL.

The Bigger Picture

Beyond Iraq, a number of countries are immediately affected by ISIL. The Syrian battle space bleeds heavily into Iraq due to a porous border, accelerated by the almost total collapse of Syrian army border crossing posts. Since January, ISIL has been heavily involved in fighting with more moderate Syrian rebel factions, as well as with Jabhat al Nusra, the official al Qaeda franchise in Syria. As the fighting has worn on, ISIL has gradually released its hold in western Syria and turned its attention to the Raqqah and Deir el-Zour governorates. Deir el-Zour was particularly important for ISIL as it allowed it to maintain a direct supply link with its established presence in western and northern Iraq, especially in Anbar province. Through this supply link, ISIL has been able to transfer experienced foreign fighters and captured Syrian army equipment to Iraq, including vehicles and anti-tank guided munitions. It has also replenished its stock of ammunition and explosives, greatly aiding operations in Iraq.

The Syrian conflict is affected by the ISIL push in Iraq in two ways. The first is that the jihadists may divert large numbers of fighters from Syria to its Iraq push, which would open ISIL to more pressure in Syria. The second impact is the withdrawal of large numbers of Iraqi Shiite militants -- men that have been fighting alongside the Syrian army -- leaving to concentrate their efforts back home against ISIL. Such a withdrawal would be unpopular in the Syrian regime because it would take away an important source of manpower.

Regional Interest

Ankara is also watching the events in Iraq with considerable attention. Not only are Turkish citizens directly implicated in the conflict, with a number of Turks reportedly seized by ISIL militants, but the Turkish government also maintains an important stake in energy development in northern Iraq. Ankara has long been involved in politics between Baghdad and the Kurdistan Regional Government on issues surrounding the delivery of energy. Turkey is also increasingly concerned about the growing reach of ISIL and has already clashed with militants on its border with Syria. Turkey is especially wary of the potential for attacks by ISIL -- attacks that would exploit the long border that runs from the Mediterranean to Iran. While Turkey has been hesitant to directly send forces against ISIL in Syria, the fact that the Islamic State in Iraq and the Levant has seized large numbers of Turks -- including the consulate staff from Mosul -- may push Ankara to become more directly involved in the crisis.

Iran has long sustained the regime in Syria, as well as indirectly supporting al-Maliki's government in its fight against Sunni jihadists in Syria and Iraq. The growing reach of ISIL, and its ever-closer presence to Iran, is sure to raise considerable anxiety in Tehran. Iran can therefore be expected to further bolster its support for al-Maliki as well as for Shiite proxies across Iraq. In supporting al Maliki's fight, Tehran finds itself very much aligned with Washington.

The United States will avoid sending significant forces back into Iraq, but Washington will ramp up its efforts to contain the ISIL threat by delivering vital equipment such as helicopter gunships, Hellfire missiles, communications equipment, large volumes of small arms and ammunition. This assistance, coupled with a common regional interest to contain the Islamic State in Iraq and the Levant, will likely contain the threat to northern and western Iraq. Though Iraq's southern energy corridor will probably be spared, the Sunni belt in central Iraq and the territories disputed between the central government and the Kurdistan Regional Government will face rising sectarian stress, in line with ISIL's designs for the region.

"Worsening Violence in Iraq Threatens Regional Security is republished with permission of Stratfor."
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